Um Homem de Família (The Headhunter’s Calling, 2016) – Crítica
Posters para "A Family Man"

É fácil de imaginar qual vai ser a recepção deste longa (e de certo modo deste texto). Muitos irão chorar e sair da sala proclamando que viram a coisa mais emocionante que já presenciaram em uma telona. Qualquer porém contrário irá ser rechaçado com alegações de “você não tem coração”…..

O combo criança + câncer ainda atrai uma parcela do público ávida por emoção barata. Trilha melosa e frases de efeito, com lições de moral não vistas nem em parachoque de caminhões compõe o cenário. O mote: pai que só pensa no trabalho e não dar amor aos filhos/esposa é mais batido que pipoca no cinema… sim, tudo isso está aqui em Um Homem de Família (e vale a lembrança para não confundirem com o filme homônimo do Nicolas Cage).

Gerard Butler interpreta um machista clássico, “chefe de família”, que trabalha mais de 70 horas por semana e faz ligações importantes para dar o sustento para a casa (o que está acontecendo com o ator? Depois de Deuses do Egito, que ficou entre os piores filmes do ano passado, ele me vem com esta bomba novamente…).

Quando o chefe Ed Blackridge (Willem Dafoe) propõe uma competição interna para ver quem vai assumir a empresa, Dane (personagem de Butler) trabalha ainda mais e usa de métodos escusos para conseguir se dar bem.

Em meio a isso, uma tragédia familiar: o filho mais velho (que é bem jovem) é diagnosticado com um tipo raro de câncer. A partir daí todos os clichês continuam sendo postos da forma mais cretina. O ato final é simplesmente um amontoado de momentos para fazer o público se engajar por aquela bela história.

À semelhança de outro desastre deste ano, o Beleza Oculta, aqui a única preocupação é a mensagem de auto ajuda, com o agravante que mesmo ela é passada de forma torta. Tal como lá, os personagens são unidimensionais e aparecem segundo conveniências do roteiro. Tudo é altamente maniqueísta.

Se você ou as pessoas que estiverem ao seu lado chorarem com os acontecimentos de Um Homem de Família, pense se o sentimento é sincero ou se não é um truque barato do filme para arrancar lágrimas a fórceps.

Por vezes quando Dane está prestes a fazer algo com a família, uma ligação de trabalho surge. Elas oportunamente (para o roteiro) vem em momentos inoportunos (jantares, visitas médicas, passeios com o filho…), mostra as fragilidades dos responsáveis pelo filme de criar situações pelo menos diferentes. Ou então o péssimo diálogo no carro para mostrar que a mãe também trabalhou – e ele é péssimo por ser conveniente e até contraditório com o que o filme já apresentara.

Parabéns para quem definir os coadjuvantes com mais de dois adjetivos de significados distintos. Cada um tem aquela função bem marcada, como se toda existência deles se resumisse àquilo. E olha que os protagonistas não vão muito além. Até a curiosa verve artística do filho soa falsa. Ainda assim o jovem é o personagem menor pior aqui.

O subtexto religioso torna tudo ainda pior (sim, eles consegue se superar…). Tem um diálogo sobre fé entre o médico e o menino cuja cena é muito mal dirigida e a mensagem não faz a menor diferença para o filme.

Um Homem de Família é mal montado, pessimamente escrito, tem uma direção nula (a estreia do já experiente produtor Mark Williams no cargo de diretor), mas vai encontrar o público e arrancar risos e lágrimas, infelizmente….

 

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A Family Man

Overview

Dane Jensen (Gerard Butler), um implacavél headhunter corporativo de Chicago, está disputando com uma colega de trabalho (Alison Brie) a chance de substituir o chefe da empresa (Willem Dafoe), prestes a se aposentar. Ele é o favorito, mas ainda assim precisa bater as metas nos últimos três meses do ano. Enquanto a rivalidade atinge níveis extremos, no entanto, uma tragédia familiar faz com que ele coloque na balança suas prioridades.

Metadata
Director Mark Williams
Writer
Author
Runtime
Release Date 18 maio 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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