Cães Selvagens (Dog Eat Dog, 2016) – Crítica

Pense em um diretor que usa as seguintes características nos filmes: sangue sem pudor, flashback, diálogos sobre assuntos cotidianos no carro, mais de um protagonista, violência e humor na mesma cena, cores fortes e um elenco famoso – com eventuais aparições do próprio diretor…. talvez você tenha pensado em Quentin Tarantino, maestro de Pulp Fiction, Oito Odiados,Kill Bill, Cães de Aluguel, etc.

Parece que o veterano diretor Paul Schrader fez o curso na escola de cinema tarantinesca sendo até aprovado, mas com a nota mínima ou até escorregando para a recuperação. Cães Selvagens tem as mesmas ferramentas, só que sem o brilho e potência de uma obra do Tarantino. Há vários momentos onde vemos recursos interessantes, porém são descompensados por um autoboicote.

Note, logo no começo, o consciente uso exagerado do rosa e do azul, na casa onde Mad Dog (Willem Dafoe) se encontra. Perceba, também, a sanguinolência que se segue. A frieza estilizada das mortes e a presença do sangue dão o tom. É possível, por exemplo, que em alguma cena você solte um palavrão como interjeição dado o espanto. Aqui advindo mais de uma gratuidade do que de um apuro estético.

Há uma incômoda e desconexa mistura de gêneros. Um climão noir lado a lado com uma comédia de erros. Alguma tentativa (eles tentam?) de drama, com uma pitada cartunesca. O roteiro, portanto, soa vazio – o que é estranho dada a bagagem de Schrader, que assinou alguns dos melhores longas de Scorsese (Taxi Driver e Touro Indomável). Esse combo de “homenagem” torta ao Tarantino com uma história reles só poderia resultar em algo fraco – talvez nas mãos do próprio Taranta desse certo, vai saber…

Os três protagonistas (Dafoe, Nicolas Cage e Christopher Matthew Cook) são ex-presidiários que se envolvem em mais um golpe. Sequestrar um bebê de um rival do mafioso El Greco (o próprio Schrader). O jeito brusco e ao mesmo tempo surreal que as coisas são resolvidas ou iniciadas é inexplicável. Por mais que o público tente se engajar, tal empreitada soa vã. O tom do desfecho da última cena é anti-climático.

As atuações, principalmente de Dafoe e Cage, são apenas caricaturas deles mesmos em obras passadas, onde vemos homens insanos fazendo coisas idiotas. E a dobradinha me causou um estranho paradoxo: quando o filme estava em um eu queria ver o outro. Se tal sensação foi uma intenção obscura do diretor (como no momento que em que há uma cena em preto e braco), não sei… fato é que o sentimento estava lá – martelando sem tesão.

Cães Selvagens tem o mérito de não ser, a priori, pasteurizada, apesar de se pasteurizar em meio a loucura controlada. Há um desequilíbrio que alterna falta de coragem e preguiça, ao lado de um tempero agridoce servido em um prato salgado.

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Cães Selvagens

2016Duration unknown
Overview

A história de três homens que saíram da prisão e agora tentam se adaptar à vida civilizada. Troy (Nicolas Cage) procura uma vida limpa e sem complicações, mas não consegue deixar de lado o ódio pelo sistema; Diesel (Christopher Matthew Cook) perde a cada dia o interesse na rotina suburbana e na esposa; e Mad Dog (Willem Dafoe), o mais insatisfeito, planeja um crime perfeito que será a salvação de todos.

Metadata
Director Paul Schrader
Writer
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 4 novembro 2016

Nota do Razão de Aspecto

 

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