Lizzie (Lizzie, 2018) – Crítica do Razão de Aspecto

Em 4 de agosto de 1892, a população da cidade de Fall River, em Massachusetts se chocou com o brutal assassinato do empresário Andrew Jackson Borden e de sua esposa Abby Durfee Gray. Além da violência do ato – o casal foi morto a machadadas -, o caso ganhou ares ainda mais dramáticos porque a principal suspeita era a filha do empresário, Lizzie. Para quem não conhece o desfecho da investigação sobre o crime, eu paro a contextualização por aqui. O que interessa para nós é que essa história ganhou fama, atravessou o passar do tempo e foi transformada no filme Lizzie, estrelado por Chloë Sevigny e Kristen Stewart.

A narrativa do filme se inicia quando os corpos são descobertos, e, a partir daí, trabalha com flashbacks para contar a turbulenta relação entre Lizzie e seu pai Andrew, interpretado por Jamey Sheridan (de Spotlight): após a morte da mãe de Lizzie, Andrew casou-se novamente com Abby. Lizzie e sua irmã mais velha, Emma (Kim Dickens), já passaram dos trinta anos e, no entendimento da época, não tem mais a atratividade necessária para atrair casamentos vantajosos. Preocupado com a administração de seu patrimônio após sua morte, Andrew pede a John Morse (Denis O´Hara), seu ex-cunhado, para ficar responsável por isso. Em meio a essa família apenas semi-funcional, chega para trabalhar na casa a criada Bridget (Kristen Stewart), chamada de “Maggie”, como um apelido genérico para as criadas vindas da Irlanda. Logo ela e Lizzie tornam-se confidentes.

Escrito por Bryce Kass, em seu primeiro trabalho para o cinema, e dirigido por Craig William Macneill (em seu segundo trabalho), o filme incorpora vários fatos e teorias associadas ao assassinato – entre elas a de que teria havido um envolvimento que extrapolou a amizade entre Lizzie e Bridget, o que teria sido um dos catalizadores do crime. Na parte visual, os realizadores conseguem apresentar uma casa que de fato parece pouco aconchegante, escura e sem maiores confortos. Mesmo o pequeno depósito que se torna refúgio das protagonistas é rústico e faz um contraponto apenas suave com a aridez da casa principal.

Embora não chegue a ser um filme ruim, Lizzie não consegue chegar a empolgar. A opção pela narrativa temporalmente fragmentada não consegue produzir uma obra especialmente tensa ou estabelecer um crescendo de suspense que um filme sobre um assassinato brutal mereceria. Outro problema é a própria personagem principal: apesar do bom trabalho de Chloë Sevigny, sua Lizzie Borden não é um personagem que angaria com facilidade a empatia do público. Embora esteja em uma posição social limitadora e sofra com as atitudes duras do pai, Lizzie está longe de ser uma pessoa agradável. A ponte ideal entre o público e a história poderia ser a personagem Bridget, algo perdida em meio entre o afeto pela amiga, os abusos por parte do patrão. O problema é que aí falta atriz: Stewart melhorou desde os tempos de Crepúsculo, mas resta ainda um  jeito blasé-sonso de atuar. Com isso, ainda que seja mais fácil se compadecer por sua personagem, falta carisma.

Há um paradoxo em Lizzie: os realizadores não têm pudores em mostrar o resultado gráfico da violência envolvida nos assassinatos, nem a nudez das atrizes principais. Entretanto, em termos de emoções provocadas e envolvimento do público com a trama, tudo resulta algo morno. Prefira assistir à série The Lizzie Borden Chronicles, baseada no mesmo caso, estrelada por Christina Ricci e bem melhor do que o filme.

 

por D.G.Ducci

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A Vingança de Lizzie Borden

20181 h 46 min
Overview

Mulher solteira com 32 anos e socialmente inadaptada, Lizzie leva uma vida claustrofóbica sob o jugo frio e dominador do pai. Quando Bridget Sullivan, uma jovem empregada, vem trabalhar para a família, Lizze encontra nela uma alma gémea e compreensiva, bem como uma oportunidade de intimidade que se transforma num plano malvado e num desfecho sombrio e perturbador.

Metadata
Director Craig Macneill
Writer Bryce Kass
Author
Runtime 1 h 46 min
Release Date 14 setembro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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