Nosferatu (1922) – Drácula no cinema – Parte 2
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Nosferatu: Uma sinfonia de horror é o mais antigo filme ainda disponível baseado na obra de Bram Stoker, e por isto o primeiro filme a ser analisado em nossa série de textos sobre o conde mais famoso do cinema.  Dois filmes anteriores foram feitos, mas ambos tiveram todas as cópias perdidas. Apesar de não ser o primeiro a representar Drácula nas telas prateadas, Nosferatu foi o primeiro grande sucesso do vampiro no cinema. E continua um dos melhores filmes já feitos sobre o personagem.

Não fosse o sucesso retumbante, provavelmente Nosferatu não teria sobrevivido. Isto por que a produtora Prana Film, não obteve os direitos autoriais junto a família de Bram Stoker. Mesmo alterando os nomes de todos os personagens e o local onde a estória ocorre, isto não evitou o processo por direitos autorais. Após ganhar o processo, a família do escritor determinou que todas as cópias de Nosferatu fossem destruídas. Mas como uma cópia do filme já havia sido distribuída ao redor do mundo, foi impossível executar a sentença. Apesar disto o resultado final do processo foi a falência da Prana Film. Nosferatu foi o primeiro e último filme do estúdio.

Estamos falando de uma das principais obras do Expressionismo Alemão, um movimento cinematográfico das décadas de 1910-20 marcado pela crítica ao racionalismo moderno e a Revolução Industrial. Influenciado pelas obras de  Nietzsche e Freud, o expressionismo usa da fantasia, do forte contraste entre luz e sombras, e de estórias repletas de elementos voltados ao subconsciente para ultrapassar os limites da realidade e nos levar a uma arte psicológica e emotiva. O gênero do horror foi muito presente no movimento. Além de Nosferatu podemos citar O Gabinete do Dr. Caligari (1919), O Golem (1915) e Metrópolis (1927) como exemplos de obras de terror expressionistas.

Mesmo sendo um filme mudo, Nosferatu ainda goza de grande popularidade e longevidade. Um dos exemplos disto é o fato de que a obra inspirou dois filmes modernos de sucesso tanto de público como de crítica. Nosferatu – O vampiro da noite é uma refilmagem de 1979 dirigida por Werner Herzog. E A sombra do vampiro é um filme de 2000 que narra uma versão bastante fantasiosa sobre como teria sido a filmagem de Nosferatu: Uma sinfonia de horror.

A fotografia do filme é magistral. Em especial o uso das sombras como elemento narrativo.  Vale destacar as filmagens realizadas em locações na Transilvânia, o que dá mais realismo ao filme. A maquiagem é outro grande destaque. A figura do Conde Orlok (nome dado a Drácula nesta obra) é uma das mais marcantes da história do cinema. Aqui temos um vampiro ao estilo do livro de Stoker. Um ser de aparência pavorosa.

A figura esquelética de Max Schreck, a maquiagem que tornou o ator em uma espécie de homem morcego e a interpretação pavorosa do ator nos garante que não esqueceremos de Orlok. Destacamos também os efeitos especiais que, para a época, são soberbos. Claro, um século de desenvolvimento tecnológico faz com que hoje eles pareçam bem menos impressionantes, mas ainda geram um impacto misto. Ainda são arrepiantes, mas ao mesmo tempo nos levam a um riso involuntário pelo anacronismo.

Em termos de adaptação o filme segue a estrutura central da narrativa do livro, mas há algumas junções de personagens e simplificações da trama. E um acréscimo sensacional, vinculando o vampiro com a peste.

Nosferatu é um dos poucos filmes mudos ainda capazes de gerar sensação na platéia de hoje, indo além do mero valor histórico. Um grande exemplo de como o poder de Drácula atravessa os séculos.

Se você perdeu a primeira parte desta série, não deixe de conferir nossa análise do livro de Bran Stoker.

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Nosferatu

Uma sinfonia de horror

19221 h 34 min
Overview

Hutter (Gustav von Wangenheim), um agente imobiliário, viaja até aos Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico Conde Orlock (Max Schreck), que na verdade é um vampiro que se muda para Bremen, espalhando o terror na região. Curiosamente, quem pode reverter esta situação é Ellen (Greta Schröder), a esposa de Hutter, pois Orlock está atraído por ela.

Metadata
Director F.W. Murnau
Writer
Author
Runtime 1 h 34 min
Country  Germany
Release Date 15 março 1922

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