Green Book: O Guia (2018) – 5 Indicações ao Oscar – Crítica

Green Book: O Guia conta a história de um motorista/segurança, o Tony Bocudo (Viggo Mortensen) que é contratado pelo Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um músico em turnê. Alguns agravantes: estamos na década de 60 nos EUA, Tony é um ítalo-americano racista e Don é um negro. Mas como aquele precisa do emprego, então terá que lidar com os próprios preconceitos.

O longa está indicado para o Oscar de Melhor Ator (Viggo Mortensen), Roteiro Original, Montagem, Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e para o prêmio principal. Como podemos observar mais uma vez a Academia coloca o tema racismo em voga, já que 3 dos 8 indicados tem relação (Pantera Negra e Infiltrado na Klan completam a lista). Vale lembrar que em 2018 tivemos Corra!, Três Anúncios para um Crime e Forma da Água. E em 2017 Moonlight e Estrelas Além do Tempo. Isso mostra que a ferida está longe de cicatrizar e faz parte da formação do povo estadunidense. Cinematograficamente falando, uma pena que o melhor destes todos, Ponto Cego, não teve marketing suficiente para estar na lista.

Aqui, contudo, dirigido por Peter Farrelly (que se notabilizou com um viés mais cômico – Eu, eu mesmo e Irene e os dois Debi e Loide) temos uma pegada leve. As situações estão ali, ficamos enojados com elas, mas é tudo abordado de forma mais suave com a verve do humor e o foco na relação entre os personagens principais. A crítica social em Green Book: O Guia tem até vários momentos bem explícitos (alguns até demais, sem sutileza), mas o objetivo aqui não é ficarmos mal com este passado (passado?) nebuloso. O tom é um road movie feel good.

Quando vemos cenas de agressão física a um negro ou troca de olhares de negros em trabalho braçal, enquanto Don está no banco do passageiro de um carro dirigido por um branco ou ainda toda a divisão em restaurantes, hotéis e regras (que inclusive dão título ao filme), obviamente que o assunto machuca mostra como fomos/somos horríveis. No entanto, o ar mais ameno da proposta aquece o coração, a mensagem de aprendizado e esperança tomam conta.

No fim, temos uma abordagem superficial e sem novidades, mas o mérito de Green Book: O Guia está na construção dos personagens, notadamente os dois protagonistas (que para fins de Oscar, Ali foi colocado como coadjuvante).

Repare em como eles são apresentados/desenvolvidos. Bocudo, já pelo apelido, percebemos duas características: o ar falastrão e a fome. Além disso, ele é um homem que fala errado, escreve mal e é um tanto tosco. Ainda assim é respeitado no meio. Já Don não poderia ser mais oposto. Refinado, músico de alto gabarito e educado em grandes escolas, tendo pouca familiaridade com a cultura das ruas. O encontro deles gera um misto de curiosidade, desconfiança e uma quase impossibilidade de amizade. Repare na postura de ambos e no ar superior do músico:

Green Book: O Guia

Não demora muito para vermos que um tem a aprender com o outro e acontecer um estudo de personagem recheado de lições valorosas, tanto no âmbito pessoal, quanto em um nível mais amplo. Por vezes em cenas hilárias como a do frango, em outras em momentos pesados como a da chuva e situações dúbias com a polícia.

A dupla de atores conduz (e por se tratar de um filme que boa parte é na estrada, tal verbo é bem pertinente) o filme e eleva a nota. As indicações são pra lá de justas. Eles ajudam na química daquelas figuras tão distintas. Trazem verdades nos pequenos gestos e na preocupação com eles mesmos e com os que estão ao redor. Alguma caricatura faz parte do jogo. Por outro lado, certas características são tratadas com respeito e de forma mais contida.

Green Book: O Guia foca-se tanto neles que acaba esquecendo os demais. Por exemplo Don toca em um trio e os demais membros só aparecem ocasionalmente. As falas servem como uma ponte para explicar algo ou passar uma lição. O mundo de Tonny é bem estereotipado, talvez com exceção da esposa, todos ali estão para um função bem marcada, geralmente uma piada.

A montagem não faz um bom trabalho. Algumas cenas capitais terminam de maneira abrupta. Em outros momentos há uma sensação de que a coisa estica demais e até soa repetitivo. As duas horas pesam. O início funciona bem mais, tem movimentações ágeis e sentimos um fluir mesmo. Já o arremate é truncado.

O roteiro verbaliza muito do que ele quer passar. Além de dar um caminho um tanto óbvio para o destino dos personagens. Há possibilidade de lágrimas e boas possibilidades de riso, mas novamente o mérito é mais dos atores que do texto em si.

De volta aos méritos, Green Book está fazendo sucesso (e polêmicas externas à parte), pois tem potencial para agradar vários tipos de público. Uma boa pedida para ver no Natal e com a família. Em uma palavra: simpático.

Not rated yet!

Green Book

20182 h 10 min
Overview

Tony Lip (Viggo Mortensen), um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisa de trabalho após sua discoteca, o Copacabana, fechar as portas. Ele conhece um um pianista e quer que Lip faça uma turnê com ele. Enquanto os dois se chocam no início, um vínculo finalmente cresce à medida que eles viajam.

Metadata
Director Peter Farrelly
Writer Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly
Author
Runtime 2 h 10 min
Release Date 16 novembro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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