A Possessão de Mary (Mary, 2019) – Crítica
A Possessão de Mary - Janeiro

Uma maldição é proferida no letreiro inicial de A Possessão de Mary. Corta a cena e temos o “final” do filme onde a nossa protagonista Sarah (Emily Mortimer) narra para uma agente (Jennifer Esposito) o que ocorreu com ela e a família após embarcarem em alto mar. O filme é basicamente um flashback entrecortado por cenas no interrogatório.

E essa parafernalha policial é necessária, pois pessoas foram mortas no barco e ao ser questionada, Sarah solta um nada sutil diálogo: “O mal precisa de um corpo para existir. O corpo era aquele barco”, justificando que não foi ela quem cometeu crimes, mas sim “o mal”. E não precisa ser dos mais atentos para perceber que o filme te entrega logo de cara quem sobrevive ou não…sim, dando um spoiler dele mesmo – já sabemos que a mãe e as filhas vão sobreviver, ou seja, tirando um fiapo de tensão que A Possessão de Mary poderia ter.

Estamos diante do típico terror genérico que confunde dar medo com dar sustos e nem nisso é eficaz. O Diretor Michael Goi  – que basicamente tem no currículo episódios de séries e uma carreira maior como diretor de fotografia – usa e abusa do jumpscare, eu contei pelo menos 8. A grande façanha dele é convencer o vencedor de Oscar, Gary Oldman a participar do projeto. O longa consegue errar em todas as frentes, quase um guia sobre o que não fazer.

A Possessão de Mary

Na história contada por Sarah conhecemos o marido David (Oldman), as filhas e dois pares de personagens coadjuvantes sem importância. O excesso de ladainha no primeiro ato é inacreditável. Perde-se bons minutos com imagens que beiram o piegas e estão ali para encher linguiça e olha que nem é um filme longo: só 1h24, realmente não tinha muito a ser dito e mostrado aqui. No segundo ato, a redundância dos movimentos e a zero capacidade de gerar emoções no público, possivelmente tirará o interesse dos poucos guerreiros que ainda estavam engajados. Poderiam ter aproveitado o isolamento dos personagens em alto mar ou até mesmo explorado de forma mais consistente a mitologia que o filme propõe no começo. Já no epílogo, o que o filme faz, além de não surpreender, torna o que era ruim, pior… no final do texto vou colocar o que acontece, pois é tão pífio que merece uma nota. Chegando o trecho aviso o spoiler…

Seguimos para uma das figuras mais rasas e sem criatividade que eu já vi no cinema (e não, não estou exagerando): a entidade que habita o barco. Sem qualquer sutileza, Goi apela para os sustinhos mais reles e sempre da mesma forma: a câmera virando e algo brota na tela rápido em som estridente. Não há vontade para variar essa dinâmica – não acredito que foi falta de capacidade…. E ele também não tem pudor de mostrar a figura, que não passa de uma criatura como qualquer outra que você já viu mil vezes, tirando qualquer sugestão ou mistério. Sem contar a inconsistência dos poderes. Em certos momentos ela pode fazer x, em outros y e os momentos finais são qualquer coisa de patética.

Este 2020 no Brasil está oito ou oitenta para os filmes de terror. Tivemos O Farol, possivelmente um dos melhores filmes que foram/serão lançados aqui este ano. Mas de outro Ameaça Profunda e agora A Possessão de Mary. Lógico que nem todo filme precisa ter a potência e as camadas de O Farol… mas a alternativa precisava ser tão nula?

ALERTA DE SPOILER CONTAREI O FINAL DO FILME NAS LINHAS ABAIXO: 
*
*
*
Na realidade a mãe que narra todo o fato para a detetive é, que rufem os tabores…. a entidade a possuindo. O ser usa o interrogatório para ir atrás de matar as crianças. Mas cabe a pergunta: por que raios a entidade não matou as pequenas no mar? Oportunidade não faltou… Burro sou eu que quero ver sentido ali…

Confira as nossas outras críticas dos lançamentos de 2020 no Brasil:

Frozen 2
O Caso Richard Jewell
O Farol
Ameaça Profunda
Adoráveis Mulheres
Kursk – A Última Missão
Retrato de uma Jovem em Chamas
Os Miseráveis
O Escândalo
Um Espião Animal
1917
A Divisão

Not rated yet!

Mary

20191 h 24 min
Overview

David (Gary Oldman) é um capitão de colarinho azul que luta para melhorar a vida de sua família. Estranhamente atraído por um navio abandonado que está em leilão, David impulsivamente compra o barco, acreditando que será o bilhete de sua família para a felicidade e a prosperidade. Mas logo depois que eles embarcam em sua jornada inaugural, eventos estranhos e assustadores começam a aterrorizar David e sua família, fazendo com que se voltem um contra o outro e duvidem de sua própria sanidade.

Metadata
Director Michael Goi
Writer
Author
Runtime 1 h 24 min
Release Date 19 setembro 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 0    Média: 0/5]