Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything, 2017) – Crítica
Posters para ""

Tudo e Todas as Coisas tinha potencial, mas o filme se boicota o tempo inteiro. A história é batida, porém alguns elementos poderiam tornar o todo bem melhor. Não é um deserto de criatividade, contudo é uma abundâncias de clichês…. O livro cuja história foi baseada fez um sucesso considerável há alguns anos.

Ainda assim, mesmo com toda previsibilidade (decorrente da leitura do livro ou dos movimentos óbvios de roteiro), eu não indico ver o trailer quem não gosta de spoiler, 95% da história está, salvo um detalhe final…aqui no texto, como de praxe no Razão de Aspecto, não terá detalhes que estragarão a tua experiência…

Maddy (Amandla Stenberg), 18 anos, tem uma doença rara que a impede de sair de casa, pois o contato com o mundo exterior poderia ser fatal dado a baixa imunidade da menina. Por sorte a mãe é médica e dá todo suporte para a filha em um casa adaptada e esterilizada. A rotina da garota é quebrada quando um vizinho se muda e eles logo se apaixonam. O filme conta então a história desse amor “impossível”. Sim, temos o típico filme de amor adolescente, aqui com alguns adendos, uns positivos outros bem negativos…

Primeiro mérito: a protagonista e a mãe são negras e em nenhum momento a questão étnica é posta como tema. As personagens (aliás todos no filme) poderiam ser interpretadas por pessoas de qualquer cor. Esse tipo de diversidade é natural e muito bem-vindo. Outro ponto elogioso: quando Maddy conhece Olly (Nick Robinson) eles logo conversam por mensagem no celular. Há uma projeção bem criativa para mostrar o papo: Maddy imagina ambos conversando em uma das maquetes que ela construiu. Isso impede que a gente fique horas lendo mensagem de texto, como enfadonhamente faz o filme Personal Shopper.

Algumas coisas soam como furos ou atitudes improváveis. E aí vem o grande problema: com um pouco de sagacidade o público logo perceberá que só temos duas saídas para o filme…o final é ridiculamente óbvio e mal trabalhado. E o pior: não sana todos os problemas apresentados no começo, mesmo que aparente fazê-lo.

Já a introdução cai em velhos clichês: narração em off, sem motivo, apresentação extremamente marcada e vários elementos que tornam a protagonista um misto de cool e estranha, típico para os adolescentes não populares se identificarem com ela, mas sem perder o público mais pop. Basicamente eles exploram, de forma tosca, o sentimento do público com “ela é uma coitadinha, mas ela é bem legal também…” Tudo e Todas as Coisas engana o público, no pior sentido

Por falar em adolescentes, o retrato aqui tem problemas. Não vou reclamar de atitudes “idiotas” dos personagens, pois elas são típicas da idade (às vezes de todas as idades) ou mesmo da facilidade como eles se apaixonam. O problema aqui não é esse. Mas recursos como o da pulseira (devidamente ressaltadas com um close cretino) ou por que raios eles não fazem uma ligação ou usam o skype para se comunicar enfraquecem o todo…As relações com os demais personagens é um tanto pueril, a cena do pai de Olly, por exemplo é muito mal filmada, a direção de Stella Meghie tira todo o impacto.

Outro ponto negativo: o excesso de personagens. E olha que temos poucos… mas a filha da empregada ou então a irmã de Olly tem pouca ou nenhuma função… A pessoa que vai trabalhar na casa tem tanto esteriótipo que soa grotesco até dentro da proposta. Esse tempo perdido poderia ser aproveitado com outras coisas. Por exemplo, o filme tem a delicadeza de colocar o astronauta como metáfora, praticamente a joga fora da metade para o final.

A palavra que define Tudo e Todas as Coisas é frustração. Cenas como a das legendas que traduzem os sentimentos do casal poderiam reverberar mais ou ter alguma rima em outro momento. O design da casa é bem variado, contudo pouquíssimo explorado. A necessidade da grande virada no final é a saída preguiçosa dos responsáveis pela história… parte do público vai sair comentando só aquele fato específico e os erros serão maquiados.

Tudo e Todas as Coisas não quer nenhum tema que ele mesmo propõe: liberdade, doença, amor, confiança, amizade, maternidade… a coragem que sobra em alguns personagens, falta na própria história. Se tem hora que o material fonte parece ter sido bem adaptado, em outras parece uma história sem méritos. Essas contradições incomodam e muito.

Not rated yet!

Everything, Everything

Overview

Maddie (Amandla Stenberg) está prestes a fazer 18 anos, mas ela nunca saiu de casa. Desde a infância, a jovem foi diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Combinada, de modo que seu corpo não seria capaz de combater os vírus e bactérias presentes no mundo exterior. Ela é cuidada com carinho pela mãe, uma médica que constrói uma casa especialmente para as necessidades da filha. Um dia, uma nova família se muda para a casa ao lado, incluindo Olly (Nick Robinson), que se sente imediatamente atraído pela garota através da janela. Maddie também se apaixona pelo rapaz, mas como eles poderiam viver um romance sem se tocar?

Metadata
Director Stella Meghie
Writer
Author
Runtime
Release Date 19 maio 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?