Os Órfãos (The Turning, 2020) – Crítica
Os Órfãos

Os Órfãos é terceira adaptação do livro A Volta do Parafuso, de Henry James. Eu não darei spoiler do filme, mas no último parágrafo deste texto terei que falar do final do filme… então lá chegando eu aviso para os que não quiserem ter a experiência estragada. Sim, comecei a crítica de forma não tradicional, pois realmente foi bastante desagradável ver a opção da diretora Floria Sigismondi e da dupla de roteiristas Carey W. Hayes e Chad Hayes para o desfecho.

Acompanhamos Kate (Mackenzie Davis) que acabou de ser contratada para ser babá de Flora (Brooklynn Prince, ela fez o terrível, mas aclamado, Projeto Flórida, e não gostei dela lá e tampouco aqui). Contudo, a nova funcionária não contava com uma criança a mais na casa, o irmão de Flora, Miles (Finn Wolfhard, o Mike de Stranger Things, que está bem aqui) e alguns conflitos, sobrenaturais ou não começam a eclodir. Os Órfãos tem todos os clichês de um filme de terror: uma casa isolada e gigantesca (com toda sorte de artifícios: espelhos, alas proibidas, objetos velhos e feiosos), personagens exóticos, crianças, sustos bobos e uma história misteriosa circundando aquela família/ambiente.

Os Órfãos

E em maior ou menor grau esses clichês estavam até certinhos na composição do filme. Dificilmente alguém ficaria com medo, mas havia uma tentativa de criar alguma coisa, mesmo que apenas replicando o que já vimos tantas e tantas vezes. Um jumpscare aqui, outro acolá, bem menos que a bomba do ano: A Possessão de Mary. O longa tenta brincar com alguma sugestão e pistas falsas para colocar a protagonista (e o público) em alerta pela situação de tensão. Mas no geral é tudo bem raso mesmo.

Há uma ou outra ideia, intencional ou não, que vale nota: não há uma exposição temporal – mas sabemos que o filme se passa em 1994 por conta da morte do Kurt Cobain citado no começo e aos objetos não tão atuais, principalmente o carro e o telefone. O sobretudo vermelho de Kate se destaca naquela palheta mais fria, mostrando como ela era um objeto estranho ali, mas aos poucos essa cor da roupa também dessatura, mas não totalmente. Ou seja, há um indicativo de alguma integração. E a todo momento há uma sensação esquisita de que algo está fora do lugar.

Enfim, Os Órfãos seria esquecível, bobo, clichê, batido, mas de forma alguma horrível. Há até uma boa energia no ato final. Uma nota 2 e com boa vontade 2,5 de 5 seria viável. Contudo….

A PARTIR DAQUI, APÓS A FOTO O TEXTO CONTERÁ SPOILERS DO QUE ACONTECE NA CENA FINAL SIGA SOMENTE SE NÃO SE IMPORTAR DE SABER O DESFECHO

Os Órfãos

….contudo… o filme acaba. Sim, é isso. Ele acaba do nada.

Cogitei encerrar o texto ali, para emular o que o filme faz, mas acho que vale a explicação…. Há uma sugestão de paranoia da protagonista, já que a mãe é doente mental (ou será que ela própria é a mãe?), mas puf, basicamente não tem final. Eu odeio exposições e acho ótimo finais abertos, contudo o que há aqui é covardia apenas. E tal decisão destrói qualquer boa vontade com o filme. Muito provavelmente você saiu/sairá indignado se sentindo enganado e feito de trouxa. O crítico Dalenogare definiu de forma precisa: “a estrutura de começo, meio e fim (…) é modificada para começo, meio e créditos finais”

 

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Os Órfãos

20201 h 39 min
Overview

Kate (Mackenzie Davis) é uma jovem professora é contratada para trabalhar como governanta na mansão de um homem rico. Na casa, localizada em Essex, nos arredores de Londres, vivem também Flora (Brooklyn Prince) e Miles (Finn Wolfhard), sobrinhos órfãos de seu patrão. No entanto, ela logo percebe que no local existem outros moradores, não necessariamente vivos.

Metadata
Writer
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Runtime 1 h 39 min
Country
Release Date 23 janeiro 2020

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