Judy: Muito Além do Arco-Íris (2019) – Crítica
Judy

Judy, que no Brasil recebeu o desnecessário subtítulo de “Além do Arco-Íris“, conta a história de uma das grandes artistas do começo da indústria: Judy Garland. Para quem não associar o nome a pessoa, trata-se nada menos que a atriz que deu vida à Dorothy em O Mágico de Oz. Infelizmente, a vida dela foi um tanto conturbada, já sofrendo desde o começo da infância (ela esteve na frente das câmeras já aos 2 anos), algo que repercutiu ao longo da vida, como não poderia deixar de ser. O filme Judy (e aqui colocaremos em negrito para diferenciar da personagem biografada) serpenteia estes dois momentos, deixando claro (até demais) essa relação de causa e efeito.

O grande destaque aqui, além de dar mais (e justo) holofote para Garland, é a atuação de Renée Zellweger, a provável vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2020, já que vem ganhando todos os prêmios na temporada. Renée encara as dores, paixões e peso da personagem de maneira exemplar. Como a câmera a busca o tempo inteiro, raras são os momentos sem ela no foco, uma atriz sem esse viço colocaria o projeto a perder. A cabeça perturbada de Judy fez com que a atriz transitasse entre risos, lágrimas, carinho, fragilidade, força (sabe-se lá da onde). E o trabalho vocal é perceptível,  Zellweger de fato canta no filme e a atriz se preparou com muita antecedência nessa área.

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Dirigido por Rupert Goold, de currículo enxuto, e escrito por Tom Edge e Peter Quilter, ambos também com pouca experiência, Judy é um produto que exala esse falta de rodagem. Em diversas cenas há momentos belos, mas que ficam subaproveitados. A cena final, que obviamente não darei spoiler, é o resumo disso. Peca-se ao não saber cortar na hora certa e por duas escolhas que enfraquecem a potencial total do momento. E essa descrição é quase uma metonímia para o todo.

Judy

Não há aprofundamento de qualquer figura para além da protagonista. Pode-se alegar que o foco era ela, contudo, ela parece deslizar no meio de seres quase artificiais e unidimensionais. E o pior: a montagem é mal trabalhada e vários arcos soam abandonados – vide o do casal de fãs. Em outros momentos, peca-se pelo excesso, ao repetir algumas máximas, visual e textualmente.

Há bons momentos, tais como: saber explorar, sem apelar, a música de maior sucesso (estou falando, claro, de Somewhere Over the Rainbow. Tema de O Mágico de Oz), a cena no armário com os filhos, ou ela andando por corredores estreitos ressaltando a opressão que vivia. Contudo, parece que o longa se boicota e não consegue estabelecer uma consistência. Em conversa com o crítico João Carreira do canal Cena Pós-Créditos, destacamos que há um plano sequência promissor, mas que no fim soa apenas como um “olha o que eu sei fazer”.

Judy é trabalhado em duas linhas temporais. Tudo o que acontece na linha passada parece artificial e esquemático demais. Tudo bem que por ser um recorte mais jovial, é possível defender de que a lembrança está turva e picotada. O que era para ser pesado, cinematograficamente ficou tolo e até repetitivo, por basicamente bater em uma tecla só, a do abuso psicológico sofrido. Tudo é muito simplista e parece por vezes um checklist. A emoção é impedida (ou pelo menos dificultada) de vir.

O longa é quase uma versão espelhada de outro da temporada do Oscar que também chegou no Brasil agora em janeiro de 2020: Um Lindo Dia na Vizinhança. Uma ou outra sacada sagaz, um personagem icônico (Judy Garland/Fred Rogers) e um trabalho de atuação notável (Renée Zellweger/Tom Hanks), mas que estão abraçados por filmes medíocres.

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Judy

20191 h 58 min
Overview

Inverno de 1968. Com a carreira em baixa, Judy Garland (Renée Zellweger) aceita estrelar uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Ao chegar ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco.

Metadata
Director Rupert Goold
Writer Peter Quilter
Author
Runtime 1 h 58 min
Country  United Kingdom
Release Date 27 setembro 2019

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