Bacurau (2019) – Crítica
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Bacurau. Depois do prêmio do júri no Festival de Cannes (a segunda maior conquista da história do cinema brasileiro), de rodar o mundo nos mais prestigiados festivais e de três meses em cartaz no Brasil, finalmente pude ver Bacurau no CineArts Houston 2019. Pouco se pode acrescentar ao que já foi dito sobre o filme tanto pela crítica quanto pelo público, mas o Razão de Aspecto  não poderia deixar de registrar o que pensa sobre aquele que já é um dos maiores filmes brasileiros deste século.

Antes de mais nada, precisamos fazer justiça a Juliano Dornelles. Seja pelo sucesso de O Som ao Redor e Aquariusseja pela vocação à polêmica, o nome de Kleber Mendonça Filho acaba se destacando e monopolizando os elogios e as críticas à Bacurau, mas se trata de uma obra escrita e dirigida em conjunto, na qual a participação de Juliano Dornelles merece reconhecida.

Em Bacurau, os roteiristas e diretores demonstram, mais uma vez, domínio absoluto da linguagem cinematográfica, ao criarem uma narrativa que transita entre gêneros com fluidez e cujas camadas interpretativas passam pelas raízes do Cangaço, pelo patrimonialismo brasileiro, o abandono pelo Estado, a violência das grandes corporações, o complexo de vira-latas e, principalmente, pela resistência das identidades sufocadas pelo sistema.

Entre o drama, o  terror psicológico, o gore e o western (eu descarto a ficação científica) , Bacurau apresenta personagens carismáticos, cada um deles representando arquétipos de posições sociais que vão desde o mais simplório personagem de cidade pequena ao vilão que se sente superior a tudo e a todos. Lunga, Pacote e Damiano, especialmente, representam diferentes formas de resistência e de representação da força do povo oprimido no sertão, o mesmo sertão de Lampião, a mesma terra sem lei que o Museu de Bacurau apresenta muito bem.

Com grandes atuações, fotografia impecável, montagem eficiente, trilha sonora marcante e roteiro poderoso, Bacurau rivaliza com Parasita na qualidade cinematográfica e na da crítica social, embora apresente uma realidade totalmente diversa daquela do vencedor da Palma de Ouro. Trata-se de um filme de marcar época. Se você ainda não viu, veja. E se for ao cinema, vá em paz.

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Bacurau

20192 h 12 min
Overview

Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.

Metadata
Director Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles
Writer Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles
Author
Runtime 2 h 12 min
Country  Brazil France
Release Date 29 agosto 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

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