Especial: a saga do Rei Arthur no cinema e na TV – parte IV

As primeiras três partes deste especial estão aqui, aqui e aqui.

Em 2006, James Franco e Solphia Myles estrelaram Tristão & Isolda. Embora não se faça referência ao Rei Arthur ou a Camelot, o famoso conto do amor trágico e proibido entre o jovem nobre inglês e a princesa irlandesa remonta a lendas celtas que viriam a influenciar a história de Lancelot e Guinevere, e posteriormente seria incorporado na saga arturiana. Embora bem feito e com produção de Ridley Scott, o filme não chega a alcançar a força dramática que o romance exigiria. Mas nem de longe chega a passar vergonha.

A última legião, de 2007, tenta funcionar como uma espécie de prequel da lenda arturiana. Assim como Rei Arthur (2004), o filme se passa na fase de declínio do Império Romano, e conta a história de Romulus Augustus (Thomas Sangster), jovem herdeiro do trono de Roma, que exilado da cidade após um ataque dos godos. Sob a proteção do General legionário Aurélius (Colin Firth) e guiado pelo druida Ambrosinus (Ben Kingsley), Romulus segue uma arriscada jornada até a Bretanha, em busca do apoio da Nona Legião. Baseado no romance de 2002 escrito pelo italiano Valerio Massimo Manfredi, A última legião parece partir de uma boa ideia sem consegui-la executá-la tão bem, o que acabou fazendo com que tivesse recepção ruim de crítica e de público.

Mais bem sucedida foi a série Merlin, da BBC, que teve cinco temporadas, de 2008 a 2012.  Aqui, Merlin ainda é um jovem dotado de poderes especiais, e tem aproximadamente a mesma idade de Arthur, herdeiro do trono de Camelot. A trama progressivamente investe na nas diferenças e na amizade que se forma entre mago e guerreiro. Embora tome enormes liberdades com as fontes tradicionais, Merlin foi um grande sucesso, sobretudo pelo carisma de seu protagonista (Colin Morgan) e por acertar no tom de fantasia juvenil a que se propunha – os produtores declararam que gostariam de fazer uma versão arturiana de Smalville. Nota especial para o saudoso John Hurt, que emprestou sua inconfundível voz ao dragão que aconselhava Merlin.

Camelot foi uma nova tentativa de trazer à lenda arturiana à TV. Com um elenco do porte de Joseph Fiennes (Merlin), Eva Green (Morgana) e Claire Forlani (Igraine), a abordagem era ousada, com cenas de violência e nudez. A série claramente tinha um potencial maior do que sua única temporada permitiu demonstrar. Talvez um dos grandes problemas tenha sido o lançamento, no mesmo ano, de uma outra série medieval de fantasia com sexo e violência: uma tal de Game of Thrones, cuja produção e execução tenha feito Camelot parecer um programa infantil.

É claro que este especial do Razão não cobriu todas as adaptações já feitas ou os filmes que fazem referência à lenda arturiana. Só na última década houve várias produções menos relevantes, com baixo orçamento e|ou qualidade, como Pendragon: sword of his father e Merlin and the war of dragons (de 2008); Merlin and the book of beasts (2009); Choir of Camelot (2009); Dragons of Camelot (2014) e Arthur & Merlin (2015). Também não foram cobertos aqui filmes que envolvem o transporte da lenda para os tempos modernos (como Cavaleiros de Aço (1981) do gênio George Romero, ou que transportam pessoas do presente para a era arturiana (como as diversas adaptações do livro A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court (1889), do escritor estadunidense Mark Twain, em cuja trama um engenheiro moderno dos Estados Unidos vai parar na corte do Rei Arthur e usa a tecnologia para se passar por um mago.

O que nos traz a 2017 e a Rei Arthur: a lenda da espada, cuja crítica completa você vê aqui no Razão.

Não deixa de ser surpreendente que, em uma época em que filmes e livros de fantasia tenham ganho grande popularidade não haja, até hoje, uma versão espetacular da lenda do Rei Arthur no cinema ou na TV – com a aproximação maior feita por Excalibur, de John Boorman. A riqueza e a densidade das tramas presentes em suas fontes mereceriam uma série com diversas temporadas e produção primorosa. Mais do que isso, realizadores que conseguissem unir o caráter épico e violento com os ideais de amor cavalheiresco medieval e a vasta simbologia celta e cristã do mito; que pedisse um visual pré-rafaelita ao diretor de fotografia e trilha sonora celta, gregoriana, de música de corte medieval e também do Romantismo.

Rei Arthur: a lenda da espada estreia no Brasil dia 18 de maio.

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