Emoji: o Filme (The Emoji Movie, 2017)
Framboesa

Emoji: o filme consegue ser pior que a mais baixa das expectativas….confesso que cogitei escrever este texto todo com emojis, porém os simpáticos e funcionais símbolos carregariam mais profundidade e criatividade do que vimos no próprio filme…..

Quando o twitter surgiu muitos reclamaram que o limite de 140 caracteres estaria matando a produção de textos, quem alegava isso deve estar arrancando os cabelos com o “novo” jeito de se comunicar: os emojis. Carinhas felizes, tristes, joinhas e até um cocô sorridente compõem a vasta gama utilizada no dia a dia nas redes sociais. Eles servem para substituir palavras, completar ideias e passar emoções – ou simplesmente para deixar a coisa mais “fofa”. Dada a popularidade dessa ferramenta, um filme com esses protagonistas não é de se espantar.

Por personagens principais entenda: Gene, o Emoji do “Meh” (o selecionado na imagem abaixo), que possui diversas facetas, quando na realidade deveria ter apenas uma – o que gera uma dificuldade em se acertar no emprego cuja função é exclusiva de representar a carinha a qual foi designada. Hi-5, popular outrora (perdendo o posto para o emoji do soquinho), tenta voltar ao posto de favorito. Ou ainda a princesa que recusa o título real e a hacker que deseja sair do mundo do celular e ir para a nuvem.

Praticamente a história se passa dentro do celular, então vemos toda a sorte de aplicativos e referências deste universo. Mas diferente de um Detona Ralph, onde personagens de vídeo-games interagiam, ou de um Divertida Mente, cujo foco são sentimentos, em Emoji: o Filme o que vemos é um fiapo de história. O nível de complexidade é baixo até considerando ser claramente infantil.

Os objetos inanimados, que outrora foram tão bem representados, aqui honram o status de sem vida – sem vida, sem carisma, sem traços marcantes, sem singularidade…. A camada além, tão cara em longas da Pixar, é totalmente inexistente. Pode-se alegar que a proposta não era aquela, o que por si só configura alguma preguiça, mas mesmo ao ter em mente um foco mais modesto, o que vemos é um mar de clichês. Todo o mote de autoaceitação e coisas como “seja você mesmo” está presente.

A analogia com a linguagem pictográfica dos hieroglifos ou a piada com os emoticons (chamados de “velha-guarda”) são um dos poucos momentos mais inspirados. No fundo, o que se apresenta é uma tentativa de empurrar uma mensagem inócua. Muito pouco para justificar um voto de qualidade. Ainda mais quando fica claro que o longa é pouco além de uma propaganda descarada dos principais aplicativos conveniados/patrocinados (por exemplo, ressaltando a segurança do dropbox em uma frase dita explicitamente). Eu penso: se sou uma marca grande vou querer o meu nome vinculado a uma obra de qualidade e não algo feito de qualquer maneira.

E por “de qualquer maneira” entenda um visual extremamente simplório. Não digo errado, não há grandes falhas nesse sentido. Contudo, a animação é muito básica. Os personagens e cenários tem como forte apenas o fato de serem coloridos. Aquela textura mais vívida, que cada vez mais vemos nesse tipo de filme, aqui se faz ausente. Mas sejamos honestos: de todos os problemas de Emoji: o filme este é de longe o menor.

Logo na abertura temos uma narração descritiva para situar o público, quase que um atestado de “não somos capazes de fazer você enxergar aquele universo, precisamos explicar tudo”. Em suma: o velho vício de duvidar da inteligência dos espectadores, principalmente das crianças. E tal problema se perpetua pelos minutos seguintes. Toda ação é mais do que mastigada. Vemos o irritante fenômeno de predizer o que vai se passar. Ao antever, inclusive piadas, tira o fio de esperança e graça que alguém com muito boa vontade poderia ter.

Se a principal característica dos emojis é de encurtar uma mensagem, aqui temos a incrível façanha de multiplicar: a minutagem de 1h20 parece ter o dobro da duração. Isso ocorre, além das falhas de roteiro, por conta do péssimo ritmo. Uma alternância capenga de sequências hiperativas com um arrastar inexplicável dão o tom. A cena da dança, na virada para o terceiro ato, é interminável.

As piadas se atropelam, não têm timming e são pessimamente escritas. A cena do trailer onde o cocô filho pergunta para o cocô pai se ele precisa lavar as mãos dá uma noção do nível do humor. A verve cômica tenta se garantir na identificação secundária. Todo mundo usa aqueles apps, todos já mandaram aqueles emojis.

Parece que os responsáveis pela criação de Emoji: o filme se contentaram com a ideia: vamos fazer um filme com personagens emoji. Falta uma ideia. Eu definir este filme, cuja razão de ser é uma encomenda mal feita, com qualquer emoji seria na realidade uma ofensa para os emojis.

PS: há um curta antes do filme principal. Tão sem inspiração quanto… nele basicamente apoia-se no combo: cachorrão fofo, criança e o drácula da animação Hotel Transilvânia. E Emoji: o filme tem uma cena pós-créditos.

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Emoji: O Filme

2017Duration unknown

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