Homem-aranha: Longe de casa – Crítica
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Uma das dúvidas que eu tinha acerca de Homem-aranha: longe de casa era se o filme do aracnídeo não seria um anti-clímax depois de Vingadores: Ultimato. Afinal depois de derrotarmos Thanos e salvarmos a vida de metade do universo, acompanhar uma estória do herói da vizinhança poderia ser meio decepcionante. Nada disto.  Temos aqui um agradável e empolgante romance colegial, combinado com um vilão bem construído e ameaçador o suficiente para sentirmos que o mundo, ou pelo menos, o mundo de Peter Parker, está realmente em ameaça.

Tudo começa bem já no trailer. Em uma época em que Hollywood desaprendeu a fazer trailers, comumente inserindo spoilers, temos aqui uma agradável exceção. Temos uma espécie de spoiler inverso, onde se cria uma expectativa que será subvertida de modo bem inteligente. Outro detalhe extra-filme curioso é quanto ao personagem Mysterio. ‘Dependendo do quanto você conheça do personagem nos quadrinhos e desenhos-animados, o primeiro ato será bem diferente no que se refere a construção de suspense. Conhecendo o personagem de antemão, temos um início realmente tenso.

O tom de comédia colegial é marcante desde o início do filme. Há uma desconstrução da grande perda que aconteceu em Vingadores: Ultimato que arranca boas risadas. A química entre Tom Holland/Peter Parker e Jacob Batalon/Ned Leeds esta excelente. Junte isto a um aumento do protagonismo de Jon Favreau/Happy Hogan e temos um bom núcleo cômico. Mas a novidade fica pela inserção do romance entre Peter Parker e Zendaya/MJ. Love is in the air, e o grande arco de Peter Parker não é derrotar os vilões, mas sim conciliar o aracnídeo com seu romance juvenil.

O humor funciona em quase todos os aspectos, exceto pelo exagero na caricatura dos professores da turma de Parker. São dois personagens farsescos demais, quando o resto do humor do filme é bem mais elaborado. Esta dissonância chega a perturbar a manutenção da descrença, e quase toda cena com os professores notamos que são personagens em tela, e não pessoas reais. Mas em todo resto a comédia colegial está tão bem montada que conseguimos relevar este inconveniente.

Há um aspecto de Road Movie bem inserido. As mudanças de cenário participa da história, e cada parada da viagem insere novos elementos. A participação de Nick Fury neste aspecto do filme merece seu destaque.

As cenas de ação são um tanto confusas, com excesso de cortes e elementos demais em tela, prejudicando a compreensão e fruição dos combates. Nada em nível Michael Bay, mas mesmo assim os combates são um tanto frenéticos demais. Não fosse pela excelente caracterização de Jake Gyllenhaal/Mysterio, as cenas se tornariam cansativas. Quanto ao impacto dramático de Mysterio, digamos que a influência dele sobre Peter Parker é marcante, e rica em camadas.

Homem-aranha: longe de casa é mais um filme do MCU, com um certo tom de mais do mesmo. Já vimos a Marvel fazer algumas vezes filmes semelhantes. Mas é muito bem feito, divertido, e eficiente. Não será um marco para o universo compartilhado, mas é um agradável fecho para este ciclo.

E como sempre, permaneça no cinema após os créditos. São duas cenas extras. Vale a espera.

Nota do Razão de Aspecto

 

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