Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious, 2017) – Crítica

O resumo de Velozes e Furiosos é: se você deixar aquela coisa boba chamada lógica falar mais alto, então a experiência será péssima. Mas se você ama carros, piruetas, adrenalina e pirotecnia, então provavelmente aprecia a franquia da “família”. E já tiro outro elefante da sala: não gosto do termo desligar o cérebro. Isso subestima o filme e o público. Os longas estão bem conscientes das loucuras e do quão longe da verdade estão e há mais de 15 anos você sabe bem o que vai encontrar. É mais do mesmo daquela bobagem/delícia (depende do ponto de vista). Definitivamente esse não é o problema aqui. Ou seja: fique com o cérebro bem ligado e aproveite – dentro do possível – o melhor que esse tipo de filme tem a oferecer.

Isso posto, a comparação mais honesta é com os outros filmes da franquia. O primeiro, por exemplo, tem um ar meio inocente que funciona (principalmente naquela época). Já o segundo – mesmo para os padrões aqui – tem um roteiro tão ruim que atrapalha o resto. O quarto e o sétimo são os mais bem realizados. Este último, de 2015, acrescido de uma forte carga emocional devido ao falecimento do Paul Walker, um dos protagonistas, durante as filmagens. O Velozes e Furiosos 8 fica bem no meio termo em relação aos demais. A ação, pasmem, está mais simples, o humor – parte por conta da bagagem das relações entre os personagens – tem bons momentos. A história, bem… é melhor ficarmos só na ação e no humor mesmo….

O mote é genérico, previsível e com alguns furos e conveniências. A transição entre cuba, EUA e Rússia não é bem feita… a gente pisca o olhos e os nossos “heróis” já estão em outro continente. Temos uma “vilã” hacker, bem estridente e com um plano mirabolante, interpretada pela Charlize Theron – ela inclusive lembra muito o que Elizabeth Banks  fez no recente Power Rangers. As falas dela pouco vão além de dar ordens cibernéticas que são nada criativas. Um dos pontos mais fracos aqui. Quando o foco está no popular tiro, porrada e bomba ou na relação entre os membros da equipe que todo mundo já conhece, a coisa flui mais…

No começo, vemos um clássico racha, remetendo às raízes da franquia, onde a honra fala mais alto (aqui é o momento que vemos os corpos das mulheres bem focalizados, também lembrando os closes ginecológicos de outrora, felizmente tal artifício datado não se segue no resto do filme). O contexto ali mais parece um curta do que algo conexo à narrativa. Basicamente é o fan service para os seguidores antigos, pois apesar de muitos carros e de boa parte do filme se passar com os personagens dentro deles, não há outra cena nesse sentido nas duas horas seguintes, o que pode decepcionar a muitos.

Muito inchado, o elenco perde força e alguns personagens se limitam a duas ou três frases engraçadinhas ou quem escolhe o carro mais bizarro. Surpreende que nomes como Helen Mirren, Charlize Theron e Kurt Russell topem fazer os respectivos papeis. Na ala antiga, a grande questão é a traição do protagonista Dom (Vin Diesel), que se revolta contra a equipe/família. A divulgação do filme foi em cima de tal fato. Porém, o mistério é resolvido logo no começo e mesmo sem tal revelação, não precisa ser nenhum vidente para imaginar o que acontece… Não há uma mínima preocupação em surpreender. Dwayne “The Rock” Johnson, por outro lado, usa bem o caráter monstruoso das veias que saltam do próprio corpo e tem as melhores piadas.

As tão mentirosas faladas cenas de ação, com carros capotando, lutas e coisas sendo destruídas também não agradam tanto. São pouco absurdas. SIM… considerando o que vimos em outros filmes – como carros atravessando prédios –  a ousadia aqui está menor. A câmera do diretor F. Gary Gray é bem menos inventiva que a do antecessor James Wan. Um ponto valioso, no entanto, é que boa parte da ação é visível. Os cortes não impendem de ver a movimentação dos elementos em tela, dessa forma é muito melhor do que coisas como Resident Evil. Há duas cenas que realmente merecem destaques positivos. O embate na prisão envolvendo dois dos personagens mais queridos é o misto perfeito de músculos, testosterona e galhofa, justificando o “Furiosos” do título. O outro, justifica a parte dos “Velozes”. Carros-zumbis… é só isso que vou dizer…. Se o longa tivesse mais situações como essas e menos diálogos explicativos de coisas que já entendemos, com certeza o resultado seria muito mais gratificante.

Sem a emoção do episódio 7 e com os problemas relatados – boa sorte para se manter acordado no segundo ato – Velozes e Furiosos 8 ainda tem potencial para agradar os fãs que só quiserem reencontrar os velhos companheiros. O 3D não tem uso, os efeitos são fracos e há pouco de memorável. Os que não eram fãs, e aqueles que queiram se interessar pela franquia agora, terão problemas…

Not rated yet!

Velozes e Furiosos 8

20172 h 16 min
Overview

Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) se aposentaram, o resto da equipe foi exonerado, Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão em lua de mel e levam uma vida pacata e completamente normal em Cuba. Só que o passado volta a atormentá-los quando uma mulher misteriosa (Charlize Theron) faz com que Dom retorne ao mundo do crime e da velocidade e, com isso, arrasta todo o grupo para a ação.

Metadata
Director F. Gary Gray
Writer Chris Morgan
Author
Runtime 2 h 16 min
Release Date 12 abril 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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