O Melhor Verão das Nossas Vidas (2020) – Crítica
O Melhor Verão das Nossas Vidas

O Melhor Verão das Nossas Vidas é o segundo filme nacional do ano (o primeiro foi o compilado da série A Divisão que triste começo, eim…). Direção de estreia de Adolpho Knauth recheado com um elenco adolescente (que não conheço de trabalhos anteriores) e dois nomes mais famosos: Marvio Lúcio (que ficou conhecido como o Carioca do Pânico e por boas imitações) e Maurício Meirelles (faz standup, tem um quadro chamado Webbullying e um canal de quase 4 milhões de inscritos).

O longa nada mais é que um trio de meninas que quer participar de um festival de música, mas que terão que se unir com o nerd da sala para elaborar um plano para enganar os pais, já que elas não estão bem na escola. Ele já começa no final do filme e expondo que tudo deu certo. Pra que o spoiler? E temos um gigante flashback que acaba sendo a linha principal da história. Essa é uma artimanha cretina para dar uma noção de que o final (onde a cena é retomada) encerra um ciclo.

De início temos muito do que veremos a seguir naquelas 1h40: atuações terríveis, uma montagem ágil (talvez para tentar disfarçar essas atuações, mas que só acaba evidenciando uma direção frouxa), um pouco de linguagem de internet e, parafraseando o título do filme, o pior clichê das nossas vidas: a dinâmica rala no colégio, nerd de óculos, um festival para ter desculpas de colocar canções, pais estúpidos…

A parte musical aliás segue a toada dos filme do gênero que geralmente colocam um tratamento vocal e a vozes são postas na pós-produção, dando um ar bem falso. Aqui para agravar o problema era perceptível a falta de sincronia. E em vários momentos, de forma a preencher o vazio narrativo, O Melhor Verão das Nossas Vidas apela para o recurso musical, diegético ou não.

O Melhor Verão das Nossas Vidas

Os relacionamentos amorosos são jogados e apressados (ok, que dá para dar a desculpa que adolescentes são assim), mas os personagens são extremamente rasos. Vide a antagonista que força conversar com ela mesma (ou seja, conversar com o público) para mostrar o que está pensando. Pois o filme é incapaz de mostrar isso sem ser com diálogos expositivos.

O mote da história é de um absurdo tolo, o desenvolvimento é banal e a resolução é ainda pior. Todos os diálogos soam artificiais e lamento, mas praticamente todos do elenco não demonstram nuances dramáticas para o que o filme exige (que já é algo que beira o mínimo), tomara que em outros trabalhos eles possam ter uma melhor sorte. O arco com a pousada é descartável e até mesmo o arco escolar, por que não começar logo com a ida ao festival e tentar lá desenvolver alguma coisa… bem porque parece que não havia nada a ser desenvolvido mesmo…

Tenho dúvidas se agradará até ao público-alvo. É um sub-malhação, será que os jovens são facilmente enganáveis ainda? Crianças e adolescentes não precisam ser tratados como imbecis. Vide filmes como histórias assustadoras para contar no escuro, Conta Comigo e até E.T. (sim, a comparação foi pesada, mas é apenas para mostrar que foco infanto-juvenil não é desculpa para um filme ruim). O único elogio possível em O Melhor Verão das Nossas Vidas é que ele não é o pior filme do mês. Tal feito ainda pertence ao terrível A Possessão de Mary.

Confira as nossas outras críticas dos lançamentos de 2020 no Brasil:

Frozen 2
O Caso Richard Jewell
O Farol
Ameaça Profunda
Adoráveis Mulheres
Kursk – A Última Missão
Retrato de uma Jovem em Chamas
Os Miseráveis
O Escândalo
Um Espião Animal
1917
A Divisão
A Possessão de Mary

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O Melhor Verão das Nossas Vidas

Nota do Razão de Aspecto

 

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