Um martini para você, Roger Moore!

Quando Sean Connery se recusou definitivamente a reprisar o papel de James Bond após 007 – Os diamantes são eternos, os produtores se voltaram para um ator com um perfil diferente. Mais elegante e suave – e, curiosamente, mais velho do que Connery -, Roger Moore ficaria marcado como o rosto do agente secreto mais famoso (oi?) do mundo.

 

Nascido em 1927 em Stockwell, na capital inglesa, Moore havia feito inúmeros filmes e séries para a TV, tendo inclusive protagonizado, em 1958, Ivanhoé, série medieval baseada no personagem dos livros de Walter Scott.  Na TV, seu grande momento foram as seis temporadas da bem sucedida série O Santo, baseada nos livros de Leslie Charteris, na qual interpretava Simon Templar, uma ladrão que roubava criminosos, e que vivia suas aventuras ao redor do mundo. Na sequência, coestrelaria The Persuaders!, ao lado de Tony Curtis. Nessa série – mais uma do megaprodutor Lew Grade -, mistura de ação e comédia, Moore novamente vivia aventuras ao redor do mundo, desta vez vivendo choques culturais hilários entre seu personagem, o aristocrata britânico Lord Brett Sinclair e o norte-americano criado no Bronx Danny Wilde.

Ao contrário de Connery, Moore assumiu o smoking de Bond quando já era extremamente famoso por seus papeis na TV. Permaneceu de 1973 a 1985, tendo protagonizado sete filmes nestes 12 anos – número que nenhum ator igualou até hoje. Seus filmes – para diversão de alguns e reserva de outros – trouxeram para Bond um ar de comédia de ação, de um certo deboche, que foram bem mais contidos nas outras encarnações do personagem. Em sua “gestão”, Bond viveu algumas das cenas mais icônicas da série, como o paraquedas que se abre com a bandeira britânica ao fim de uma perseguição na abertura de 007 – O espião que me amava ou o salto sobre jacarés em Com 007 viva e deixe morrer. Bond foi ao espaço e ao fundo do mar com Moore. Em 1985, já com 57 anos, Moore deu lugar ao ator galês Timothy Dalton. Para muitos, fica entre Moore e Connery a disputa do 007 definitivo.

Após Bond, sua carreira no cinema e na TV não foi tão relevante quanto seu trabalho humanitário. Ele tornou-se Embaixador da Boa Vontade da UNICEF em 1991, tendo inclusive emprestado sua voz ao Papai Noel no desenho da entidade The fly who loved me. Ironicamente, ele se engajou
em campanhas da PETA contra a produção de patê de fígado de ganso – uma iguaria que certamente seu Bond apreciava. Por seus serviços a favor da cariade, Moore foi aclamado Caveleiro do Império Britânico em 2003, e em 2008 ganhou sua estrela  na Calçada da Fama de Hollywood.

Ao contrário do imbatível espião, a saúde de Moore se deteriorou lentamente nos últimos anos. Em 2009, precisou colocar um marca-passo; desde 2013, Moore lutava contra complicações da diabetes tipo 2 (que, brincava ele, o impedia de beber martinis). A causa da morte, anunciada pela família, foi câncer.

Em uma época de homens brutalizados, o Razão de Aspecto presta homenagem a esse ícone da elegância e do bom humor, nas telas e fora delas.

Obrigado, senhor Moore!

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