Paterson (2016) – O Cotidiano em forma de arte – Crítica
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Paterson é daqueles filmes que “erram” em vários elementos. Mas quando esse “erro” é proposital, o nome disso é subverter. Se o resultado for positivo temos uma grande obra. Felizmente é o caso aqui.

Paterson conta a história do personagem título, interpretado por Adam Driver (Star Wars, Silêncio). Ele é um pacato motorista de ônibus que no tempo livre escreve poesias das coisas mais banais – como caixas de fósforos.

Um pedaço da magia está naqueles dois elementos: o contraste entre uma certa brutalidade em dirigir um ônibus e a sutileza de poesias e essas poesias serem sobre observações tão cotidianas que se tornam complexas de tão simples.

Outro ponto que encanta é a estrutura cíclica do longa. Paterson se passa ao longo de uma semana, com a devida marcação temporal em tela. Vemos exaustivamente elementos repetitivos da rotina de Paterson e da companheira, desde eles acordando, passando pelo trabalho e até os passeios com o cachorro. O diálogo com a poesia e a relação dialética, onde um modifica o outro, é belo.

Driver tem um dos melhores trabalhos da carreira exatamente pela dificuldade em estabelecer o tom contido que o personagem exigia. Tom esse plenamente atingindo pelo ator. Os pequenos picos, onde a rotina é quebrada, também são entregues com excelência.

Paterson é o nome da cidade onde se passa a história. A exploração do espaço urbano poderia ter sido feita de maneira mais contundente, para reforçar a metáfora com o personagem. Poderia carregar demais o filme, mas ainda assim, creio que valeria o risco.

O forte mesmo é a sutileza e a simetria (às vezes torta) empregada pelo diretor  Jim Jarmusch. O controle que ele tem do texto e das situações é admirável. Ele desenrola tudo no tempo certo, o que pode irritar o público menos cativo deste tipo de cinema. Mas de fato ter uns 10 minutos a menos aqui poderia ajudar.

Cada encontro do protagonista com algum outro personagem cria uma sensação estranha. Os arcos por vez não se concluem – o que entra naquele “erro” que mencionei no começo. E ele sabe ser um bom ouvinte e também ativo quando necessário. Destaque para o diálogo com a jovem poeta e como ele a admira.

Paterson é hipnotizante ao ser um belo retrato de um cotidiano artístico. Um curioso meio termo entre a verborragia de um O Cidadão Ilustre e de um apelo à narrativa de um Comeback (dois filmes também em cartaz).

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Paterson

20161 h 53 min
Overview

Paterson é motorista de autocarro na cidade de Paterson, New Jersey – ele e a cidade partilham o mesmo nome. Todos os dias Paterson segue a mesma rotina: percorre a rota diária, observando a cidade à medida que a vê passar pelo espelho retrovisor, e ouve fragmentos das conversas em redor. Escreve poemas num caderno, passeia Marvin, um buldogue inglês, e vai para casa ter com a sua mulher, Laura. Por outro lado, o mundo de Laura está sempre em mudança, com novos sonhos a cada dia. Paterson ama Laura e ela ama-o também. Ele apoia os projectos de Laura, ela impulsiona o talento de Paterson para a poesia. O filme examina os triunfos e derrotas do quotidiano, juntamente com a poesia que se encontra nos mais pequenos detalhes.

Metadata
Director Jim Jarmusch
Writer Jim Jarmusch
Author
Runtime 1 h 53 min
Release Date 17 novembro 2016

Nota do Razão de Aspecto

 

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