A Morte de Stalin (The Death of Stalin, 2017) – Crítica

Dirigido pelo Italiano Armando Iannuci, A Morte de Stalin surpreende com abordagem original da sucessão de Josef Stalin na União Soviética, em 1953. Quando se trata de uma obra sobre a Guerra Fria, esperamos um thriller político, um filme de espionagem ou um épico de guerra, mas Ianucci escolheu a comédia para contar sua história.  Não se trata de comédia escrachada ou pastelão, mas de comédia situacional, que explora o terror do regime stalinista em situações quase absurdas e cômicas, mas realistas, e os bastidores da sucessão, com a disputa entre Beria e Kruschev pelo poder na União Soviética. A Morte de Stalin é uma comédia de erros que, embora tenha sido escrita e produzida quando o cenário político, no Brasil nos Estados Unidos e na Europa, era diferente, ganha novos significados nos tempos atuais.

A Morte de Stalin baseia-se em profunda e precisa pesquisa histórica, com total fidelidade aos fatos e às personalidades, de acordo com fontes de documentais e testemunhais, como se fosse um documentário histórico-político. Para o público desavisado ou para quem conhece pouco da história da Guerra Fria, em geral, e da União Soviética stalinista, em particular, poderá parecer que Armando Iannuci criou ou exagerou situações para ridicularizar os personagens. Ledo engano! Apenas para citar dois exemplos, tanto a sequência de abertura da orquestra quanto a piada do tomate no bolso dramatizam, fielmente, fatos verdadeiros.

Essa seriedade no tratamento do tema resulta na grande força da obra: o roteiro, que explora os absurdos daquele contexto com fidelidade e cria a comédia de erros nos bastidores da disputa pelo poder, naquilo que nunca veio a público. Assim, não há nenhuma distorção dos fatos para “melhorar o efeito dramático”, e as situações criadas para a dramatização são totalmente coerentes com a história que quer contar.O desenvolvimento dos personagens corresponde, na medida do possível, àquilo que as biografias oficiais extraoficiais contam, com todas as falhas de caráter e qualidades de cada um dos envolvidos.

Para além da coragem e da criatividade, A Morte de Stalin esbanja técnica, com direção de arte, figurino e fotografia exuberantes, que reproduzem a grandeza e a beleza que a velha  União Sovética projetava para o mundo, de acordo com aquilo que as pessoas da minha geração e das gerações anteriores consolidaram no imaginário sobre o grande berço do comunismo mundial naquele período.

O elenco de A Morte de Stalin acertou no tom das atuações como poucas obras cinematográficas conseguem, principalmente se considerarmos as dificuldades inerentes a um projeto de tamanha criatividade. Com grandes atuações de Steve Buscemi, como Kruschev, Jeffrey tambor, como George Malenkov e Simon Russel Beale, como Beria, com um grande trabalho de pesquisa e com direção de arte estupenda, A Morte de Stalin é um sopro de inteligência na comédia mundial. Um dos melhores filmes lançados neste primeiro semestre, no Brasil.

Confira o comentário em vídeo de A Morte de Stalin no Festival de Sundance 2018:

 

Confira os vídeos da cobertura do Festival de Sundance 2018 pelo Conexão Sundance.
Dia 1 – Abertura
Dia 2 – Prévia de  Private Life Original Netflix
Dia 3- Morte deStalin, Piercing

 

Nota do Razão de Aspecto

 

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