The Grand (2007) – RASOP Evento 4 – Second Chance
Posters para "The Grand"

Com a crítica de The Grand, infelizmente o RASOP se aproxima de seu fim. E, para piorar, não estamos falando exatamente de um grande filme. Se você não está acompanhando o RASOP desde o começo, vamos a uma breve recapitulação: No Evento de Abertura  e no Main Event tivemos a crítica de dois clássicos do cinema sobre poker, que retratam de forma fidedigna o jogo, ao mesmo tempo que entregam um cinema de qualidade. No High Rollers falamos sobre um filme também excelente, mas que peca por retratar o poker de modo estereotipado e distorcido. Todos estes filmes foram feitos antes da grande popularização que o jogo de cartas passou no início do século XXI.

Depois de Cartas na Mesa a maioria dos filmes que falam de poker foram ao mesmo tempo melhores e piores. Melhores no sentido de retratarem o jogo de um ponto de vista bem mais próximo do que ele é de fato. Piores por serem filmes mais simplórios, de menor qualidade. Acredito que isto se deva ao fato dos produtores de Hollywood perceberem que os jogadores de poker se multiplicaram, e com isto virão um público alvo para fan service. Este contexto gerou filmes como o lamentável Negócios e Trapaças, a comédia romântica clichê Bem vindo ao Jogo e a comédia de improviso The Grand, entre outros. Nenhum destes filmes são obras memoráveis, mas devido ao bom elenco de humoristas e também a boa participação de alguns profissionais de poker no filme, escolhi The Grand como o representante desta atual safra de filmes de poker fan service.

Seguindo a mesma linha de filmes como Isto é Spinal TapO virgem de 40 anosThe Grand foi filmado dando total liberdade aos atores, sem diálogos fixos e apenas com linhas gerais de roteiro. Este estilo de comédia de improviso depende muito da qualidade dos atores e da química entre eles, e normalmente gera um produto meio televisivo, com humor de momento e frases de efeito, e não um humor trabalhado ao longo do roteiro. Em compensação o gênero é capaz de gerar esquetes fantásticas e momentos inesquecíveis. The Grand se inclina mais para os defeitos do gênero, apesar de algumas das qualidades.

Zak Pen é um roteirista bastante experiente, mas como diretor fez apenas dois documentários (O excelente Atari: game over, este posterior a The Grand, e o lamentável Incident at Loch Ness). A inexperiência dele como diretor se percebe, mas ele esta ciente disto. Não há nenhuma sofisticação, e também nenhuma ousadia na linguagem de câmera, fotografia, iluminação, etc. Diria queo filme atenderia o “padrão Globo de qualidade”, o que não é um elogio em termos de cinema.

Mas estes problemas se compensam com a qualidade do elenco. Woody Harrelson (de Sete psicopatas e um Shih Tzu) é o protagonista. One Eyed Jack Faro, seu personagem, é um jogador de poker que já provou tudo que se possa beber, fumar, cheirar ou injetar, o que, segundo ele mesmo, comprometeu suas faculdades mentais. O problema é que, além de viciado e jogador de poker, ele é o dono de um cassino em Las Vegas, herança de seu avô. E devido a má gerencia, ele precisa vencer o torneio de poker organizado por seu próprio cassino para salvar o legado de sua família. Contracenando com Harrelson temos, entre outros, Davi Cross (de Brilho eterno de uma mente sem lembranças), Dennis Farina (de Snatch: porcos e diamantes), Cheryl Hines (de The Ugly Truth), Richard King, Chris Parnell, Ray Romano (o Raymond que todos amamos) e Werner Herzog (mais conhecido por seus trabalhos de direção que como ator).

Todos seguem uma atuação muito similar, com personagens bastante caricatos, e abusando das idiossincrasias para material das gags. O núcleo mais cômico é a família Schwartzman. Nela temos dois irmãos jogadores de poker, que se odeiam, o marido tolo da irmã (Ray Romano) e o pai, uma participação especialíssima de Gabe Kaplan, ator de comédia ocasional e jogador de poker profissional. É Kaplan e Romano quem garantem os melhores momentos do filme.

Além de Kaplan, temos vários outros jogadores profissionais que aparecem com maior ou menor destaque. Vemos rapidamente Daniel Negreanu, Phil Helmuth, Doyle Brunson, Phil Laak, Antonio Esfandiari, e fazendo um comentarista de poker (o que ele também é na vida real), Phil Gordon. Todos interpretando a si mesmos. Gordon é o maior destaque entre as interpretações de não atores. E sim, se você não conhece as celebridades do poker, temos muitos jogadores da elite com nome Phil.

A aparição destes jogadores não é o único fan service. Muitas piadas se baseiam nas decisões que os jogadores de poker tomam ao longo do torneio, centro dramático do filme. Temos até mesmo um personagem de comportamento autista que, em um fluxo constante e monótono dispara sequências de frases non-sense de termos técnicos de poker. Esta dependência do poker para o funcionamento do humor é o principal defeito (junto com a falta de um roteiro propriamente dito) do filme. E este defeito se repete, infelizmente, nos outros filmes sobre poker recentes.

Se em Cincinnati Kid e Cartas na mesa temos filmes que conseguiram ser fidedignos ao poker da vida real, mas sem exigir do espectador conhecimento do jogo para entende-los, o mesmo não se repete em The Grand e seus contemporâneos. The Grand é carismático e divertido para quem gosta de poker, mas um pouco sem forma e sem drama para quem não tem as referências do carteado. Se você é jogador de poker, pode colocar uma estrela a mais na minha avaliação. Se não, este filme vale apenas como humor despretensioso.

Com isto acredito ter conseguido um bom panorama de como o cinema de Hollywood vem retratando o poker nas últimas décadas. Mas, para fechar o RASOP com chave de ouro, tentando mostrar um pouco mais do jogo para quem não conhece, encerrarei o RASOP com a crítica de All In: The Poker movie, um documentário que fala sobre o grande renascimento do jogo na primeira década do século XX.

Então não perca sua última chance de participar do RASOP. Amanha, teremos All In: The Poker Movie – RASOP Evento 5 – Last Chance.

Not rated yet!

The Grand

Overview

Uma comédia de improviso em forma de mockumentário, sobre um torneio de poker e seus participantes.

Metadata
Director Zak Penn
Writer Matt Bierman, Zak Penn
Author
Runtime
Release Date 7 junho 2007

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 0    Média: 0/5]