A Rosa Azul de Novalis (2019) – Melhor Filme Nacional do ano – Crítica
A Rosa Azul de Novalis

A Rosa Azul de Novalis estreou 19 de dezembro do ano passado e entrou no topo na minha lista de melhores filmes nacionais  de 2019 aos 40 do segundo tempo (aliás, confira aqui a minha lista feita no site Cinem(ação), além, é claro, de ver a lista feita aqui no Razão de Aspecto pelo Maurício Costa). Esse doCUmentário encenado abre e fecha com uma cena explícita do ânus do nosso protagonista. O que ocorre nesse meio (e sim, o trocadilho é intencional) é qualquer coisa de genial. Brincadeiras com a metalinguagem, histórias reais/absurdas, reflexões sobre a vida, cenas de sexo brutas e poéticas.

Rodrigo Carneiro e Gustavo Vinagre sabem como extrair o máximo dessa persona, Marcelo (que participa do roteiro), um dândi sui generis. Indo para além do nascimento, o filme propõe revisitas a vidas passadas, e a renascimentos dentro desta vida, temos uma das melhores (des)construções de personagem do ano.

Há, como falei,  cenas explícitas de sexo e isso tem chocado alguns (sério, em pleno 2019/2020?) que alegam ser o choque pelo choque. Contudo por vezes nosso personagem relata casos de traição na família, isso não choca ninguém, né família brasileira?

A Rosa Azul de Novalis

A proposta aqui é misturar uma estrutura à la documentário com momentos claramente ensaiados e onde o nosso personagem/ator/objeto conversa conosco quebrando aquele formato quadradinho. Alguns exageros, totalmente intencionais, dão o tom. Vale o olhar sob a posição do narrador (no caso o protagonista, Marcelo), como figura não confiável. Ao mesmo tempo que somos seduzidos por aquelas histórias e pelo jeito de contar.

Os relatos de como é ser um gay com HIV em um mundo heteronormativo também têm importante papel. As repercussões familiares e até em narrações sobre vidas passadas se entrelaçam nesse tema. Entrar na psique daquele curioso personagem, porém, vai muito além desse foco. E sem sabermos o que é brincadeira, criação ou fato real, Marcelo e os diretores vão nos guiando nessa empreitada.

Diversas cenas simbólicas marcam este curto longa (apenas 70 minutos). Desde a cena inicial onde vemos o personagem de ponta a cabeça, passando pelo embate com um carro e chegando ao gozo final. Tudo carregado com linhas bem fortes, mas com camadas a serem exploradas. Nada é gratuito.

Com aparente ar de banalidade, os diálogos são ricos, filosóficos e cheios de referências artísticas. A humanização em um simples servir de café, passeada em apps de encontros ou a artificialidade em um tapa encenado e sexo exagerado têm sentido narrativo.

As explicações textuais, normalmente marcas em início e fim desse tipo de filme, não estão presentes aqui. Esse detalhe “didático” tiraria a força do mistério e da brincadeira. A verborragia já tem espaço o suficiente dentro da trama, como o próprio filme sabe e expõe.

Na parte técnica de A Rosa Azul de Novalis, alguns cortes são grosseiros e por vezes vemos a fotografia meio granulada. Mas tais elementos foram pensados para fazerem parte de algo mais sujo. Se você estranhou, então o filme atingiu o objetivo (eu quero crer nisso, mas há de se considerar a hipótese de mero erro mesmo). Vale a nota também que há uma sacada divertida e inédita para mim envolvendo um chroma-key.

Por todos esses elementos únicos e criativos, que me encantei pelo projeto de A Rosa Azul de Novalis, longa ainda em cartaz em poucas sessões pelo Brasil, tal como no Cine Brasília, na capital federal.

Not rated yet!

A Rosa Azul de Novalis

20181 h 10 min
Overview

Marcelo, um dândi de cerca de 40 anos, possui uma memória inigualável. Revive lembranças familiares em sua cabeça e tem recordações de suas vidas passadas. Em uma delas, foi Novalis, poeta alemão que perseguia uma rosa azul.

Metadata
Director Gustavo Vinagre, Rodrigo Carneiro
Writer Marcelo Diorio, Gustavo Vinagre
Author
Runtime 1 h 10 min
Country  Brazil
Release Date 15 setembro 2018
Actors
Starring: Marcelo Diorio

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 0    Média: 0/5]