Big Little Lies – Séries e TV – Crítica (sem spoilers)

Ficha Técnica

Todos sabemos que a HBO não brinca em serviço na produção de suas séries originais. Mesmo assim, algumas dessas produções acabam-se destacando pela inventividade e pela dramaticidade cinematográfica que conseguem imprimir a uma produção para a TV. Além disso, a sombra de Game Of Thrones paira sobre todas as produções do canal, e poucas são aquelas que conseguem atrair a atenção do público de forma mais orgânica, como foi o caso de WestWorld. Big Little Liesembora tenha um público alvo diferente, entra na mesma categoria das outras duas super produções das HBO. Com um elenco mais que estelar, que conta, entre outros, com Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Laura Dern, Shailene Woodley e Alexander Skargârd, a série estreou provocando grandes expectativas, as quais foram mais do que atendidas, felizmente.

Imagine se Desperate Housewives fosse produzida pela HBO. Esta é a melhor comparação possível para se entender a premissa original de Big Little Lies. Com base nessa premissa, construa personagens menos estereotipados, desenvolva a complexidade das relações humanas, elimine o tom novelesco e adicione uma trama de suspense adulto e você terá a receita de uma das melhores séries lançadas em 2017. Ao tratar de temas como a maternidade e a paternidade, o bullying infantil (e não juvenil, o que faz toda a diferença), relações sociais, violência doméstica e adultério, Big Little Lies provoca importantes reflexões sobre como, por vezes, projetamos nossos desejos e frustrações nos nossos filhos e como essas projeções afetam nossas ações e relações imediatas.

Como trama, Big Little Lies é instigante. No primeiro episódio, sabemos que ocorreu um assassinato, mas não sabemos quem foi a vítima nem que foi o assassino ou a assassina. A partir de então, com base em depoimentos à polícia, acompanhamos a história em flashback, tendo como ponto de partida a rivalidade entre algumas mães decorrente de acusações de bullying de um de seus filhos. Apesar do recurso relativamente simples e pouco orignal – que, nas mãos das pessoas erradas, poderia tornar-se um pastelão de suspense -, Big Little Lies instiga o espectador e mantém a dúvida no ar, como se nunca fosse possível perceber como aqueles fatos se conectam e como chegaram àquele desfecho, que conhecemos, em termos gerais, desde a primeira cena.

Os grandes destaques da série são as atuações de Reese Whiterspoon, como Madeline, Nicole Kidman, como Celeste, e Alexander Skargârd, como Pete, além do elenco infantil, especialmente a jovem Darby Camp, no papel de Chloe. O roteiro é muito bem construído, apesar do fracasso do alívio cômico dos depoimentos à polícia, a montagem contribui para a construção do suspense com alguns recursos muito eficientes na transição entre memória e presente, e a trilha sonora é espetacular. A fotografia, por sua vez, explora bem a paleta de cores frias para caracterizar o sentimento das personagens.

Se você gosta de um bom suspense, personagens complexos e perguntas sem respostas fáceis, os sete episódios de Big Little Lies são altamente recomendados. A série proporciona uma experiência diferente daquela que esperamos de uma trama semelhante. Felizmente, somos surpreendidos para melhor.

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