Caso você queria ver um besteirol com piadas sobre sexo e que abusam de palavrões, estilo Seth Rogen, então Tinha Que Ser Ele? é para você. Irá dar boas risadas, terá uma tarde/noite descontraída e pronto. Agora, caso queira um filme… bem, temos que conversar….

A premissa é a mais batida possível: um pai conservador conhecendo o genro liberal. A coisa ganha algum vulto quando a figura paterna é Bryan Cranston (o nosso eterno Walter White) e o jovem é  James Franco. A dupla realmente funciona, ambos tem timing cômico e entregam figuras carismáticas – dentro da proposta. O texto é muito raso, tal como é comum no gênero, contudo os atores se entregam – novamente considerando o nível de exigência aqui. As caras e bocas são forçadas, mas a verve humorística engole qualquer problema que em um filme “normal” seria um pecado.

Ainda assim, com todas as ressalvas, os clichês cansam e tornam a narrativa um problema. Todos os movimentos são previsíveis, mesmo quando a ideia era surpreender. Até o final, um pouco diferente do convencional, tem nuances batidos. O engajamento com o filme perde pontos nesse sentido. Outro fator que faz com que o todo seja enfraquecido são as figuras femininas. Enquanto Ned Fleming (Cranston) e Laird Mayhew (Franco) dão show, praticamente não há adjetivos além de “esquecível” para nomear Stephanie Fleming (Zoey Deutch) e Barb Fleming (Megan Mullally), filha e mãe, respectivamente. Elas teriam um papel central, porém deixam a desejar. O roteiro dá espaço e não vemos qualquer esforço das atrizes. Por outro lado, um coadjuvante rouba a cena. Keegan-Michael Key interpreta Gustav um personal-tudo de Laird. Praticamente todas as aparições dele têm impacto (às vezes literalmente, em cenas de “luta”). Ou seja, temos três figuras masculinas de relevo no filme.

As gags estão dentro dos conformes: pelos pubianos, bundas, masturbação, pênis sendo mordidos (sim…) fazem parte do arcabouço do humor do longa. Basicamente: você se sentiu ofendido com Festa da Salsicha? Não recomendo Tinha Que Ser Ele? Gostou de American Pie? Então seja feliz aqui… O humor textual transita entre os já mencionados palavrões – nada muito elaborado, ele se detém nos básicos – e na inocência do protagonista milionário. Recheado de boas intenções, mas com resultado bizarros, Laird gera momentos dos mais absurdos, em especial no arco final. Uma certa suspensão de descrença se faz necessária aqui. O fato de o protagonista ter dinheiro infinito rende, faz com que a coisa ande, contudo é de uma preguiça inacreditável: tudo pode, ao alcance das mãos….

Ao contrário de outras produções, a saber a recente A Última Ressaca do Ano, essa salada funciona em certa instância. A nota de partida de Tinha Que Ser Ele? é baixa, não espere aqui um Monty Python ou Apertem Os Cintos, dentro dessa promessa singela o resultado é satisfatório. Há um subtexto sobre modernidade e redução no uso de papel (que chega a extremos de não usar papel higiênico), mas nada sensacional. Ou seja, temos algo honesto. Saiba que filme está sendo entregue e compre o produto ou não. Tinha Que Ser Ele? é bobo, pueril, todavia não é mentiroso…

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Tinha Que Ser Ele?

2016Duration unknown
Overview

Durante as férias, Ned, um pai dedicado mas superprotetor e a família visitam a filha em Stanford, onde ele conhece o seu maior pesadelo: o bem-intencionado mas socialmente estranho bilionário de Silicon Valley, Laird. O certinho Ned pensa que Laird, que não tem quaisquer filtros, é uma péssima escolha para a sua filha. A rivalidade unilateral e o nível de pânico de Ned dispara quando ele se encontra num glamoroso ambiente high-tech, e descobre que Laird estás prestes a fazer o pedido de casamento.

Metadata
Director John Hamburg
Writer John Hamburg, Ian Helfer, Nicholas Stoller
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 22 dezembro 2016

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