Além da Morte (Flatliners, 2017) – Crítica

Além da Morte é uma refilmagem do longa Linha Mortal (1990). Como não vi o anterior, vou focar a análise no presente filme. E confesso que fiquei curioso para ver o antigo, pois quero saber se já ali, há quase 30 anos, tínhamos uma obra tão ruim.

A premissa é até promissora: 5 médicos residentes resolvem se colocar em experiências pós-morte para mapear uma possível atividade cerebral. A parte interessante acaba aí, pois o longa envereda por outro caminho. Os fantasmas, literais ou não, do passado de cada um deles passam a persegui-los.

O roteiro é raso: os integrantes do grupo são mal trabalhados. Tanto o passado quanto o presente deles têm caracteres óbvios. A apresentação é corrida, o desenvolvimento inexistente e o desfecho jogado… Recheado de frases feitas como: “O que acontecer com vocês acontece comigo” ou um personagem diz: “há uma explicação científica para tudo” e outro retruca: “estamos além das explicações”, vemos, portanto, uma criatividade nula.

Outro ponto condenável é o excesso de diálogos explicativos onde vemos um médico falando para outro coisas que este segundo, dada a profissão, provavelmente sabe. Recurso preguiçoso para colocar o público na conversa. Mas a estrutura redundante é vista também na montagem das cenas. Tudo é repetido e marcado, o que tornam as coisas facilmente antecipáveis.

O uso do sexo, bebidas e festas está ali para agradar a um público adolescente. As cenas poderiam ser tranquilamente retiradas. E quem poderia também não existir é o personagem do Kiefer Sutherland. A única justificativa é uma ligação do ator com o filme anterior. Pois o médico durão tem função zero na trama.

A lição de Além da Morte carrega um discurso “ético” um tanto simplório. Não vou destrinchar cada personagem para não dar spoiler, mas quem viu o filme sabe que cada um tem algo no passado e que essa coisa é condenável pelo filme o que acaba virando um discurso chato e moralista.

Se o roteiro é um desastre, o que falar da montagem? Personagens que brotam do nada em uma sala, cortes secos com transições erradas, além da já mencionada redundância, culpa também da montagem.
Tão ruim quanto, só a trilha. A música não para, não descansa e sempre em tons batidos.

O combo desses elementos gera um terror pífio, calcado apenas no jumpscare mais cretino. Aparelhos ligando sozinhos, entidades aparecendo, luzes apagando, pessoas com a cara deformada, nada arranha além. E nem preciso cobrar esse “Além”, já que o filme não acerta nem na camada mais simples.

Não vou dizer “coitado do elenco” eles foram pagos para isso e saibam onde estavam se metendo. E não chega a dar pena deles, pois sequer há uma tentativa de sair do automático. Algumas caretas mostram um abandono da direção. Niels Arden Oplev parece não guiar o elenco ou mesmo corrigir movimentação e expressões. Oplev, aliás, mostra aqui uma preguiça generalizada.

Em alguns momentos eu preferia que o meu coração parasse e não retornasse para essa bomba. Possível integrante da lista dos piores do ano.

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Além da Morte

20171 h 48 min
Overview

Em Além da Morte, cinco estudantes de medicina, obcecados com o mistério que rodeia os limites da vida, embarcam numa perigosa e ousada experiência: parar o coração durante pequenos períodos de tempo, cada um dos quais despoletam uma experiência de quase - morte - dando-lhes, em primeira mão, um registo pós-vida... Mas, à medida que as experiências se tornam mais e mais perigosas, ele começam a ser assombrados pelos pecados do seu passado, trazidos pelas consequências sobrenaturais de atravessar para o outro lado...

Metadata
Writer
Author
Runtime 1 h 48 min
Country
Release Date 28 setembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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