T2 Trainspotting (2017) – Crítica
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Trainspotting, lançado em 1996, pode ser considerado, sem exagero, um jovem clássico. O retrato de jovens subversivos foi aclamado por uma geração. Com personagens cativantes e problemáticos, no melhor sentido da coisa, e com uma obra que vai além de drogas, palavrões e sexo – apesar deles serem o centro (causa e consequência) em vários momentos. 21 anos depois, com o mesmo diretor e elenco, chega às telonas a sequência T2 Trainspotting.

T2, como não poderia ser muito diferente, está muito preso à versão de 1996. E isso é o principal mérito e o principal problema do longa. Como é dito em um momento bem tocante: “Nostalgia. É por isso que estamos aqui”. Mas mais do que meras referências, flashbacks ou os mesmos personagens, Trainspotting 2 necessita que o espectador tenha visto o primeiro. Como obra única, solta, perde-se muito. Aqui ser encarado como uma sequência direta se faz imprescindível (o primeiro, atualmente, tem na Netflix, então fica a dica de dar aquele play antes de conferir o novo no cinema). A lógica aqui é de vermos o reencontro dos 4 personagens, com toda a bagagem dos acontecimentos vividos no longa anterior e o silêncio dos 20 anos – o reflexo do tempo é sentido não só pelo público, como também pelos personagens. As mágoas, raivas, lembranças estão ali mais vívidas que nunca.

As personalidades mais ou menos se mantém, o protagonista Renton (Ewan McGregor) está mais maduro, contudo ainda tem as nuances de outrora. Ele continua funcionando bem sozinho, mas cresce muito quando dialoga com os antigos companheiros, Spud (Ewen Bremner), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Begbie (Robert Carlyle). Todavia, talvez pela ausência de narração aqui o vínculo não é tão íntimo com o espectador. Normalmente critico esse artifício, o da narração, acho preguiçoso e geralmente redundante. No entanto, em Trainspotting (1996) funciona incrivelmente bem e senti falta do “papo” aqui.

O elogiável trabalho com a câmera do diretor Danny Boyle se mantém. Sentimos a presença dos movimentos, estes nada preguiçosos e com um quê de inventividade. Há uma cena no quarto de Renton que traduz bem essa questão. Algumas rimas visuais, como o icônico banheiro, também se fazem presentes. As cores e enquadramentos ressaltam a insanidade – um pouco menos que no filme de 96, ainda assim com força dramática. Ainda na pate visual, temos algo que tende mais para uma homenagem do que uma tentativa de se reinventar. A estética é a mesma, possivelmente sem o mesmo impacto sócio-cultural de antes.

Tudo isso, auxiliado por uma trilha muito acertada. Como o tom pedia, as batidas mais aceleradas e fortes em boa parte da trama. Ainda assim, ela não fica monotônica. Já nos momentos dramáticos, um tom mais sentimental vem com força, sem nunca tender para o piegas ou ultrapassar a emoção da cena. Ótima harmonia nesse quesito. Nomes como: Queen, The Clash e Iggy Pop embalam a narrativa.

Apesar de claro ser um drama, com todo o pessimismo intrínseco à condição dos personagens (repare no monólogo sobre escolhas), o humor é marca da franquia. E, tal como antes, esse elemento funciona muito bem. Desde o humor físico, até os diálogos rápidos e ácidos. As situações envolvendo sexo – mais contido aqui, porém ainda com nus frontais – também proporcionam algumas boas gags.

Muito mais eficaz que um Bruxa de Blair ou Independence Day, ambos revisitados ano passado, Trainspotting tem sim uma sequência inferior ao original, contudo sabe exatamente o que quer, é executado com firmeza. Mas é muito mais preso que aqueles dois à obra original, tem algumas barrigas e não vai muito além. No saldo, todavia, é positivo para os fãs antigos.

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T2 Trainspotting

2017Duration unknown
Overview

Renton (Ewan McGregor) retorna à cidade natal depois de vinte anos de ausência. Hoje, ele é um homem novo, com um emprego fixo e livre das drogas. Os amigos não tiveram a mesma sorte: Sick Boy (Jonny Lee Miller) comanda um comércio fracassado, Spud (Ewen Bremner) continua dependente de heroína e Begbie (Robert Carlyle) está na prisão. Aos poucos, Renton revela que sua realidade não é tão positiva quanto ele mostrava, e volta a praticar os crimes de antigamente. Sequência de Trainspotting - Sem Limites (1996), inspirada no livro "Porno", de Irvine Welsh.

Metadata
Director Danny Boyle
Writer
Author
Runtime Duration unknown
Country  United Kingdom
Release Date 27 janeiro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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