Baywatch: S.O.S Malibu (2017) – Crítica

Baywatch ou  S.O.S Malibu foi uma série que permeou os anos 90 (ela começou em 1989). Pra quem não se lembra, ou é muito jovem, um resumo cretino seria: um grupo de salva-vidas descolado (em especial David Hasselhoff e Pamela Anderson), patrulhando a costa da Califórnia, tudo com aquele estilo característico e que era típico da década. Sem esquecer da trilha marcante e de alguns exageros para focalizar os seios em câmera lenta – marca da série… Os mais de 1 bilhão de espectadores dão conta de como a fórmula simples encantou aquela geração.

Um filme decorrente daquele sucesso não seria estranho…mas será um longa conseguiria reproduzir o carisma e a diversão essenciais à fórmula? A resposta é um sonoro SIM. Entenda, caro leitor: o filme Baywatch não é uma pérola do cinema. Não será indicado ao Oscar ou tem um roteiro genial. O importante é: ele não se pretende a nada disso. O contexto aqui é importante: o longa entrega bem menos para que não tem as referências e a bagagem da série. Passagens, personagens, atores, ambientes, são citados com um grau de importância alto. O produto como obra único é falho.

Quem chegar por acaso no cinema pode considerar a obra com uma história tosca que é só uma desculpa para uma exploração gratuita do corpo de homens e mulheres… bem, de certa maneira Baywatch é isso também…. Contudo, a grande sacada aqui é que os responsáveis pelo filme sabem disso e usam tal elemento a favor de um jeito muito honesto. Frases como: “por que ela está andando em câmera lenta?” ou “por que nossos maiôs são tão colados?” mostram uma autoconsciência que se torna imprescindível nos tempos atuais. O ápice é quando um dos personagens solta: “Pensei que éramos salva-vidas, mas tudo que vocês falam parecem uma séria de TV divertida, mas forçada”, refletindo que as melhores piadas são aquelas feitas com eles mesmos – recomendo ficar durante os créditos para ver algumas dessas piadocas.

Vale o adendo: quando falo de explorar o corpo, leia-se em especial o masculino. Há, claro, mulheres de biquíni com decotes avantajados, porém não vemos nenhuma parte mais íntima. No português claro: não há um mamilo à mostra, por exemplo. Porém, presenciamos um nu frontal masculino, além de boa parte do mote da história ser focada nos músculos do The Rock/Dwayne Johnson e na barriga tanquinho do Zac Efron (aquilo tem que ser CGI, como bom gordo não admito que exista ser humano assim…).

Quanto à história…bem, é onde Baywatch vacila. Uma trama picareta, com uma vilã quadrinesca/novelesca e movimentos e planos absurdos. Cabe dentro da proposta? Em partes…. Por vezes a coisa se leva a sério demais e perde o vigor da galhofa. E sempre vale aquele questionamento: será que não dava para fazer rir, ter referências, prestar o dito fanservice com um cuidadinho a mais com trama? Por isso que, mesmo dentro do gênero, a coisa não é totalmente plena. Um Deadpool, por exemplo, é bem melhor sucedido.

Na parte técnica tudo está ok. A fotografia prioriza tons mais claros, como não poderia ser diferente, e a pegada cool é sentida a todo instante. A trilha agitada, mas sem querer gritar, tem o auge na utilização do tema clássico. Os efeitos deixam a desejar em alguns momentos, ficando claro que são efeitos e podendo tirar os mais críticos da imersão do filme.

O elenco principal, contudo, ajuda e muito na empatia com o público. Dwayne Johnson fazendo o que sabe fazer: sendo o chefão dos salva-vidas e de uma reputação do tamanho do braço dele. Zac Efron sendo o rebelde em busca de redenção. Típico personagem que você sabe o arco todinho na primeira cena, ainda assim tem algum valor. Jon Bass é o típico nerd gordinho que serve de alívio cômico dentro do grande alívio cômico que é o filme. Praticamente todas as piadas dele são manjadas, ainda assim funcionam. Olho no timming cômico do rapaz…. O trio masculino de fato rouba a cena, as mulheres ficam à sombra deles e à sombra de Pamela Anderson, que só faz uma pequena ponta aqui, deslocada por sinal, porém a áurea dela na série gruda e não é superada.

A ação também não é totalmente excelente… aliás, passa longe disso. Quando ela vem desassociada do humor perde muita potência e fica um tanto genérica. Os movimentos não são impactantes como em um Velozes e Furiosos ou ricos como em Mad Max… Por outro lado, como besteirol, totalmente descompromissado, a coisa pode agradar. Quem esperar qualquer coisa diferente disso, ficará alheio ao que vê na tela e poderá até se ofender. Sabia o que está comprando e seja feliz.

PS: as notas dos filmes servem como um resumo número da nossa visão. Não se atenha a elas, leia o texto, veja os apontamentos e tire as próprias conclusões. Aqui em especial ela tem um peso diferente: eu me divertir muito na sessão, foi realmente delicioso e quero até ver novamente. Contudo há falhas que não podemos deixar de apontar….a nota aqui ficou uma média entre ambos os quesitos.

Not rated yet!

Baywatch: Marés Vivas

20171 h 59 min
Overview

Mitch Buchanan (Dwayne Johnson), é um nadador-salvador muito sério e responsável. É então forçado a trabalhar com Matt Brody (Zac Efron), um jovem rebelde que não respeita as regras, para acabar com o plano de uma magnata do petróleo, a malvada Victoria Leeds (Priyanka Chopra).

Metadata
Director Seth Gordon
Writer
Author
Runtime 1 h 59 min
Release Date 12 maio 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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