O Castelo de Vidro (The Glass Castle, 2017) – Crítica

O Castelo de Vidro chega aos cinemas após grande sucesso literário. A narrativa autobiográfica de Jeannette Walls tem potencial para ter uma boa recepção também nas telonas. A trama gira em torno da conturbada família de Jeannette. Desde a infância até vida adulta dela, em ambas, tendo como mote uma relação inquieta com o pai.

Temos, portanto, um drama familiar. Infelizmente, familiar também são as resoluções, mesmo para quem não leu o livro. Parte dessa previsibilidade se dá pela montagem se ancorar em flashbacks e pelo tom que resvala no melodrama. Ainda assim, graças aos personagens e as atuações, não há perda de carisma e o público poderá ser cativado.

O pai (Woody Harrelson) lembra o que vimos na figura paternal de Capitão Fantástico. Um homem que rejeita o sistema de vida mais urbano e tem métodos bem peculiares para criar os filhos. Em um dado momento, por exemplo, ele praticamente afoga a filha para ensiná-la a nadar. Esse viés mais natural e autodidata pode gerar debates interessantes sobre a criação dos filhos. Pais poderão aceitar ou rejeitar tais práticas, como aconteceu no longa protagonizado por Viggo Mortensen.

A força do filme se dá muito pela personagem central, mesmo ainda criança, questionar aqueles atos, porém sem nunca deixar de ter afeto. Esse sentimento dúbio – que reverbera na fase adulta – dá uma camada adicional. Mesmo que dentro de uma curva esperada, a personagem tem evolução e não vemos caracteres monotônicos, como é praxe em muitos filmes do gênero.

Se as comparações com Capitão Fantástico são inevitáveis, outro longa recente também vem à mente: Pais e Filhas (2016). Nos dois vemos a narrativa entrecortada por ela mesmo, o já citado ar meloso e quase piegas, pais problemáticos e filhas tentando se afirmar. E temos nas atuações um momento de elevação. Se lá, Russell Crowe aparece de modo visceral, aqui Harrelson não fica atrás. Depois da presença marcante no último Planeta dos Macacos, o ator dá um peso a um homem cheio de convicções e que sofre um auto-boicote. Não é exagero cogitá-lo para indicações em ator coadjuvante.

Já Brie Larson (que divide a personagem com Ella Anderson e Chandler Head) faz outro excelente trabalho. A atriz vem de um Oscar pelo papel materno em O Quarto de Jack. Agora ela inverte o polo e faz uma filha com vigor. Uma mulher decidida e até certo ponto autônoma, mas presa a um passado ainda muito presente. Toda vez que ela está em cena, O Castelo de Vidro ganha em tensão e carga dramática. Muitos apontam Jennifer Lawrence como a atriz daquela geração, contudo Larson vem demonstrando um talento igual ou maior que a contemporânea. Vamos ficar de olho em como ela vai se sair como Capitã Marvel.

O Castelo de Vidro está pra o drama familiar como Annabelle 2 está para o terror. Vemos uma estrutura que sabe usar os clichês do gênero e cumpre bem o que se propõe.

PS: há cenas com os personagens reais durante os créditos finais, então vale ficar mais um pouco na sala.

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The Glass Castle

Overview

Baseado no livro Castelo de Vidro, da jornalista Jeanette Walls, a trama retrata a infância de Walls, criada com os irmãos no seio de uma família desequilibrada, bastante pobre e nômade.

Metadata
Director Destin Cretton
Writer Destin Cretton, Andrew Lanham
Author
Runtime
Release Date 10 agosto 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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