A Divisão (2020) – Filme ou série? – Crítica
A Divisão

A Divisão foi uma série de 5 capítulos da GloboPlay. Já o filme A Divisão nada mais é do que estes 5 episódios editados para caber em 2h14 (a duração total dos episódios é mais ou menos 3 horas). Tal artifício já foi usado em obras ótimas como o Auto da Compadecida (meu filme nacional preferido) e Os Dez Mandamentos (versão da novela da Record). Sim, soa – e talvez seja – um caça níquel preguiçoso, mas penso que o importante é que a expressão cinematográfica funcione de modo isolado, o que ocorre no primeiro exemplo citado e definitivamente não ocorre no segundo. Basicamente quem não conhecia o fato pode até reparar que o filme corre demais em alguns pontos e deixa de aproveitar certos personagens, mas este não é o único problema aqui.

A trama se passa em um contexto de uma onda de sequestros no RJ no final da década de 1990. Tal fato é exposto usando letreiros e uma narração em off, pois momentos expositivos nunca são demais, né? E vez ou outra eles repetem tal recurso, usando os programas de TV como guia. Sim, fica menos artificial que uma narração solta no universo, mas ainda assim é perceptível que esse “personagem” está ali para explicar para o público o que os responsáveis pelo filme queriam.

A Divisão

Seguimos diversos núcleos (mal de série?) que envolvem um desses sequestros, mostrando corrupção, jogo de poder, mentiras e toda ordem de coisas nesse âmbito (ou pelo menos atos questionáveis) nas mais variadas frentes. O grande problema é que muitos diálogos soam forçados, não esquecemos em momento algum que estamos diante de um produto audiovisual. Falta naturalidade nas brigas e outros picos de emoção, por exemplo. É um esforço danado para soar “durão” ou dar senso de urgência.

A história é permeada por cenas de ação sem muita criatividade e potência (entendo a questão orçamentária). Para esconder um pouco isso, o longa aposta em uma fotografia que é um misto de dessaturação (para emular uma época antiga) ao passo que ao mesmo tempo estoura a luz em diversos momentos, abusando de contraluz e flare e na parte sonora uma trilha constante que quer guiar o sentimento do público. De ponto positivo fica o design de produção. A comunicação telefônica é algo relevante e bem datada aqui.

No terceiro ato, A Divisão padece de uma sequência de facilitações e também uma correria que muda o ritmo de forma brusca. O arco principal tem um fechamento, contudo algumas pontas ficam soltas – em outros filmes isso seria um elogio, mas aqui sabendo a série vai além dá um gosto agridoce. A Série Os Carcereiros também teve um filme derivado lançado em 2019, mas lá, a história é uma consequência do seriado, por mais que em alguns momentos soe como um episódio longo, pelo menos dá um senso melhor de unidade.

Infelizmente o primeiro filme nacional do ano iniciou o nosso cinema de maneira um tanto torta. Na melhor das hipóteses é um filme de ação genérico, localizado no Brasil.

Confira as nossas outras críticas dos lançamentos de 2020 no Brasil:

Frozen 2
O Caso Richard Jewell
O Farol
Ameaça Profunda
Adoráveis Mulheres
Kursk – A Última Missão
Retrato de uma Jovem em Chamas
Os Miseráveis
O Escândalo
Um Espião Animal
1917
A Possessão de Mary

 

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A Divisão

20202 h 14 min
Overview

No Rio de Janeiro da década de 1990, uma onda de sequestros assola a cidade maravilhosa. Quando o secretário de segurança e o chefe da polícia encarregam três policiais corruptos de tirar a cidade dessa situação, a Delegacia Antissequestro precisa entrar em ação para enfrentar o repetitivo número de casos envolvendo sequestros e mudar o cenário carioca.

Metadata
Director Vicente Amorim
Writer
Author
Runtime 2 h 14 min
Country
Release Date 9 janeiro 2020

Nota do Razão de Aspecto

 

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