Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020) – Crítica
Aves de Rapina

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (provavelmente o maior subtítulo do ano) é a segunda empreitada de Margot Robbie como Arlequina, depois do péssimo Esquadrão Suícida. E apenas essa sombria terrível torna o Aves de Rapina um pouco menos intragável. Na realidade, o longa não é exatamente ruim, mas extremamente genérico e esquecível.

A história aqui lembra um Sessão da Tarde (com uma ressalva que farei no texto). Calcado em um macguffin básico: todo mundo quer uma determinada joia do infinito e todo mundo quer achar todo mundo. E o longa é contado em uma narração cool (e não considere isso um elogio) da Arlequina. Narração essa que não faz sentido algum, já que ela conta episódios que não participa… Há uma abertura cartunesca que aí sim, o lúdico, o errado e o expositivo funcionam. Dos vilões antagonistas às vilãs protagonistas, temos poucas camadas distinguíveis. Todos os personagens são monotônicos dificultando que a gente se importe com eles ou sendo empurrado a fórceps uma importância artificial.

Aves de Rapina

Uma coisa que pode confundir os mais desavisados é que o Coringa é citado aqui com frequência – o start do problema ocorre com a Arlequina marcando de forma Arlequina o rompimento e a influencia dele é percebida ao longo de todo o Aves de Rapina. Vale a nota que este Coringa não tem relação com o interpretado por Joaquin Phoenix e que está concorrendo ao Oscar. O presente Coringa seria o do Jared Leto, que desagradou muita gente.

CONFIRA AS NOSSAS CRÍTICAS DOS INDICADOS AO OSCAR 2020

Outro elemento “descolado” ocorre na hora de apresentar os personagens, mais ou menos no estilo do que vimos em Esquadrão Suícida. Aqui, há uma ou outra quebra, mas mesmo com mais criatividade, o recurso é usado a exaustão e satura. As várias cores que tentam dar um colorido diferenciado à sombria Gotham City e aliado a uma trilha enérgica combinam, mas dentro da proposta apenas, pois não há nada de saltar os olhos ou de inovador. A montagem não deixa o público respirar, porém é funcional em dar dinamicidade às cenas em especial em deixar coerente os flashbacks. Flashbacks esses que estão lá, adivinhem, só para dar um ar diferentão…

O humor de Aves de Rapina é referencial e físico. Há dois momentos que ele mostra uma autoconsciência e ri dele mesmo, mesmo feito de modo banal é melhor que tentar esconder o erro. Quem gosta do universo DC vai perceber algumas piscadelas, em personagens e situações passadas e futuras. No mais, basicamente aquele combo de ação-humor que tão batido. Situações absurdas, lutas de vários contra uma, câmera lenta, objetos inusitados, enfim… nada muito mirabolante em ambos os gêneros. A diretora Cathy Yan, no segundo longa da carreira, parece que viu muitos filmes e tenta apenas replicar uma sombra deles. Eu sai sem rir em momento algum e sem destacar uma cena de ação. Contudo, há momentos que a violência vai além e surpreende. Tanto que a classificação indicativa é 16 anos. O que soa como um contrassenso já que a coisa toda é bem infanto juvenil.

OBS: há uma cena ao final dos créditos. 

Confira as nossas outras críticas dos lançamentos de 2020 no Brasil:

Frozen 2
O Caso Richard Jewell
O Farol
Ameaça Profunda
Adoráveis Mulheres
Kursk – A Última Missão
Retrato de uma Jovem em Chamas
Os Miseráveis
O Escândalo
Um Espião Animal
1917
A Divisão
A Possessão de Mary
O Melhor Verão das Nossas Vidas
Um Lindo Dia na Vizinhança
Adoniran, Meu Nome é João Rubinato
Judy: Muito Além do Arco-íris
Os Órfãos
Bad Boys Para Sempre
Testemunha Invisível
Com Amor Van Gogh – Um Sonho Impossível
E Agora? Mamãe Saiu de Férias!
Açúcar
A Chance de Fahim

 

 

 

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 1/5]