Pokémon: Detetive Pikachu (2019) – Crítica
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Pokémon: Detetive Pikachu. Reza a lenda que os filmes baseados em jogos de vídeo-game são amaldiçoados, porque nenhuma adaptação de jogos para as telas de cinema resultou, até hoje, em um grande filme. Trata-se de um exagero, mas que, como tudo que se exagera, tem um fundo de verdade. Felizmente, Pokémon: Detetive Pikachu, se não desfaz completamente essa maldição, ao menos a desafia e a mitiga com um filme muito eficiente e divertido.

Pokémon: Detetive Pikachu não é nenhum primor de filme. Em termos de roteiro, tem uma história muito simples e previsível. Em poucos minutos, o espectador atento terá desvendado o mistério e ligado todas as pontas que levarão ao desfecho. O roteiro foi escrito, propositalmente, ao que parece, voltado ao público infantil, mas sem camadas para envolver mais profundamente o público adulto. Para este público, o envolvimento depende do sentimento de nostalgia e do interesse no desenvolvimento do universo Pokémon.

O desenvolvimento do roteiro é, sem a menor sombra de dúvidas, o ponto mais forte de Pokémon: Detetive Pikachu. Visualmente, a cidade onde os Pokémons e os seres humanos vivem e convivem tem um design de produção futurista, mas contemporâno, e muito verossímil, ainda que aceite o universo de fantasia integrado àquela realidade. Em alguns momentos, parece que estamos vendo uma versão diurna de Blade Runner ou que estamos no universo de A Vigilante do Amanhã.

O efeito visual dos Pokémons tem certa artificialidade proposital, reforçada pelos contornos desfocados daqueles seres, o que os destaca do ambiente de fundo e cria uma divertida sensação de trimendionalidade, mesmo que você não veja o filme em 3D. Além disso, o design dos diferentes Pokémons é bastante fiel àquilo que conhecemos dos jogos e dos animes, e não faltam easter eggs para os fãs. No geral, Pokémon: Detetive Pikachu lembra bastante a atmosfera de Uma Cilada Para Roger Rabbit.

As atuações estão funcionais, apoiadas pelo bom senso de humor do roteiro. Ryan Reynolds funciona perfeitamente como o nosso Pikachu –por alguma razão, não deixei de relacionar a sua ataução em Deadpool, também cômica, mas em outro tom -, enquanto Justice Smith está funcional no papel do filho em busca do pais. Os demais atores entregam personagens mais caricatos e estereotipados, mais por proposta do roteiro do que por falta de talento.  A direção, por sua vez, foi eficiente, especialmente na cena de luta de Pokémons, embora esta não seja a ênfase dessa história.

Pokémon: Detetive Pikachu é um filme noir cômico, despretensioso, leve e eficiente e abrirá as portas para o início de uma nova franquia e para a ampliação o universo Pokémon no cinema, para o deleite dos fãs.

Nota do Razão de Aspecto

 

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