Os filmes mais rock’n’roll do cinema

Hoje é o dia mundial do Rock! E cinema e rock sempre foi uma combinação explosiva. Então, como não sei tocar guitarra, e minha namorada suplicou que eu parasse de cantar Pain Killer no Rock Band, vou comemorar o dia mais pesado de todos com uma pequena seleção dos filmes que explodiram cabeças das audiências com o poder da música.

Mas antes, um pouco de cultura: Porque o dia 13 de julho foi escolhido como dia internacional do rock? Acreditem, é uma escolha polêmica. Em 13 de julho de 1985 ocorreu o Live Aid, um megaconcerto de rock beneficente, com os fundos arrecadados pelo evento sendo destinados para a Etiópia, que atravessava uma grave epidemia de fome a época. Phil Collins, um dos participantes do evento, declarou que desejava que o dia fosse lembrado como dia mundial do rock.

E assim foi… Anos depois, e só no Brasil. Na década de 90 as rádios paulistanas 89 FM e 97 FM passaram a incluir a comemoração como um evento fixo na programação, e a idéia foi espalhando. Mas só no Brasil. Então é o dia mundial do Rock no Brasil… Mas contradições são bem vindas no rock’n’roll. Se você quiser outros dias para comemorar estourando suas caixas de som, existem várias datas alternativas para isto. Escolha sua favorita, ou todas, e let’s rock!

E no cinema? A relação entre o rock e o cinema vai muito além da franquia Rocky ou dos filmes com Dwayne Johnson. E para falar da relação entre rock e cinema, vou escolher uma abordagem estilo Rob Gordon, o personagem de Jonh Cusack em Alta Fidelidade. Não organizarei os filmes do melhor para o pior, nem em ordem cronológica ou por estilos. A ordem será autobiográfica, ou seja, seguirei na ordem em que os filmes atravessaram a minha vida.

Quando eu era ainda adolescente, eu praticamente só escutava rock anos 70 e o rock nacional dos anos 80. E tinha um relacionamento quase obsessivo com Pink Floyd The Wall.

Assisti o filme o máximo de vezes que consegui, sem ter o VHS dele, em uma época que não havia Netflix ou qualquer outro facilitador. Foram diversas vezes de aluguel em videolocadoras, um conceito difícil de explicar para quem já nasceu conectado. A psicodelia depressiva, a mistura de cenas live-action com animações, a crítica social e a maravilhosa trilha do Pink Floyd fazem deste musical um dos filmes mais rockeiros de todos os tempos. E uma maravilhosa viagem.

Nas poucas vezes em que eu queria ver outro musical além de Pink Floyd: The Wall, eu escolhia outro musical com mistura de animações, psicodelia e rock: O submarino amarelo:

Aqui temos os Beatles em sua fase mais criativa, e mais lisérgica. Não é o melhor filme dos Beatles, pois A hard day’s night é uma obra mais equilibrada. Mas a criatividade de O submarino amarelo faz com que ele sobreviva melhor para as audiências atuais, assim como para o adolescente que eu era no final da década de 80. Aqui, assim como em Pink Floyd: The wall temos cenas lisérgicas e uma trilha deslumbrante, e uma crítica menos política, mas ainda presente, da sociedade. Mas é um filme 100% alegre, ao contrário do depressivo filme do Pink Floyd.

Fechando a década de 80, eu não poderia deixar de citar De volta para o futuro. Marty Mcfly é um dos personagens mais marcantes do cinema, e mesmo quando ele não está de guitarra na mão, ele é puro rock! Inesquecível a cena de quando ele sob ao palco para tocar Johnny B. Goode para uma platéia dos anos 50.

E então chegamos aos anos 90. E ao inesquecível filme The doors. Foi o primeiro filme que eu assisti do Val Kilmer, e é uma pena que não tenha repetido a qualidade da atuação em nenhum outro filme. Val Kilmer fazendo Jim Morrison é por mim o caso mais convincente de possessão já documentado. Não é possível explicar como um ator de talento para lá de questionável tenha conseguido não apenas cantar exatamente como Jim Morrison (sim, o vocal das músicas é o próprio Val Kilmer cantando) como também nas cenas fora do placo, Kilmer é Morrisson. Não é apenas a atuação de Kilmer que coloca The Doors como um dos melhores filmes sobre bandas já feito, mas também o excelente retrato histórico do mundo de sexo, drogas e rock’n’roll, sem julgamentos moralistas e sem restrições.

Mas o filme roqueiro que mais me marcou nos anos que eu cursava universiade foi Jovens, Loucos e Rebeldes. Foi o primeiro grande sucesso de Richard Linklater, um dos meus diretores preferidos. É uma das melhores comédias adolescentes já feitas. Se você gostou de American Grafitti, e ainda não viu Jovens, Loucos e Rebeldes, corra atrás. Agora. Toda rebeldia juvenil e busca de libertação, ou seja, a essência do rock, esta neste filme. Também é um verdadeiro celeiro de celebridades de Hollywood, com diversos atores de sucesso no início de suas carreiras. Não posso deixar de citar a excelente continuação, Jovens, Loucos e mais rebeldes

E chegando ao século 21, o novo milênio se inicia com os dois melhores filmes da lista. Alta fidelidade foi filme que inspirou a forma como cito os filmes nesta lista, e também uma das poucas comédias românticas que sou capaz de dizer que é excelente. Baseado no delicioso livro homônimo de Nick Hornby, Alta Fidelidade deveria entrar em qualquer lista top five de filmes sobre música, ou pelo menos de filmes com listas top five. Além da primorosa trilha sonora, e da forma como a trilha participa da própria trama, temos atuações memoráveis de John Cusack e Jack Black. Uma verdadeira ode a música e como ela influencia nossas vidas, e um filme memorável.

Se eu fosse citar apenas um filme de rock, a escolha ficaria com Quase Famosos. Talvez seja a minha preferência quanto ao Hard Rock anos 70, mas inegável que o filme de Cameron Crowe é um dos que melhor retrata o ambiente de quase realismo fantástico que circunda as grandes bandas de rock. Inspirado na biografia do diretor, Quase Famosos é uma viagem ao mundo do rock, em toda sua energia, beleza, futilidade, loucura, etc. Os destaques vão para a excelente trilha e a maravilhosa atuação de Kate Hudson. Penny Lane é o arquétipo perfeito da groupie, mas ao mesmo tempo uma personagem profunda, estranha e encantadora.

Já que citamos Jack Black, não podemos deixar de citar Escola do Rock e Tenacious D. Jack Black talvez seja o ator de Hollywood mais rockeiro de todos, e nestes dois filmes mostra que poderia muito bem ter uma carreira de músico de sucesso, caso não fosse ator. Alguns (não eu) até diriam que ele tem mais talento para música que para interpretação. Se algum ator de Hollywood é capaz de explodir sua cabeça, este é Jack Black:

E com isto estamos chegando já na fase em que o Aniello passou a fingir que é crítico de cinema. Aqui no blog já citei alguns filmes que poderiam entrar na lista, como Deathgasm. Poderia também incluir tanto o primeiro quanto o segundo filme dos Guardiões da Galáxia. Mas para fechar a lista com um filme ainda não comentado no blog, vou citar Metalhead. É um filme bem pesado, tanto musicalmente quanto dramaticamente, e um retrato duro e convincente sobre a perda, o luto, e a superação. Uma bela mostra como até nas músicas mais pesadas há sutileza, sensibilidade e emoção. Um filme quase espiritual, e que pode ajudar a romper os preconceitos de alguns contra as músicas que muitos ainda consideram inapropriadas.

Desta forma fechamos o dia mundial do rock. Não são necessariamente os melhores filmes de rock, mas com certeza muito filme e música bons estão na lista.

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