Wilson Simonal de Castro foi um dos maiores e mais polêmicos cantores da nossa música. Há bom material para um filme da turbulenta e malemolente história do artista. Leonardo Domingues estreia nas funções de roteirista e diretor de filmes de ficção (ele já havia codirigindo um documentário em 2004, além de ter participações em outros trabalhos como montador). Logo na cena inicial temos Domingues nos brindando com um belo e longo plano sequência. Somos transportados para a época e a cena do prólogo termina de um jeito impactante.

Aqui vale a ressalva: se você ouviu o Podcast Radiofobia Classics #02 ou o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, não terá surpresas e o longa pouco se esforça para criar algo além, como, por exemplo, fizeram os filmes Rocketman (sobre o Elton John) ou Minha Fama de Mau (sobre o tremendão Erasmo Carlos). Por vezes, o desenrolar da trama se assemelha a um check list de situações marcantes. Lembrou o que foi feito no filme da Elis Regina. Notadamente, o plano sequência da abertura e um outro ainda mais espetacular na virada do segundo para o terceiro ato, marcam os pontos fora da curva desse comodismo.

Simonal

Fabrício Boliveira dá vida ao astro. O ator já havia sido protagonista de outro longa de tema musical. Ele foi o famoso João de Santo Cristo, em Faroeste Caboclo . Há carisma e vemos uma evolução considerável em relação ao trabalho de 5 anos atrás. Facilmente acreditamos na montanha russa de emoções que o personagem pede. Veja como ele transita entre um ar heroico e vilanesco e entre uma autoconfiança gigante e momentos de desnorteamento. E isso é quase que uma metonímia do filme em si: temos as várias facetas do cantor, sem julgamento pelo filme. O público tem margem para tirar as próprias conclusões e considerá-lo x ou y. Tal opção é corajosa, pois não raro vemos biografias preocupados em amenizar certas questões. Aqui você poderá sair com a sensação de que ele é um gênio, um canalha, inocente ou traidor. Ou seja, os responsáveis por Simonal não passaram açúcar nele, por vezes está mais para o limão limoeiro….

Nas atuações secundárias temos Ísis Valverde como Tereza, esposa de Simonal. Infelizmente a atriz/ personagem tem pouco espaço, o foco total da produção é o protagonista. Além disso, temos uma ponta de Leandro Hassum como Carlos Imperial, o ator se distancia de alguns cacoetes que o marcaram (e isso é um elogio), mas é outro que poderia ter mais tempo em tela. Como me foi sugerido pela Gabriela Carneiro, seria interessantíssimo se os mesmos atores pudessem interpretar os personagens nos diversos filmes do gênero que tem saído. Por exemplo, a Elis de Anreia Horta, fazer uma aparição aqui ou o próprio Imperial que já teve uma dúzia de atores, em uma espécie de “Vingadores da MPB”. Sabemos que tal sonho seria quase impossível, mas fica a sugestão….

Simonal

Há muitas cenas bem feitas, com o típico retrato da época. Então roupas, objetos e cenários condizentes (além do uso de momentos reais  emblemáticos). Contudo, por vezes sentimos cortes bruscos. Essa opção reforça aquele ar já citado de highlights. Entendo a ânsia de tentar dar conta de tudo, mas o filme funciona mais justamente quando ele respira. O que não entendo é a necessidade de retornar a cena inicial quase que na totalidade, mesmo que indo para um outro ponto de vista, a volta poderia ser encurtada.

Tal como os altos e baixo da carreira de Simonal, o filme Simonal oscila e deixa um gosto agridoce. Ainda assim, para os antigos fãs será uma chance de cantar as músicas mais uma vez e para os novos fãs de descobrir um pedaço curioso da nossa história musical.

PS: Agradeço ao Leonardo Miotti do Portal Refil pelo convite para a pré-estreia

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Simonal

20191 h 45 min
Overview

Cinebiografia de Wilson Simonal, um dos nomes mais importantes e polêmicos da nossa música

Metadata
Writer Victor Atherino
Author
Runtime 1 h 45 min
Country
Release Date 8 agosto 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

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