Coringa (Joker, 2019)- Crítica
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Coringa.  A história de origem do inimigo número um de Batman não  poderia ser medíocre. O risco era grande, e as possibilidades de tomar rumos equivocados e fracassar eram significativas. Por outro lado, acertar no tom e na abordagem poderia resultar em um filme de marcar época – e a produção acertou em cheio.

Todd Phillips tem controle total da direção de Coringa, ao desenvolver um suspense/terror psicológico violento, com camadas profundas de crítica social e com o tom sombrio inerente ao universo da DC. Ao apostar na abordagem realista, Phillips cria a atmosfera de caos social, sujeira e loucura que remete a obras-primas como Taxi Drivere oRei da Comédia, ambos de Scorcese, além de lembrar, em certos trechos, um pouco da atmosfera de Rede de IntrigasPara um diretor conhecido pelas comédias cuja principal obra no currículo, até então, era Se beber, Não Case, Todd Phillips surpreende para muito além de qualquer expectativa.

 

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Tecnicamente, Coringa é um desbunde visual. A cinematografia e o trabalho de cores, baseados no azul – para representar a tristeza -, no amarelo – para representar a euforia -, e no verde – para representar a loucura, dão um tom muito peculiar à narrativa. Soma-se à cinematografia a direção de arte e o design de produção, que criam uma Gotham City caótica, suja e desorganizada. A perfeição chega aos mínimos detalhes, resultando em uma atmosfera paradoxalmente similar à da série original dos anos 1960 – o Batman de Adam West -, mas com o tom sério e sombrio que esta narrativa precisava. Completando os méritos técnicos, a trilha sonora, que mistura Frank Sinatra, Uma versão moderna de Smile, de  Tempos Modernos, de Chaplin, e o uso de música instrumental dissonante para representar as emoções do protagonista são um espetáculo a parte.

Todd Phillips e Scott Silver constroem uma narrativa consistente, com um roteiro que desenvolve o arco dramático perfeito para a origem do Coringa. Com o apoio da montagem inteligente, o roteiro de Coringa mistura realidade e delírio com muita eficiência, apesar de um minúsculo escorregão de didatismo no ponto de virada do segundo para o terceiro ato. Felizmente, não se trata de nada que comprometa a experiência.

Se Joaquin Phoenix não foi indicado ao Oscar 2020 por seu papel em Coringa, não será possível levar a premiação a sério. O arco dramático de Arthur Fleck e a transformação gradual do pobre doente mental no vilão, como é conhecido, ou anti-herói, como é apresentado neste filme, são materializados no desempenho de Phoenix, que faz um trabalho de expressão corporal e facial impressionante. Por outro lado, a transformação física do ator e o retrato perfeito da perturbação mental do personagem não são novidades na carreira de Phoenix: no excelente O Mestre, de Paul Thomas Anderson, ele já havia feito algo parecido e foi indicado  Oscar, embora tenha sido derrotado por Daniel Day-Lewis, no papel de Abraham Lincoln.

Para aqueles que afirmam que Coringa é um filme perigoso, que incentiva a violência, resta apenas lembrar que a genialidade desse filme está na capacidade de gerar empatia do público com o vilão/anti-herói e de o fazer compreender o seus motivos. Coringa é narrado de acordo com o ponto de vista da loucura de Arthur Fleck e tudo o que faz é mostrar a que ponto uma pessoa que não tem mais nada a perder pode chegar. Daria na mesma afirmar que qualquer filme de vingança ou de serial killer incentiva as pessoas a matar.

Coringa é uma obra de arte que vai mudar os parâmetros de adaptação de quadrinhos para o cinema. Trata-se de um dos melhores filmes do ano – certamente,  melhor lançado até o dia 3 de outubro de 2019- e desponta como grande concorrente ao Oscar de várias categorias, incluindo as de melhor filme  e melhor ator. Aguardemos.

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Joker

20192 h 02 min
Overview

Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

Metadata
Director Todd Phillips
Writer Todd Phillips, Scott Silver
Author
Runtime 2 h 02 min
Release Date 2 outubro 2019

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