La Vingança (2017) – Crítica

La Vingança usa a rivalidade Argentina x Brasil, mas é muito inconstante.

No imaginário popular, reforçado especialmente pelo futebol, há uma rivalidade entre dois países vizinhos: Argentina e Brasil, isso não é novidade para ninguém. Mesmo que vez ou outra a coisa desande para ofensas racistas, no geral são brincadeiras saudáveis. La Vingança tenta usar esse elemento para construir o mote do longa.

Na obra, contudo, há um agravante: Caco (Felipe Rocha) é traído por Julia (Leandra Leal). O amante da moça, claro, é argentino – sendo mais preciso um sedutor  e famoso chef de cozinha. Para não ver o amigo na fossa e para curtir uma viagem, Vadão (Daniel Furlan) praticamente “sequestra” o amigo. A desculpa é dirigir até a Argentina para, no país vizinho, ficar com mulheres locais como vingança. Sim, é tão bobo e juvenil quanto parece.

Inacreditável que produções com muitos roteiristas em geral deixam a desejar exatamente nesse quesito. Não sei exatamente como foi a divisão do trabalho entre as várias mãos, porém os responsáveis parecem não dar conta de algo criativo. Há um fio condutor, que é mais ou menos respeitado, e alguns diálogos pontuais que funcionam, mas pouco além disso. Encontros convenientes e episódicos são as ferramentas para a historia andar. Uma certa imbecilização dos personagens e situações inverossímeis também tem destaque.

A cena inicial tem uma quebra de expectativa, mas é batida, no recente TOC, também nacional, tal ferramenta é usada de forma mais eficaz. O uso da profissão dos protagonistas (dublês) gera uma gag, porém a repetição fica no limiar da saturação. Por outro lado, eles perdem algumas piadas. Como ponto positivo, há um diálogo na fronteira que quase vale o longa sozinho.

Os atores mesmo com pouco material entregam um bom trabalho. Em especial Felipe Rocha. Ao ser o fracassado, o público tende a se identificar mais e Rocha não deixa a coisa virar para um lado tão caricatural. Já Furlan repete o mesmo tipo de outrora. Diálogos rápidos sobre a vida e teoria bizarras de uma mente torta. Nada diferente do que vimos no já citado TOC e na antiga MTV.

Na parte técnica, a inconstância permanece. A trilha é estridente, recurso cansativo, muito utilizado no gênero. Por vezes aparece como transição para encobrir o vazio narrativo. A fotografia, no entanto, destaca-se em ângulos, cores e em saber explorar a mise en scene. O ritmo, prejudicado por decisões ruins do roteiro, alterna uma edição acelerada com grandes momentos enfadonhos e desnecessários, vide a brincadeira da garrafa.

La Vingança deveria ter explorado mais a rivalidade (a canção decime que se siente, cantada pelos argentinos na Copa de 2014, dá as caras, mas falta outras situações como aquela) e pensado melhor nos arcos do road movie. Tem uma banda que aparece e ocupa um tempo desnecessário para o objetivo geral. Estrer junto com A Bela e a Fera e com outra comédia, o Tinha Que Ser Ele? (que conta com James Franco e Bryan Cranston) fará com que o esquecível La Vingança passe batido…

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La Vingança

2017Duration unknown
Overview

La Vingança

Metadata
Director Fernando Fraiha
Writer Pedro Aguilera, Thiago Dottori
Author
Runtime Duration unknown
Country  Argentina Brazil
Release Date 16 março 2017

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