Sundance 2019 – #4 Divine Love/Divino Amor
Por Maurício Costa.
No dia 25 de janeiro, Divino Amor, de Gabriel Mascaro, fez sua première mundial no Festival de Sundance. Anunciado com muita empolgação pela organização do Festival, o filme provocou estranhamento positivo do público dos Estados Unidos. Assim como Democracia em Vertigem, documentário de Petra Costa, o tema de Divino Amor leva o público do Festival a empatizar e a fazer paralelos com a situação do próprio país.
Segundo as palavras do próprio diretor, Divino Amor é um filme sobre a linha tênue que separa o prazer da violência nos dias de hoje e sobre como o conservadorismo crescente, no Brasil e no mundo, baseia-se na escolha do indivíduo do que fazer com o próprio corpo. Ao criar a distopia futurista de um Estado evangélico, o espectador desavisado pode esperar uma abordagem radical. Gabriel Mascaro, sempre com profunda sensibilidade e com muito talento, faz o contrário: apresenta uma narrativa equilibrada, respeitosa e questionadora, sem ser panfletária.
No centro de Divino amor, Joana, interpretada com profundidade ímpar por Dira Paes, é uma mulher de fé, que deseja ter filhos e que tem sua fé testada pela provação de uma provável infertilidade. No mundo de Joana, O Divino Amor é um grupo secreto dedicado a ajudar as pessoas crentes a salvarem o próprio casamento, utilizando-se de métodos bastante heterodoxos. O ponto central dessa trama, a liberdade do corpo versus a liberdade da crença, tem camadas de crítica social mais direta e de crítica social indireta, como prenúncio de algo que ainda está por vir.
Para além da narrativa, Divino Amor é um deslumbre visual. Cada enquadramento é uma ilustração, com o uso de uma paleta de cores destacadas, com ênfase no vermelho, no rosa, no azul e no branco.
Depois de Ventos de Agosto Boi Neon, Gabriel Mascaro mostra que tem muito a dizer e muito talento a ser explorado.

Leia a ficha técnica e a sinopse aqui.

 

 

Nota do Razão de Aspecto

 

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