Sem Fôlego (Wonderstruck, 2017) – Crítica
Posters para "Wonderstruck"

Sem Fôlego (cujo título original é Wonderstruck) é o mais recente trabalho do diretor Todd Haynes (que esteve no Oscar com o longa Carol). Aqui para além de dramas familiares, que são o mote da trama, temos uma carta de amor à arte.

A história trânsita entre museus, usa fotografia, cinema, literatura e outras artes para compor um cenário artístico e metalinguístico, pois parte da linguagem do filme também é uma grande homenagem ao cinema, especificamente o mudo.

Acompanhamos duas histórias paralelas. Ben (Oakes Fegley) um garoto de 12 anos sai no mundo após a morte da mãe e depois de ter sido atingido por um raio e ficado surdo. Rose (Millicent Simmonds), que também não escuta (além de não falar), tem uma jornada de busca parecida.

Sem Fôlego

A diferença é que um arco se passa na década de 70 e o outro nos anos 20. Como tal, sentimos um trabalho de trilha, fotografia e até ritmo diferenciados. Enquanto somos embalados por tons quentes – musical e visualmente – nos anos mais recentes, vemos o desenrolar em preto e branco e com uma trilha mais carregada enquanto conhecemos Rose.

Quando os lugares que os dois jovens passam tem semelhanças a montagem faz belas transições entre uma linha temporal e outra. Cada vez mais a história vai se desvendando e esse recurso sendo aprimorado.

Pelas referências diegéticas ou não ao cinema e pelos personagens infanto juvenis, torna-se inevitável a comparação com A Invenção de Hugo Cabret dirigido pelo Scorsese. Lá, uma obra mais primorosa que aqui.

O primeiro ato e até parte do segundo, Sem Fôlego demora a engrenar. Quase o filme se rompe, parece que a coisa fica girando sobre o próprio eixo. Há sim alguma barriga, mas que é amenizada pelas explicações finais. O terço derradeiro resolve essas questões, mas, a despeito de entregar momentos belos, cai em um certo pieguismo e uma enorme previsibilidade.

Sem Fôlego

A deficiência dos personagens tornam a aventura peculiar. Os perigos vem e a comunicação precisa ser adaptada. Por vezes o longa se utiliza de linguagem de sinais, textos escritos e leitura labial para passar uma mensagem, em outros não é preciso dizer nada e a emoção aparece de outras maneiras.

Atrizes consagradas como Julianne Moore e  Michelle Williams são coadjuvantes da dupla infantil. Dupla que está bem, nada excelente, porém não tiram qualquer nota do filme. O ator que faz o Ben, Oakes Fegley, cresce muito na interação com Jaden Michael, que faz o Jamie, sendo o melhor momento de Sem Fôlego. Parceria que Millicent Simmonds não tem.

O título no Brasil acaba sendo uma ironia, já que falta fôlego para manter o ritmo. A edição é primorosa em alguns momentos, contudo em outros estica além da conta. Sem Fôlego traz os dramas do núcleo infantil para a linha de frente. Em algum momento se deixa levar e acaba infantilizando demais, no entanto, ainda é um foco adulto para aquelas relações.

O todo é doce, mas devido a um caminho tortuoso o resultado, digamos, fica apenas no agridoce. Não chega a ser amargo, tecnicamente passa longe disso aliás, mas….

Nota do Razão de Aspecto

 

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