Adoráveis Mulheres (Little Women, 2019) – Crítica
Adoráveis Mulheres

Adoráveis Mulheres, longa dirigido por Greta Gerwig (Lady Bird), é mais uma das muitas adaptações do livro “Mulherzinhas” de Louisa May Alcott. Obra muito popular. Contudo, confesso que este foi o meu primeiro contato com o universo criado. Então de modo negativo, perdi referências ou bases comparativas. Mas justamente isso pode trazer algo positivo: a análise ficará totalmente focada na expressão Adoráveis Mulheres de 2019. Deixo as possíveis comparações para os fãs.

Acompanhamos, de modo não linear, a história de 4 irmãs no final do século XIX. O plano de fundo da guerra Civil Americana, machismo, arte e dramas pessoais são os temas aqui. Mais especificamente como que Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen) reagem a tudo isso e transportam para o público os possíveis papéis das mulheres naquela sociedade. Além da dinâmica entre elas como estrutura familiar. Ou seja, temos um drama focado em pontos universais e pessoais.

Adoráveis Mulheres

Para contar essa história Gerwig opta por seguir duas linhas temporais em um competente vai e vem narrativo. Salvo na primeira cena, onde há uma desnecessária explicação de que estamos regredindo 7 anos, o filme transita no tempo de maneira muito fluída e confiando em si e na inteligência do público, ao utilizar uma clara diferença visual para marcar o passado e o “presente”. Ou seja, o tutorial se torna realmente um escorregão. Por vezes as brincadeiras na estrutura viram uma piada (no melhor sentido) por si só e dá um gostinho doce à trama.

O filme necessita que o público se engaje pelas irmãs e acredite nelas como personas reais. De fato, isso é alcançado em parte porque sentimos desde o início que elas têm personalidades diferentes. O que resulta em sonhos, reações e talentos igualmente distintos. Mas sempre com muito amor envolvido. Elas podem até discordar no olhar do mundo (e às vezes brigam feio), mas concordam na importância de cada gesto de afeto. Não serão raras conversas em grupos de mulheres se identificando com X ou Y, ou até uma mistura delas.

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Fica um pouco quadradinho, porém, que cada uma tem uma área de atuação, escritora, atriz, pianista e pintora. Isso soa quase como um grupo de RPG onde o mestre delimita que não se pode repetir a classe. Contudo, não deixa de ser uma camadinha a mais na análise daquelas Adoráveis Mulheres. Elas obviamente não se limitam a isso, na realidade Beth, a mais nova, sim, tem um arco mais passivo e é quase parte do cenário, onde o trio transita ao redor dela. As demais podemos traçar mais adjetivos e encarar como figuras destacáveis.

Em especial Jo. A personagem ganha o protagonismo e é a que possui mais atenção da câmera e possivelmente tempo em tela. Saoirse Ronan (na segunda parceria com a diretora) entrega firmeza e pequenas variações importantes para a composição. O arco do mercado editorial é também o mais complexo e com presença forte nos primeiro e terceiro atos.

Adoráveis Mulheres

Para além do quarteto, temos um elenco de apoio com nomes de relevância: uma jovem e promissora atriz, a tal da Meryl Streep (e piadas à parte, não será dessa vez que ela aumentará a lista de prêmios), Laura Dern (que deve ser indicada pelo História de um Casamento), Bob Odenkirk, Tracy Letts e Timothée Chatomet Chalamet (dos papéis masculinos ele é o que tem mais destaque, contudo, vem em mais um personagem xiliquento, creio que o personagem/ator dividirá opiniões).

O que será mais unanimidade é a parte técnica. O design de produção, junto com o figurino, maquiagem e até a fotografia vão nos projetar para a época com perfeição. E deve ser lembrado no Oscar. Mas mais do que isso, muitos dos objetos têm presença narrativa e são importantes para a construção temática. Os figurinos seguem na mesma linha e discussões sobre vestidos mostram um pouco do que o filme quer nos contar. Contudo, a trilha sonora, do grande e premiado Alexandre Desplat me soou um tanto óbvia na delicadeza. De forma alguma é errada, mas ficou um pouco redundante.

O longa pode entrar na categoria de filme a ser abraçado pelo Oscar. Já que tem vários quesitos que os membros costumam gostar: uma história conhecida, mas com uma pitada de novidade, um baita elenco (e vale a lembrança que os atores são uma fatia importante na Academia), além de discutir um tema sempre presente – vide que quase dois séculos depois a coisa continua atual. Há carisma e valor aqui, principalmente na direção que coordenou todos os quesitos, mesmo com uma história batida até para quem chegou aqui de paraquedas.

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Little Women

20192 h 14 min
Overview

As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.

Metadata
Director Greta Gerwig
Writer
Author
Runtime 2 h 14 min
Release Date 25 dezembro 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

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