Açúcar (2020) – Crítica
Açúcar

Açúcar esteve e com sucesso no Festival do Rio de 2017, levando o prêmio da crítica e sendo indicado em Melhor Montagem e Melhor Filme. Contudo, só conseguiu chegar em circuito agora em 2020. O longa conta a história de Bethânia Wanderley (Maeve Jinkings) que retorna para o interior em um terreno decadente da família dela de forma a garantir que não seja invadido por trabalhadores locais. O filme quer passar uma crítica (sobre racismo, classes sociais e temas como religião e natureza), mas acaba acertando e errando de maneira quase simultânea.

A bela cena inicial já dá parte do tom: a protagonista aparece em um barco com uma vela vermelha destoando completamente da paleta de cores local, tal qual a bolsa rosa dela e o jeito como ela está “armada” de salto alto em um terreno que obviamente não comporta tal adereço. A forma cambaleante que ela chega e gritando ser um elemento estranho ali diz muito do que veremos a seguir.

Açúcar

Tão logo conhecemos  Zé (José Maria Alvez) um trabalhador que já propõe o conflito do longa: a disputa pela terra. Contudo a cena tem falhas na captação do áudio e na fotografia. O ar naturalista que os diretores Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira é válido e acertado em vários momentos, mas há o limite do erro, como a imagem escurecer sem propósito aparente no meio de um diálogo ou não escutarmos o que o personagem fala.

Devido a situação local, a fotografia trabalha muito com luz natural e rende ótimos quadros, além de ter sentido narrativo, principalmente quando há uma quebra disso e a iluminação vem de Zé. A trilha também coloca sons naturais e diegéticos para contribuir na imersão e comunhão com a natureza. O ritmo contemplativo e com poucos diálogos é acertado ao refletir o ambiente. Mas falta também um melhor direcionamento dos atores, salvo a dupla Maeve Jinkings e Magali Biff que estão bem, a condução das interpretações mais nos tira do filme do que dá a sensação de naturalidade genuína.

A aposta de Açúcar no realismo fantástico e em alegorias para transmitir a mensagem tem um resultado tão capenga quanto a movimentação inicial da personagem. Bacurau e O Nó do Diabo têm resultados melhores nessa linha, em certo sentido lembra O Juízo, onde a ideia é melhor que o filme. O terror de atmosfera é sempre bem-vindo, mas a mão dos realizadores ou é pesada demais ou de menos.

Confira as nossas outras críticas dos lançamentos de 2020 no Brasil:

Frozen 2
O Caso Richard Jewell
O Farol
Ameaça Profunda
Adoráveis Mulheres
Kursk – A Última Missão
Retrato de uma Jovem em Chamas
Os Miseráveis
O Escândalo
Um Espião Animal
1917
A Divisão
A Possessão de Mary
O Melhor Verão das Nossas Vidas
Um Lindo Dia na Vizinhança
Adoniran, Meu Nome é João Rubinato
Judy: Muito Além do Arco-íris
Os Órfãos
Bad Boys Para Sempre
Testemunha Invisível
Com Amor Van Gogh – Um Sonho Impossível
E Agora? Mamãe Saiu de Férias!

 

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Açúcar

20171 h 28 min
Overview

Bethânia Wanderley (Maeve Jinkings) não gosta do cenário rural da Zona da Mata, mas precisa voltar ao lugar onde nasceu, um decadente engenho de cana-de-açúcar, para impedir que os antigos trabalhadores do canavial tomem conta das terras. Confrontada pelo líder da associação, Zé (José Maria Alvez), e Alessandra (Dandara de Morais), que passa a ser faxineira da casa para vigiar a sinhazinha, Bethânia terá que lidar com o seu passado e os seus preconceitos.

Metadata
Director Sérgio de Oliveira, Renata Pinheiro
Writer
Author
Runtime 1 h 28 min
Country  Brazil
Release Date 5 outubro 2017

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