Creed II (2018) – O mais emocional da série Rocky – Crítica
Posters para "Creed II"

A franquia Rocky teve um despertar da força inesperado no spin-off Creed: Nascido Para Lutar (2015). Dirigido por Ryan Coogler (que dirigiu também o Pantera Negra), o longa tem referências aos filmes anteriores, a maioria delas funcionando de forma natural, mas aponta de modo consistente para o futuro. Falo com tranquilidade: é um dos melhores do universo Balboa, só perde para o 1 e praticamente empatado com ele.

Confira a nossa crítica do filme C reed: Nascido para Lutar

A expectativa para o segundo estava bem alta. Mas a saída de Coogler da direção foi sentida, especialmente nas cenas de luta, naqueles planos-sequências maravilhosos. Steven Caple Jr. (The Land) assumiu os trabalhos e tem uma série de acertos, mas basicamente o mérito é se manter em pé no ringue. Não levou a franquia ao nocaute, sequer sofreu arranhões.

Creed

O mote agora é o filho do rival clássico do Rocky, Ivan Drago, o Viktor Drago, desafiando o filho de Apolo Creed, o nosso protagonista Adonis Creed. Relembrando: Drago pai mata Creed Pai em pleno ringue. Tal momento sequer é um spoiler de Rocky IV, pois ela é revisitada aqui de modo didático (no melhor sentido) para explicar o contexto para aqueles que não viram o filme de 1985.

Para além de uma briga de sobrenomes, há um avanço em relação ao filme-referência. Ivan tem uma relação com Viktor que repercute a derrota e as relações oficiais com a Rússia. Adonis com o peso de vingar o pai e de se firmar como um lutador marcante. Vale a nota, que a franquia tem uma característica: a separação entre antagonista e vilão. Praticamente não temos este segundo tipo (Mr T, talvez?).

Mesmo sendo uma montanha de músculos e tendo cara de mau, há uma humanidade nos Dragos. Uma atitude em especial já entra para o hall das cenas marcantes deste universo. Em outra cena, vemos uma quase quebra de um momento icônico. O olhar deles para dois símbolos da franquia mostra o tanto de peso que tem ali e já sabemos que não estamos diante de um adversário qualquer.

Creed

Sylvester Stallone já abre o filme de maneira Rocky. Um discurso daqueles e os mais sensíveis (eu inclusive) irão chorar. Repudio frases de auto-ajuda, mas ele e o Meste Yoda de Star Wars estão liberados para fazer os discursos que quiserem. Por diversas vezes, o roteiro (que tem a mão do próprio Stallone) poderia enveredar para um melodrama, mas se esquiva com sabedoria, vide as doenças.
A presença dele tem um peso gigante. Para o filme, para o Creed Jr., para os demais personagens e para o público. É um respeito à história já fundida de ator/personagem.

Bianca (Tessa Thompson), namorada de Adonis, tem um arco mais variado neste filme em relação ao Creed: Nascido Para Lutar. Eu já tinha gostado dela lá, mas aqui foi a personagem que mais cresceu. Além de ter mais espaço para mostrar a que veio e trabalhar os dramas próprios. Serve como elo entre outros personagens. É claro o carinho que o roteiro tem com ela, já na primeira cena dela percebemos que não é só uma sombra. Em outros momentos rende humor, detalhes inéditos na franquia, a potência vocal, e quase clama por um spin-off do spin-off.

Já o nosso herói tem momentos cheios de altos e baixos (intencionais). Algo que é a causa e consequência do resultado das lutas, em uma relação dialética da vida com o ringue. A combinação de luz e sombra, de em um momento sair de uma e entrar na outra, da personalidade, do foco e principalmente de ser ele mesmo (olha a auto-ajuda aqui novamente) o colocam como uma figura consolidada e que sustenta outros episódios da série.

O começo, apesar de render alguns bons momentos, é um tanto atropelado. A transição de uma luta para a outra é feita de modo esquisito, não sentimos o passar do tempo. Esse acelerar gera uma inevitável queda de ritmo no segundo ato – queda essa inexistente por si, mas só perceptível em comparação. Um outro momento poderíamos ter algum aprofundamento maior – a personagem Mary Anne (mãe do Adonis) continua com um papel pequeno, mesmo que desta vez tendo uma das melhores frases do filme.

Ao falar de Rocky/Creed como não falar das cenas de treino? Aqui temos dois momentos marcantes. Um que é um assombro físico por parte de Viktor Drago (não teve efeito especial ali?). E a segunda nos colocar em um cenário curioso e com um ritmo de treino massacrante. A trilha, também algo fundamental, aparece de forma a nos deliciar e fazer a gente querer lutar junto.

As lutas como já mencionei, perdem em relação ao filme anterior. Aqui é mais cru, só brutalidade. No primeiro tem os plano-sequências que são cinematograficamente mais nobres. O que salva é o vigor de Drago e a garra de Adonis. A movimentação no ringue não tem aquela fluidez e criatividade visual. Contudo, o pré-luta (especialmente a última) e como elas são resolvidas têm sacadas bem inteligentes. Tais momentos são basilares para a pergunta : “o que é ser campeão?” E sob o guarda-chuva de uma maior: “para que lutar?”.

As respostas vocês terão em Creed II. Emocionalmente o que mais me fez chorar.

 

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Creed II

Há mais a perder do que um título

20182 h 10 min
Overview

Adonis Creed (Michael B. Jordan) saiu mais forte do que nunca de sua luta contra 'Pretty' Ricky Conlan (Tony Bellew), e segue sua trajetória rumo ao campeonato mundial de boxe, contra toda a desconfiança que acompanha a sombra de seu pai e com o apoio de Rocky (Sylvester Stallone). Sua próxima luta não será tão simples, ele precisa enfrentar um adversário que possui uma forte ligação com o passado de sua família, o que torna tudo ainda mais complexo.

Metadata
Director Steven Caple Jr.
Writer
Author
Runtime 2 h 10 min
Release Date 21 novembro 2018

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