O Dia do Atentado (Patriots Day, 2016) – Crítica

O Atentado à Maratona de Boston em 2013 deixou inúmeros feridos e alguns mortos. 4 anos mais tarde chega às telonas o longa que trata daquele fatídico dia e de como o povo local lidou com o ocorrido. Não vejo, a priori, problema da indústria do cinema usar tragédias para lucrar. Existia sim potencial dramático para conduzir o público, passar uma mensagem e até informar, através da ficção, sobre o fato.

O Diretor de O Dia do Atentado, Peter Berg, aliás, teve como longa anterior o também filme-desastre Horizonte Profundo: Desastre no Golfo. A semelhança não é só temática. O trocadilho de destrate de filme é pertinente. O maniqueísmo que vemos nas frases do poster “o bem contra o mal” e “o amor contra o ódio”, dão o tom aqui.

O título original carrega mais camadas de significado que a versão nacional. Todo o contexto histórico do Dia do Patriota, um feriado em comemoração ao início da revolução americana contra o domínio inglês, dá ao atentado uma dor a mais. Isso poderia justificar a pegada ufanista da obra, algo que se perde em partes para o grande público dos outros países.

Típico filme para “americano ver”, as tintas são pesadas no melodrama, em especial da trilha – chorosa e constante. Muitos arcos irrelevantes são postos em tela na tentativa de criar vínculos emocionais, mas que narrativamente são irrelevantes.

A trama acontece pré, durante e pós- atentado. Vemos no começo o dia a dia de pessoas que irão se envolver de alguma forma. A montagem torna as sequências lentas, o que dificulta o longa de engrenar. A ação em si é muito mal filmada, sejam as explosões, seja a patética cena de perseguição no bairro residencial, onde a movimentação dos policiais não faz sentido algum. O final é totalmente piegas e mais preocupado com a mensagem do que com o filme em si.

Berg falha também no uso do estrelar elenco. Ter nomes como John Goodman, J.K. Simmons eKevin Bacon e não aproveitá-los é quase criminoso. Novamente a montagem, aqui junto com o roteiro, desnivela o tempo de cada um e os tornam em boa parte de O Dia do Atentado quase figurantes de luxo. A longa duração, mais de duas horas, é portanto injustificada.

Enquanto isso, o protagonista Mark Wahlberg (que retoma a dupla com o diretor) não tem carisma. As dores, físicas e psicológicas, do personagem são rasas – e não tenho dúvidas que Tommy Saunders, que ele interpreta, tinha mais a entregar.

Quando comparamos O Dia do Atentado com Sully, dirigindo pelo também nacionalista Clint Eastwood, vemos que Sully apresenta um filme sobre uma tragédia recente de uma maneira muito mais cinematográfica. Ou então Até o Último Homem, com o mini documentário ao final sendo muito mais relevante do que o desfecho aqui.

Not rated yet!

Patriots Day - Unidos Por Boston

A verdadeira história da maior caça ao homem do mundo

20162 h 13 min
Overview

Um relato das medidas de segurança implicadas na organização da Maratona de Boston, centrado-se nas acções do Comissário da Polícia local, nos dias que antecederam o evento, e depois nas reacções à tragédia provocada pelo ataque terrorista de 15 de Abril de 2013 e na subsequente "caça ao homem" que as mesmas desencadearam.

Metadata
Director Peter Berg
Writer
Author
Runtime 2 h 13 min
Release Date 12 dezembro 2016

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 0    Média: 0/5]