A Maldição da Chorona (The Curse Of la Llorona, 2019) – Crítica
Posters para ""

A Maldição da Chorona. A lenda de La Llorona, ou A Chorona, em português, faz parte do folclore dos países hispano-americanos há cerca de três séculos, em diferentes versões, porém, em todas elas La Llorona é responsável pela morte de seus dois filhos e, devido à culpa, suicida-se e passa a eternidade chorando, em busca de crianças que substituam seus filhos mortos. Assim, La Llorona sempre é usada como ameaça às crianças que se comportam mal: “a Chorona vai te pegar” – algo muito parecido com os personagens brasileiros Cuca, imortalizado por Monteiro Lobato, e o famoso Velho do Saco.  A própria necessidade de explicação sobre quem é La Llorona já mostra como o efeito dessa história sobre o público brasileiro fica prejudicado, ao contrário dos países hispânicos, onde La Llorona faz parte das memórias de infância do público.

A fama de La Llorona já resultou em mais de dez versões cinematográficas desde 1933 até 2011. Nenhuma dessas produções anteriores teve grande relavância, infelizmente.  Na versão de 2019, a produção de James Wan e  a ligação – tênue e forçada – com o universo de Invocação do Mal prometiam um resultado melhor. A promessa não se cumpriu.

A Maldição da Chorona não passa de um amontoado de clichês mal executados, sem tensão e sem medo real. O diretor Michael Chaves investe nos jumpscares, mas não consegue bom resultado. Primeiro, quase todos os sustos são mais que antecipados; segundo, as poucas cenas com potencial de provocar algum medo real foram exibidas nos dois trailers promocionais do filme. Além disso, o trailer arruinou algumas boas construções do diretor e da montagem, que se esforçaram em dar algumas pistas e em fazer algumas rimas visuais, as quais foram totalmente inutilizadas pelo material promocional.

A caraterização de La Llorona não tem absolutamente nada de diferente. Em alguns trechos, a aparência da assombração se assemelha muito à de A FreiraNão que sejam idênticas, mas seguem o mesmo padrão de maquiagem, além da semalhança entre o véu eo hábito. Ao vermos a La Llorona, temos a sensação de que já vimos aquele personagem antes.

A Chorona e A Freira

No roteiro, A Maldição da Chorona comete seus amiores deslizes: todas as tentativas de inserir humor foram mal executadas, ou a piara em sem graça ou o timing era péssimo; a forma como se faz ligação com o Invocaverso é forçada com Annabelle ; a caracterização dos rituais e das crenças dos povos hispânicos é estereotipada; e, por fim, os personagens tomam decisões completamente estúpidas, mas estúpidas em um nível muito além do aceitável mesmo para o padrão dos filmes de terror.

A Maldição da Chorona não comete somente erros. A cinematografia e a direção de arte fazem excepente trabalho na ambientação de época, mais especificamente 1973. As atuações estão funcionais, embora nada espetaculares – a única atuação que se destaca é a de Patricia Velazques, no papel da mãe das duas crianças vitimadas por La Llorona ainda no primeiro ato. As crianças não se destacam, Linda Cardellini tem uma atuação digna e Raymond Cruz fracassa na tentativa de executar o humor mal colocado do roteiro.

A Maldição da Chorona fica muito abaixo das expectativas. Um filme genérico, de resultado pífio, que desperdiça o potencial de uma boa história com um roteiro fraco e mal desenvolvido. O filme pode funcionar para o público menos exigente, especialmente para os que não viram os trailers promocionais. No mais, A Maldição da Chorona é totalmente descartável e esquecível.

 

 

 

 

Not rated yet!

A Maldição da Mulher Que Chora

20191 h 33 min
Overview

Na Los Angeles da década de 1970, uma assistente social criando seus dois filhos sozinha depois de ser deixada viúva começa a ver semelhanças entre um caso que está investigando e a entidade sobrenatural La Llorona. A lenda conta que, em vida, La Llorona afogou seus filhos e depois se jogou no rio, se debulhando em lágrimas. Agora ela chora eternamente, capturando outras crianças para substituir os filhos.

Metadata
Director Michael Chaves
Writer Mikki Daughtry, Tobias Iaconis
Author
Runtime 1 h 33 min
Release Date 17 abril 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 0    Média: 0/5]