Westworld 3.2 – The Winter Line (resumo e crítica do episódio!)

AVISO !!!

ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO

SEGUNDO EPISÓDIO DA TERCEIRA DE WESTWORLD

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O segundo episódio da terceira temporada de Westworld – “The Winter Line” – é focado na personagem Maeve, interpretada pela atriz inglesa Thandie Newton, e, paralelamente, na continuidade da busca de Bernard por uma forma de derrotar os planos de Dolores.

Bernard dá seguimento a seu plano de retornar a Westworld, localizado em uma ilha no mar do sul da China. Adentrando o complexo com uma estranha facilidade, ele visita o laboratório secreto de Ford, onde estão armazenadas cópias antigas de si próprio. Ali, encontra, ainda vivo, mas bastante avariado, o segurança do parque, Ashley Stubbs, e revela-se que ele sempre fora um anfitrião, programado por Ford para defender os anfitriões do parque. Uma vez que sua missão se encerrara, e seguindo as instruções de Ford, ele tentou se matar, mas sem sucesso. Com o retorno de Bernard, Stubbs renova sua missão de proteger anfitriões.

Indagado por Stubbs sobre a razão de ter voltado ao parque, Bernard explica que deve impedir os planos de Dolores de destruir ou escravizar a raça humana, mas não sabe como.  Ele vê em Maeve uma opção forte o suficiente para fazer frente à Dolores. Stubbs leva Bernard até a Mesa, onde a equipe se segurança (QA) foi substituída, em grande parte, por drone hosts, anfitriões básicos, sem consciência ou traços faciais. Ao procurarem por Maeve no depósito de corpos de anfitriões, eles descobrem que de fato um dos seus corpos está ali, mas sua unidade de controle foi retirada.

Bernard e Stubbs vão até um andar ainda em funcionamento do parque, onde acontece o cameo mais divertido do episódio:  David Benioff e D.B.Weiss, showrunners que cagaram o final da série Game of Thrones, aparecem como dois técnicos da Delos – e não apenas os dois, mas um dos dragões da premiada produção da HBO, aparece recebendo manutenção. Temos, portanto, a revelação de mais um parque da Delos, cujo tema é a fantasia medieval. Bernard descobre que a unidade de controle de Maeve não está em qualquer parte dos parques. Ele aproveita para escanear a própria unidade de controle em um computador do local, mas é interrompido por Stubbs, para que possam fugir. O tempo conectado é suficiente para que ele tenha ao menos uma pista de por onde começará a busca por Dolores, uma vez que ela parecia particularmente interessada, na biblioteca da Forja (ver episódio 10 da temporada anterior), nas informações a respeito de Liam Dempsey Jr – personagem apresentado ao público no episódio passado. Antes de se despedirem, Bernard altera o código de Stubbs, programando-o para ajudá-lo e protegê-lo durante a busca por Dolores.

Quanto a Maeve, da última vez em que a vimos, ela havia sido baleada enquanto ajudava sua “filha” e outros anfitriões a escapar para o paraíso virtual na Forja. Neste episódio, ela desperta em um cenário da 2ª Guerra Mundial, em que soldados nazistas ocupam uma vila italiana. Em seu loop, ela deve interpretar uma espiã que tenta fugir com planos secretos, ajudada por ninguém menos que Ettore (ou o seu amado Hector, interpretado por Rodrigo Santoro). Com suas capacidades cognitivas maximizadas, Maeve logo entende que está em mais uma das narrativas da Delos. Ettore/Hector, por outro lado, não tem memórias dos acontecimentos passados. Ela percebe, porém, que seus poderes de controle sobre anfitriões não estão funcionando.

Após atirar em si mesma, Maeve, desperta na Mesa, e continua a perceber acontecimentos estranhos – como o fato de que Lutz e Sylvester, técnicos do parque, parecem não lembrarem de sua parceria anterior. Prestes a se suicidar ou ser capturada, Maeve é interrompida pela chegada de Lee Sizemore, o roteirista de Westworld. Embora tenha sido baleado ao final da temporada anterior, Sizemore diz que conseguiu sobreviver. Ele afirma ter colocado Maeve em Warworld, o parque sobre a 2ª Guerra, por ele se localizar perto da Forja, de onde ela poderia ir até o Éden virtual dos anfitriões, e abrir uma passagem para reencontrar a filha.

De volta ao Warworld, Maeve segue o plano de Sizemore. Hector não consegue abandonar sua programação e se despede uma vez de sua amada. Lee a conduz até a Forja, onde ela entende que foi Dolores quem operou o maquinário do lugar enquanto os anfitriões atravessaram o portal para o paraíso virtual. Maeve percebe algo mais… o Lee Sizemore que interage com ela não é o humano que conhecera, e sim uma réplica virtual, parte de uma simulação na qual está inserida. Pior: o próprio Lee não tinha, até o momento, consciência dessa condição e, ao percebê-la, começa a apresentar falhas em seu script. É nesse momento em que Maeve se dá conta que está dentro de uma simulação virtual – e a razão de aspecto (ahá!) da cena se altera para se adequar ao padrão visual estabelecido na segunda temporada.

Maeve consegue perceber falhas no código da simulação e limitações em sua capacidade de processamento. O passo seguinte da anfitriã é arrumar uma forma de sobrecarrega-la e dela escapar. Ao alterar completamente a lógica do script do Warworld (ao colocar todos os nazistas como traidores de si próprios) leva o sistema a travar. A partir daí ela consegue hackear um drone de manutenção no mundo real, que a ajuda a escapar do servidor onde estava conectada. Sua fuga, porém, é interrompida pelos seguranças da instalação, que derrotam o robô em fuga.

Mais uma vez despertando em um local inesperado, tônica da personagem neste episódio, Maeve conhece Engerraund Serac, interpreta pelo ator-francês-com-um-pezinho-no-Brasil Vicent Cassel. Pelo diálogo, deduz-se que Serac é ninguém menos do que o co-criador do Rehoboam, supercomputador mostrado no primeiro episódio da temporada. O sistema teria funcionado muito bem até recentemente, quando parou de funcionar. Inicialmente as desconfianças de Serac recaíram sobre Maeve, mas ele reconheceu o engano. Questionado sobre as razões para ter tirado Maeve do parque, Serac explica que o mundo real se encontra no momento no meio de uma guerra, que ninguém sabe que aconteceu e que “está perdida”. Ele conta com Maeve para encontrar e destruir Dolores, a verdadeira responsável pela falha no Rehoboam. Desdenhando de Serac, Maeve logo aprende que sua consciência e independência obtidas no parque da Delos não significam muito sob o controle de Serac.

***

O título do segundo episódio da terceira temporada de Westworld (“The Winter Line”) faz referência a uma série de fortificações militares nazistas e italianas durante a 2ª Guerra Mundial, também conhecida como Linha Gustav, destinada para impedir ou ao menos atrasar o avanço das linhas aliadas rumo ao norte, na península itálica. A menção mais direta, é claro, é ao Warworld, parque revelado ao público, em que as histórias se passam justamente durante aquele conflito.

Por falar em parques da Delos, conhecemos agora cinco entre seus seis cenários:  Westworld, Shogunworld, The Raj, Warworld e o Medieval World, os dois últimos revelados neste episódio. Convém lembrar que no filme de 1973 havia três ambientes: Westworld, um mundo medieval e um mundo da Roma Antiga. Não se sabe ainda o sexto mundo da Delos na série repetirá a ideia do mundo romano ou proporá algo completamente novo.

De volta ao título, as referências a guerras não param no parque da Delos. Serac fala de uma guerra que já está em curso, e que já foi perdida. Em um dos lados desse conflito, temos Dolores, que pretende substituir a humanidade por uma nova raça, de novos deuses (como explicitado no episódio anterior), sob sua liderança. O discurso de aproxima bastante das ideias nazistas de Hitler, e o fato da atriz Evan Rachel Wood ser braca, forte e loira reforça a imagética da raça ariana ideal. Do outro lado, temos Sarek Serac, que busca em Maeve um contraponto para Dolores. Não é por acaso, nesse sentido, que é possível ver um quadro de Winston Churchill no escritório de Lee Sizemore dentro da simulação, no qual, em tese, ele pesquisava sobre Maeve. Ainda que a vitória aliada na 2ª Guerra Mundial tenha sido alcançada muito mais pela entrada norte-americana e pela participação da Rússia, Churchill foi o grande símbolo da resistência a Hitler no campo político.

Não nos esqueçamos que Maeve, como aponta Serac, conseguiu reescrever sua história. Ela já escapou da prisão dos loops eternos, ajudou os anfitriões a fugirem para o Éden virtual, fugiu da simulação de Warworld e quase conseguiu escapar de Serac. Maeve pode se tornar, assim, a “Winter Line” da resistência a Dolores – capaz de impedir ou ao menos atrasar seus planos, até que se consiga uma forma de derrotar a anfitriã original da Delos.

Do ponto de vista da produção, Westworld continua sendo uma série praticamente irretocável. Somados ao desenho de produção, som, efeitos especiais e atuações, este episódio ainda mostrou locações sensacionais – como Bethulu, na Espanha, onde foi filmada a vila italiana, e a fábrica de cimento da década de 1940 convertida em casa pelo arquiteto Ricardo Bofill, que hospedou a base de Serac.

A terceira temporada de Westworld parece mesmo propositalmente mais simples, em termos de montagem, do que as anteriores. Há mais diálogos explicativos – vide o monólogo de Maeve quando descobre estar em uma simulação – e menos núcleos se alternando dentro de um mesmo episódio (por enquanto, ao menos).

Após o comentário sobre a possibilidade de a vida ser uma simulação, durante uma festa do episódio anterior, aqui Maeve encontra-se justamente nessa condição: ela está dentro de uma simulação da 2ª Guerra, por sua vez dentro de uma simulação dos parques da Delos em um servidor no que parece ser o mundo real. Isso pode significar que esse tema seja recorrente durante a terceira temporada – o que não seria uma ideia muito boa, pois além de retomar um nível de complexidade desnecessário para o estágio da série, faria com que o investimento nas tramas dos personagens caísse, uma vez que a audiência passe a não saber mais com o que se emocionar de verdade.

Embora aparentemente estejamos acompanhando uma trama contada de forma mais direta, devemos ficar atentos à possibilidades do uso de linhas temporais ou outras ferramentas narrativas utilizadas para brincar com as percepções da audiência. Por exemplo: as dependências da Delos visitadas por Bernard e Stubbs pareciam estar bem mais desgastadas e envelhecidas do que deveriam após cerca de três meses de abandono. Isso levantou uma possibilidade de que aquele arco pudesse se passar em um futuro mais distante. Entretanto, ao indagar ao computador da Mesa sobre “os últimos 100 dias”, Bernard parece ter nos ajudado a descartar essa hipótese.

Já o caso do encontro entre Maeve e Serac deixa mais dúvida. Ao dizer que a guerra já estaria perdida, ele dá a entender que algo concreto já aconteceu, ainda que as pessoas não saibam disso. Entretanto, no episódio anterior, Dolores ainda está com seus planos em andamento, e não parece ter conseguido afetar o Rehoboam ainda. É possível que o encontro do final deste episódio se passe algum tempo após os acontecimentos do capítulo anterior.

Uma sequência que provavelmente ainda será retomada na série é aquela na qual Bernard faz um scan da própria unidade de controle. Há uma série de imagens fragmentadas, que passam por memórias de fatos do último episódio da segunda temporada, além de possivelmente lembranças de sua recriação por Dolores. O fato de o scan ter sido interrompido indica que há mais informações a serem exploradas nos próximos capítulos.

Por fim, há dois momentos pouco inspirados no episódio: o primeiro diz respeito à facilidade com que Bernard invade Westworld – afinal, depois do massacre da temporada anterior, é bastante possível que a Delos reforçasse a atenção e a segurança da ilha; e o segundo foi ver Stubbs enfrentando uma série de seguranças armados apenas com um machado. Por mais que ele seja um anfitrião – portanto, mais forte e ágil que um humano -, trata-se daquele momento em que o roteiro trata homens treinados como retardados para facilitar a história.

 

por D.G.Ducci

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