Game Of Thrones – Oitava Temporada. Episódio 3: The Long Night – Com Spoilers!

Batalha de WinterfellDepois de oito anos de crescimento e desenvolvimento da trama, finalmente chegamos ao grande enfrentamento entre a vida e a morte, a luz e as trevas, os White Walkers e os humanos. Na última semana, às vésperas do episódio e da batalha decisiva nos rumos de Westeros, muito se especulou sobre diversas teorias – algumas coerentes, outras mirabolantes e absurdas – , as quais não se confirmaram, em sua maioria. Aquela na qual eu acreditava, a de que Jon Snow seria Azor Ahai ou Príncipe Prometido (no caso  a série, são a mesma coisa) não se confirmou, embora isso não signifique que Azor Ahai não exista. Falaremos disso mais adiante no texto.

 

Confira as críticas dos Episódios anteriores da oitava temporada:

Episódio 1: Winterfell

Episódio 2: A Knight of the Seven Kingdoms 

 

The Long Night prometia uma batalha épica, com resultados imprevisíveis, mortes trágicas e qualidade audivisual de marcar época na TV e no cinema. O resultado esse episódio foi irregular, com algumas sequências maravilhosas, mas com alguns problemas graves.

Visualmente,The Long Night foi do excelente ao péssimo em poucos minutos: se a sequência dos Dohtraki foi linda, a dos dragões na névoa foi terrível. Nesses casos, tivemos os dois extremos de exemplos do uso da escuridão como recurso para aumentar a tensão, ótimo com as espadas flamejantes, péssimo com Jon e Daenerys perdidos na névoa.  Além disso, grande parte da batalha foi filmada com cortes excessivos e muito rápidos, quase como uma cena de Transformersdirigida por Michael Bay. Se, por um lado, esse tipo de recurso pode causar a sensação de estar dentro da batalha; por outro, impede que o espectador tenha senso de localização e entenda o que está acontecendo. Se é verdade que a Batalha de Winterfell é  maior sequência de batalha da história do audiovisual em termos de escala e duração, não se pode afirmar que seja a mais bem filmada, por ter sido muito prejudicada pela cinematografia desnecessariamente escura e pelo excesso de cortes. A melhor sequência de batalha da história ainda fica entre O Senhor dos Anéis ou o Regaste do Soldado RyanMesmo dentro do universo de Game of Trhones, A Batalha dos Bastardos, Hard Home e a Batalha da Muralha foram mais regulares na execução.

Nada disso quer dizer que o episódio não tenha tido alguns momentos épicos, seja no campo de batalha – nas participações de Melisandre, na bravura de Sir Jorah, na morte de Lyanna -, seja na sequência dos dragões- na cena acima das nuvens, no confronto direto entre Viserion e Drogon -, seja dentro de Winterfell – na sequência de Arya na biblioteca, na morte de Berric Dondarrion, no momento que os mortos se levantam dento da cripta. Trata-se apenas de reconhecer o episódio foi prejudicado por escolhas técnicas equivocadas, que se intercalaram com ótimas sequências.

Ainda nos aspectos, principalmente, ainda que não exclusivamente, visuais, The Long Night fez um grande trabalho de mistura de gêneros cinematográficos, entre a guerra, no campo de batalha, o terror – na sequência de Arya na biblioteca e bnos corredores de Winterfell, a qual me lembrou Terror em Silent Hille na cripta, cuja cena remete a alguns dos filmes de zumbi mais perturbadores -, fantasia – na sequências dos dragões duelando e no voo acima das nuvens -, drama, na morte de Sir Jorah e no silêncio cúmplice de Tyrion e Sansa. Nesse aspecto, a direção acertou em cheio.

Narrativamente, The Long Night teve melhor resultado, embora esperássemos um número maior de mortes de personagens relevantes. A família Mormont teve as cenas de morte mais marcantes, com Lyanna matando um gigante e Sir Jorah morrendo para proteger a rainha. Theon alcançou a redenção que procurava. Berric Dondarrion cumpriu seu proósito na Terra. Eddie Doloroso morreu protegendo Sam. Melisandre pôde descansar depois de ver sua profecia cumprida. Tivemos, então, a morte de uma série de personagens carismáticos, mas que não teriam mais papel relevante na luta pelo trono. Por outro lado, questiono se, sob o comando de Georde R. R. Martin, não teríamos mais sangue nobre escorrendo pelos corredores de Winterfell. Como restam três episódios, resta-nos aguardar para sabermos o destino de alguns dos sobreviventes do quase apocalipse, que poderão morrer de forma brutal no confronto pelo trono.

Ao contrário de muitos espectadores, não considero que a derrota do Rei da Noite em Winterfell tenha sido precipitada. No universo das Crônicas de Gelo e Fogo, a Muralha e Winterfell consistiam nas principais linhas de defesa contra os White Walkers, e as profecias, precisas ou não, previam a derrota da morte contra a vida. A resolução da guerra contra do Rei da Noite serve a dois propósitos: primeiro, enfraquecer o exército de Daenerys e Jon contra do Cersei; segundo,  recolocar o centro das atenções na batalha pelo Trono de Ferro, que é, desde o princípio, o centro da trama de Game of Thrones. Também não acho estritamente necessários maiores aprofundamentos em relação ao Rei da Noite, uma vez que sua criação foi mostrada na sexta temporada e que suas motivações foram esclarecidas por Sam no segundo episódio desta temporada. Ainda pode haver alguma surpresa, mas, se houver, espero que não seja nada absolutamente mirabolante e descabido, como algumas terias de fãs que circulam pelas redes.

Por fim, a escolha de Arya como aquela que iria desferir o golpe fatal contra o inimigo quase imbatível foi surpreendente e, ao mesmo tempo, coerente com a jornada da personagem e com o desenvolvimento da série. Tudo o que Arya viu, tudo pelo que passou, tudo o que treinou serviu para este momento, para este propósito, com rimas visuais que remontam, inclusive, a Syrio Forel, ainda na primeira temporada, passando pelo encontro com Melisandre, na terceira temporada, e pelo duelo de treinamento dom Bryenne, na sétima temporada. Segundo os showrruners, sabia-se há três anos que Arya desferiria o golpe, subvertendo as expectativas que Jon, o herói e protagonista das últimas temporadas, salvaria o mundo. Essa subervsão da narrativa foi muito bem feita e coerente com os espírito do universo das Crônicas de Gelo e Fogo. E aqui chegamos ao ponto mais polêmico do episódio:

Azor Ahai, Princesa Prometida o Azor “Aharya”?

No momento em que Arya desferiu o golpe, desfez-se, juntamente com os White Walkers, a teoria de que o príncipe prometido ou Azor Ahai (profecias diferentes nos livros, mas idênticas na série) seria Jon Snow. Dessa forma, a profecia teria sido deixada de lado. Há argumentos para defender que sim, a profecia foi inútil, ou que não, a profecia se confirmou. Em qualquer dos casos, a profecia não se realizou de forma literal, o que não é exatamente uma supresa. Verdadeiras ou não, todas as profecias das quais temos conhecimento são alegóricas, enigmáticas e demandar interpretação. As profecias Nostradamus estão aí para nos provar.

Com a escolha de Arya, não tivemos a Luminífera nem a Nissa Nissa (pelo menos não em sentido literal). Por outro lado tivemos várias coincidências:

a) Valiriano não têm gênero, portanto, poderia ser príncipe ou princesa;

b) Arya é uma princesa, irmã do Rei do Norte (adotiva, no caso de Jon Snow, e de sangue, no caso de Robb Stark);

c) Melisandre passou toda a sua jornada em busca do prometido – na verdade, da prometida – que salvaria o mundo das trevas, segundo as indicações do Rei da Luz.  Primeiro, ela acreditava ser Stannis, depois, acreditava ser Jona Snow, a quem ressuscitou. Por fim, retornou a Winterfell já sabendo que seria Arya Stark, numa referência que remete ao terceiro episódio das sexta temporada:

 

d) Segundo Melisandre, Berrick Dondarrion finalmente cumpriu seu propósito, proteger aquele que derrotaria o Rei da Noite, depois ter sido ressuscitado dezenove vezes;

e) Melisandre citou falas que não poderia saber de outra forma, que não por meio de suas visões;

f) Depois da vitória, Melisandre pôde, finalmente, descansar, após também cumprir seu propósito: encontrar a princesa prometida e ajudá-la a salvar a humanidade.

Considerando que GoT não desperdiça recursos narrativos, desde um pequeno gesto de luta usado na primeira temporada até a jornada mais complexa dos personagens, não faria nenhum sentido desconsiderar todo o arco de Melisandre, Berric Dondarrion e dos seguidores do Deus da Luz como apenas uma mera coincidência em um momento crítico. Assim, posso afirmar que a profecia se realizou, não de forma literal, como se costuma esperar nessa mundo onde o que mais falta é capacidade de interpretação de texto, mas na substância, que é o que interessa para o resultado.

Aguardamos a metade final da temporada.

 

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 5    Média: 3.4/5]
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