A GRANDE MURALHA (THE GREAT WALL, 2016) – CRÍTICA

 

A Grande Muralha poderia ser grandioso, mas no fim só entrega tédio maquiado de estilo.

 

 

Gênero: Ação
Direção: Yimou Zhang
Roteiro: Carlo Bernard, Doug Miro, Tony Gilroy
Elenco: Matt Damon, Andy Lau, Cheney Chen, Eddie Peng, Han Lu, Hanyu Zhang, Huang Xuan, Junkai Wang, Kenny Lin, Numan Acar, Pedro Pascal, Ryan Zheng, Tian Jing,, Willem Dafoe, Yu Xintian
Produção: Jon Jashni, Peter Loehr, Thomas Tull
Fotografia: Stuart Dryburgh
Montador: Craig Wood
Trilha Sonora: Ramin Djawadi
Duração: 104 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 23/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Atlas Entertainment / Kava Productions / Le Vision Pictures / Legendary East / Legendary Pictures
Classificação: 10 anos
Sinopse: Soldados britânicos estão em guerra na China durante a construção da Grande Muralha, no século XV e descobrem que, além de servir para proteger a população do povo mongol, o muro esconde um segredo.



Nota do Razão de Aspecto:

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A Grande Muralha usa lendas sobre a construção da Muralha da China para criar uma produção de fantasia com terríveis seres que podem ameaçar a paz chinesa/mundial. Os problemas do longa não se devem à nova roupagem da história. Pelo contrário, a mitologia criada poderia ter um potencial dramático que desse conta de entreter o público. Chega um ponto, contudo, que a coisa degringola para uma ação genérica e mal filmada.

 

Há, sem dúvidas, um aparato visual que resplandece. Os figurinos coloridos dos variados grupos do exército trazem sentido narrativo. A cinematografia é prejudicada por um CGI pesado, por câmeras fechadas e campos esfumaçados, ainda assim, sentimos o ambiente de forma até eficaz. O 3D funciona e acrescenta muito à experiência. Quem tiver oportunidade de ver na sala que tenha o aparato da cadeira tremer, também é recomendável – as cavalgadas logo no começo dão uma diversão a mais.
Toda a coreografia de guerra, em especial nas “danças” da preparação para a batalha, também causam boa impressão. Na parte sonora atente-se para o ritmo dos tambores que forçam, no melhor sentido, a vibração e criam a atmosfera. Em suma: tecnicamente A Grande Muralha merece mais elogios que críticas – mas isso em um primeiro momento.

Rapidamente percebemos que as técnicas utilizadas se prestam a esconder o vazio narrativo e o clichê de exaltar a própria estrela. O mote de A Grande Muralha é trazer/criar a lenda? Não… mas basicamente a resposta de “como podemos colocar o Matt Damon como um salvador?”. Do barbudo taciturno à óbvia cara limpa – afinal temos que mostrar aquela face bonitinha… do rebelde arqueiro preciso ao líder improvável e digno… amigo, amante, corajoso… checklist do herói completada…
Recheado de frases expositivas como “temos que ir, caso contrário vamos morrer” – dita em meio a uma invasão… Por outro lado tem motivações pouco explicadas e conveniências a todo instante. O trio ocidental está deslocado, junto com o humor – mania chata de que todo filme de ação ter que ter inúmeras piadocas.

A montagem é bem falha. O ritmo começa enérgico e vai morrendo. Creio que muita coisa do material bruto ajudaria a contar melhor a história, tem momentos como após uma batalha e a reação nula dos que sobrevivem, que não podem ser só culpa do roteiro…O fato de A Grande Muralha não saber a hora de acabar e ter mini finais é outro indício de uma edição ineficaz.

 

O último ato aliás… o que foi aquilo… tudo se resolve rapidamente, sem tensão dramática ou vigor. O quase epílogo é anti climático e fecha o arco de forma canastrona. Talvez a nota final do filme não seja tão baixa, mas o desfecho é tão pobre que saímos com uma sensação de que vimos um filme pior do que ele é (e olha que ele não é grande coisa…).

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