A LEI DA NOITE (LIVE BY NIGHT, 2016) – CRÍTICA

 

A Lei da Noite tem uma boa produção, mas um roteiro muito bagunçado.

 

Gênero: Drama

Direção: Ben Affleck
Roteiro: Ben Affleck
Elenco: Anthony Michael Hall, Ben Affleck, Brendan Gleeson, Chris Cooper, Chris Messina, Chris Sullivan, Derek Mears, Elle Fanning, Ford Austin, Max Casella, Robert Glenister, Scott Eastwood, Sienna Miller, Titus Welliver, Zoe Saldana
Produção: Ben Affleck, Chat Carter, Jennifer Davisson Killoran, Leonardo DiCaprio
Fotografia: Robert Richardson
Montador: William Goldenberg
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 128 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Preto e Branco
Estreia: 23/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Appian Way / Pearl Street Films
Classificação: 14 anos
Informação complementar: Baseado no livro de Dennis Lehane Live By Night.Sinopse: O jovem e carismático gângster em ascensão na máfia local, Joe Coughlin (Affleck), filho caçula do proeminente capitão de policia da cidade, aproveita a sua vida cercada de luxo e poder. Entretanto, suas más escolhas podem acabar levando-o à morte.



NOTA DO RAZÃO DE ASPECTO:

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Filmes que se prestam a contar histórias da máfia permitem uma trama cheia de traições, reviravoltas, crimes e ação. Em A Lei da Noite vemos todos esses elementos, mas a forma como eles são postos em tela gera um emaranhado confuso, arrastado e desgastante para o público. A síntese do longa é: acontece muita coisa e não acontece nada.

 

Acompanhamos a jornada de Joe Coughlin (Ben Affleck), um ex-soldado que se revoltou com o que viu a 1ª guerra e decide ser um fora da lei. Ele também não queria se envolver com a vida de gângster, porém após um infortúnio pessoal, a entrada dele naquele mundo se tornou obrigatória. Conhecemos parte do passado do personagem e dos anseios presentes a partir de um recurso cansativo e cretino: a narração. Aqui temos um exemplo claro de como a ferramenta não deve ser usada, explicando algo que a direção (do próprio Affleck) teve preguiça de mostrar ou pior: algo óbvio que poderíamos entender sozinhos…
Contudo, toda a mise-en-scène é bem feita. Os cenários e objetos são um belo retrato da época, repare no interior das casas e nos carros. Nesse aspecto, a produção não escorregou. A fotografia também vale o elogio. A Lei da Noite é bem filmado, seja nas composições da iluminação, seja na movimentação de câmera e enquadramentos. 

O que pega mesmo no longa é a má divisão dos arcos, com muitos elementos que poderiam ser tirados sem prejuízo. Diversos personagens entram e saem da narrativa sem muitas explicações – teve momentos que eu me senti burro ou cogitei ter piscado o olho de forma demorada demais. Inclusive alguns interessantes, que em uma narrativa mais enxuta poderiam ser melhor aproveitados. Alguns momentos mais enérgicos ou que o protagonista poderia se mostrar mais profundo, são diluídos, ou seja, o filme se boicota.

 

A
O ápice desse fator é no final. Há um prolongamento demasiado daquele trecho. A sempre desconfortável sensação de que o filme não acaba se faz muito presente em A Lei da Noite. Quando eu pensei que estava na última cena, há uns 10-15 minutos a mais e novamente o desperdício reina. 

O que também não agrada são as atuações. O elenco, como vocês podem ver na ficha técnica, é muito recheado. Não há grandes evoluções dos personagens, parte da culpa são das interpretações monotônica e sem alma. Ben Affleck não está exatamente ruim, mas ele é uma metonímia do todo, talvez por tentar abraçar mais de uma função (além de atuar, em A Lei da Noite, o resultado foi inferior ao que poderia ser entregue.

 

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