Os antecedentes de Planeta dos macacos: A guerra

Amanhã (3 de agosto) estréia Planeta dos Macacos: a Guerra. E caso você tenha se trancado em uma jaula nos últimos 50 anos e não conheça a franquia de Planeta dos macacos, ou simplesmente queira saber um pouco mais antes de assistir o novo filme, segue um resumo de 50 anos de macaquices planetárias.
Tudo começou em 1963, com o livro La planète des Singes, de Pierre Boule. O escritor concebeu a obra após visitar um grupo de gorilas em um zoológico e ficar admirado com as expressões quase humanas deles. É uma sátira da dependência humana da tecnologia, e o motivo da decadência da civilização humana teria sido, no livro, resultado da complacência diante das facilidades da vida moderna e o acomodamento.

O livro fez enorme comercial, e chamou a atenção do produtor de cinema Arthur P. Jacobs. Ao perguntarem para ele por que do interesse em transformar o livro em filme, ele respondeu: Eu queria que King Kong não tivesse sido feito para que eu pudesse filmá-lo”. Depois de três anos lurando para convencer um estúdio, Jacobs convence a Fox de realizar o filme, com a condição de reduzir um orçamento previsto de U$ 10 milhões para U$ 5,8 milhões. Para se adequar aos limites de orçamento, a sociedade dos macacos foi retratada no filme como bem mais atrasada que no livro. Junto a esta mudança, temos a introdução de alguns temas típicos da Guerra Fria, em especial o grande plot twist que acontece no final.

E assim, em 1968 nasceu um dos filmes de ficção científica mais bem sucedidos, tanto em público como em crítica,  Planeta dos Macacos. Com Charlton Heston como protagonista, um excelente roteiro, uma maquiagem invejável para época, abordagem leve mas corajosa do tema do racismo, segregação e preconceito, e um dos melhores finais de filme de todos os tempos, Planeta dos Macacos é um clássico.

O sucesso foi tamanho que gerou quatro continuações em 4 anos. De volta ao Planeta dos Macacos (1970), Fuga do Planeta dos Macacos (1971), A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) Batalha dos Planetas dos macacos (1973). As continuações foram bem recebidas pelo público, mas sem o mesmo nível de qualidade. Alem dos quatro filmes ainda foram produzidas uma série de TV, Planeta dos Macacos (1974) e o desenho animado Retorno ao planeta dos macacos (1975). Tanto a série quanto o desenho eu lembro de ter visto na minha infância, muito vagamente, então não posso avaliar a qualidade. Mas lembro que era um enorme sucesso. Ou seja, de 1968 a 1975 a franquia Planeta dos Macacos produziu um clássico do cinema, mais 4 filmes e duas séries de TV, uma em animação, de sucesso. Nada mal!

Já nos anos 80 a Fox tinha planos de relançar a franquia, e nomes como Adan Rifkin, Oliver Stone e James Cameron passaram pelo projeto. Mas somente em 2001 que a Fox relançou o Planeta dos Macacos, com direção de Tim Burton. Apesar da inegável qualidade visual da obra, o relançamento foi um fracasso, principalmente devido a um roteiro questionável, com uma temática religiosa estranha e pouco convincente, e um final bastante inconsistente.

Mas felizmente isto não representou o fim da franquia. Rick Jaffa e Amanda Silver proporiam em 2005 um roteiro de reboot da franquia, desta vez não mais contando a história de humanos em um planeta de macacos, mas sim como nosso mundo se transformaria em um mundo dominado por eles. Como resultado temos em 2011 o filme Planeta dos Macacos: A origem, com direção de Rupert Wyatt e estrelando Jame Franco. É a estréia de Andy Serkis na franquia. Não só devido a qualidade da interpretação de Serkis como o chimpanzé César, mas principalmente devido a qualidade do roteiro e da computação gráfica, A Origem foi muito bem recebido pela crítica e público. A temática do racismo permanece, mas os temas da Guerra Fria saem, e entram a biotecnologia e o interesse das grandes corporações. Apesar da modernizada nos temas, as referências aos filmes da década de 60/70 (e talvez a completa ignorada do filme do Tim Burton) fez com que o reboot fosse muito bem recebido pelos fãs.

Mas é com o Planeta dos macacos: O confronto (2014) que o reboot demonstrou que veio para ficar. Novamente temos efeitos visuais totalmente realistas, a ponto de nenhum momento sentirmos estranheza com macacos não só falantes, mas com expressões faciais humanas. Mas isto acontece em uma escala mais elevada que no filme de 2011, pois a continuação se passa quase inteiramente entre os macacos. No segundo filme do reboot o tema apocalíptico finalmente se torna presente, com a civilização humana já em completo desarranjo, o que permitiu uma identidade temática muito mais próxima com o clássico de 1968. Graças a qualidade dos filmes de 2011 e 2014, Planeta dos Macacos: A guerra é um dos filmes mais aguardados do ano.

É necessário assistir tudo isto, e ainda ler o livro, para entender o filme de amanhã? Não. Mas é importante assistir pelo menos aos dois filmes anteriores do reboot. Assistir Planeta dos Macacos: A Guerra, sem ver A origem O Confronto não é uma boa idéia, você vai perder muito da obra. Ainda dá para entender a essência do filme, mas sugiro fortemente ver pelo menos estas duas obras anteriores. Se quiser alguma das outras obras, sugiro fortemente assistir o filme de 1968, um dos meus filmes favoritos de ficção científica.

E quanto ao novo filme? Confira a crítica aqui.

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