It: Capítulo 2 (2019) – Crítica
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It: Capítulo 2 chegou aos cinemas alimentando muitas expectativas, especialmente depois do estrondoso sucesso de público e crítica do primeiro filme, It: A Coisa (2017). Baseado no romance mais paradigmático do mestre do Terror, Stephen King, esta sequência tinha o grande desafio de adaptar uma obra complexa, em cujas alegorias e cuja crítica social são perenes, para muito além da história de terror. O diretor   Andy Muschietti conseguiu superar relativamente bem alguns desses desafios, enquanto se deixou levar pelo apelo de alguns recursos fáceis proporcionados pelo orçamento significativamente mais alto.

 

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It: Capítulo 2 investe muito mais nos sustos, os famosos jumpscares, do que o seu predecessor. Em tese, essa escolha resultaria em uma obra necessariamente inferior, mas, neste caso, há de se reconhecer que, apesar da previsibilidade narrativa desse recurso, a maioria dos jumpscares, mas não todos, assusta de verdade. Grande parte desse efeito decorre da aparência dos monstros, que são a representação e a personificação dos medos de cada um dos membros do Clube dos Perdedores.  

As criaturas, por sua vez, são um dos pontos fortes, mas, também, um dos principais pontos fracos de It: Capítulo 2. Nos efeitos visuais, fica muito mais evidente a influência do orçamento na execução. Andy Muschietti optou por mostrar, da forma mais explícita possível, a aparência dos monstros, com resultados muito oscilantes: em alguns casos, temos criaturas realmente apavorantes e críveis, em outros, temos algumas criaturas cuja aparência é artificial, resultando mais em riso involuntário do que em susto. Os efeitos visuais de It: Capítulo 2, portanto, deixam a desejar. O terror seria muito mais efetivo se se baseasse na sugestão, no jogo de luz e sombras e no bom uso das imagens de fundo desfocadas, como ocorre em diversas cenas, exatamente quando a narrativa ganha força.

O ponto mais forte de It: Capítulo 2 está, sem nenhuma dúvida, no elenco, a despeito da falta de maior desenvolvimento da história da vida adulta dos membros do Clube dos Perdedores. Não duvidamos de que aqueles adultos são as crianças do primeiro filme por um segundo sequer, não somente pela semelhança física, mas também e principalmente, pela forma como cada um deles incorporou as principais características da personalidade, e mesmo dos trejeitos, dos personagens originais. Destacam-se Jack Gylan Grazer, no papel do hipocondríaco Eddie, James McVoy, como Bill, Jessica Chainstain, como Bev, e Bill Skargard, que incorpora Pennywise com uma verosimilhança assustadora.

No roteiro, It: Capítulo 2 oscila, muito em função da dificuldade da adaptação, que resultou em uma narrativa longa e de ritmo inconstante. O alívio cômico Ritchie (Bill Maher, de Barrye Eddie nem sempre funciona.  Felizmente, as 2h50min de projeção não chegam a pesar, principalmente porque, quando o ritmo parece que vai degringolar, o terceiro ato – no enfrentamento final entre o Clube dos Perdedores e Pennywise – compensa a espera com uma sequência muito bem dirigida, visualmente apavorante, cheia de energia e com atuações acima da média (para os parâmetros de um filme de terror, é claro).

It: Capítulo 2 funciona como filme de terror e resulta em uma adaptação digna da obra de Stephen King, ainda que seja um pouco inferior ao seu predecessor. Se não se aprofunda no debate de várias questões que levanta, pelo menos faz o público se chocar com algumas cenas que  dizem muito sobre a sociedade em que vivemos, embora tenha sido escrito há mais de trinta anos. Somente por essas razões, vale a pena ser visto nos cinemas.

 

 

Nota do Razão de Aspecto

 

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