Um Tio Quase Perfeito (2017) – Crítica
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Este ano está realmente complicado para as comédias nacionais. O que começou até surpreendentemente bom com Eu Fico Loko e Saltimbancos Trapalhões, chegou ao fundo do poço com Gostosas, Lindas e Sexies , Ninguém Entra e Ninguém Sai, além de Amor. com . Um Tio Quase Perfeito felizmente não é tão terrível quanto essas últimas obras citadas, porém é vazio, sem carisma e com muitos problemas.

A história familiar de um tio trambiqueiro que tem que cuidar do trio de sobrinhos, pega alguma inspiração no icônico Uma Babá Quase Perfeita protagonizado por Robin Williams. Aqui quem encabeça o elenco é Marcus Majella, o carismático ator tem muitos trabalhos como coadjuvante, falta um pouco ainda para brilhar como principal, porém tem muito potencial.

Uma premissa simples, baseada nos golpes do tio e na relação dele com as crianças, tem o mérito de não se desenvolver a partir de alguns clichês do gênero. Não há, por exemplo, apelo sexual, piadas ofensivas ou alguns esteriótipos comuns. Por outro lado, ainda é irresistível o uso do bordão (até simpático, confesso), uma estrutura muito formulaica e o excesso de personagens.

Os muitos arcos dificultam explorar cada um devidamente. As coisas entram e saem da narrativa de modo pouco orgânico. Temos aqui um grave problema de montagem. A Montadora é Maria Rezende que também foi responsável por Amor. com , que sofre do mesmo mal. A culpa, claro, também cai na conta da direção. Pedro Antonio dirigiu um dos piores filmes do ano passado, o Tô Ryca!. Houve uma evolução notória, mas ainda deixa muito a desejar. Aqui a dificuldade é em dar um fluxo natural para as situações, além de um timing cômico um tanto torto. Muitas piadas ficam soltas e acabam sendo sem graça.

Isso também prejudica os conflitos criados. O roteiro não ajuda nesse ponto, é verdade, mas a montagem torna a coisa ainda mais fraca. Toda a questão com os agiotas não precisava existir, mas já que está lá, a trama poderia ter uma resolução menos acelerada. Esse é um problema que em menor ou maior grau permeia todo o filme. A ausência do pai, a presença da avó ou até a peça de teatro, tudo soa como dispensável – sendo que não é.

O diretor não consegue organizar a cena para melhor orientar os atores infantis. Não estou exigindo uma grande atuação das crianças e adolescentes, é raro termos grandes desempenhos nessa faixa de idade, ainda assim, era possível um trato melhor com mudanças simples nas movimentações e texto. Falta também um equilíbrio de tempo para cada personagem.

O personagem do tio tem um misto de preguiça, típico que se joga no sofá, com trabalhador que tenta vários tipos de bico para sobreviver. Lembra um quê do Senhor Madruga (do seriado Chaves). O sentimento de carinho e “não tô nem aí” com os sobrinhos também está presente. A falta de tato rende breves gags como a história para dormir que ele conta para a sobrinha mais nova ser a história do Tropa de Elite. Ou seja, o personagem, tal qual o ator, tinha potencial, totalmente boicotado pelo roteiro, direção e montagem. Uma pena.

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Um Tio Quase Perfeito

Overview

Tony (Marcus Majella) é um malandro trambiqueiro que adora se disfarçar para ganhar dinheiro de inocentes. Ele já foi estátua viva, pastor, cartomante - tudo com a ajuda de sua mãe, Cecília (Ana Lucia Torre). Depois de serem despejados de casa, os dois procuram Angela, outra filha de Cecília e com quem eles não falam há anos, que cai na lábia dos dois e se oferece para dividirem o mesmo teto. Após receber uma promoção no emprego que a obriga a passar um tempo viajando, Angela decide deixar os seus três filhos sob os cuidados do Tio Tony - o que vai ocasionar muitas confusões.

Metadata
Director Pedro Antônio
Writer Sabrina Garciarena
Author
Runtime
Country  Brazil
Release Date 20 abril 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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