TOC – TRANSTORNADA OBSESSIVA COMPULSIVA (2017) – Crítica

TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva é irresponsável, no melhor sentido, mas falta consistência.

Gênero: Comédia

Direção: Paulinho Caruso, Teodoro Poppovic
Roteiro: Paulinho Caruso, Pedro Aguilera, Teodoro Poppovic
Elenco: Bruno Gagliasso, Daniel Furlan, Fabio Marcoff, Laura Neiva, Luciana Paes, Luis Lobianco, Patricya Travassos, Tatá Werneck, Tony Lee, Vando Gildo, Vera Holtz
Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha, Karen Castanho
Fotografia: Pierre de Kerchove
Montador: Marcelo Junqueira
Duração: 105 min.
Ano: 2017
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 02/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Biônica Filmes
Classificação: 14 anos

Sinopse: Uma jornalista escreve em blogs, livros, além de ministrar palestras e apresentar um programa de televisão, sobre bem-estar e equilíbrio. No entanto, seu Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que tem desde criança, volta à tona. Ela decide tratar em uma clínica especializada e reencontra uma paixão de infância.

(o trailer, como de costume nas comédias brasileiras, revela toda a história e as principais piadas)


Nota do Razão de Aspecto:

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Comédia é um, talvez o, gênero mais saturado do nosso cinema. Há muito humor baseado em esteriótipos fáceis e clichês. Aqui, a coisa vai além e tenta romper com algumas marcas já batidas. O resultado, no entanto, não é plenamente efetivo. Por mais que algumas piadas funcionem – mais pelo ritmo dos atores do que pelo texto – falta viço para sustentar o todo.

A primeira cena causa uma estranheza positiva. Não é comum ver um cenário pós-apocalíptico em uma produção brasileira, tampouco em uma comédia. O uso da ferramenta – até como muleta narrativa posteriormente – foi de certo modo ousado e felizmente acertado. Outro destaque vai para as cenas quase psicodélicas que representam a conturbada mente da protagonista. Imagens semi-aleatórias pipocam na tela de maneira ágil. 

A trilha é bem escolhida. Asa Morena e Ouro de Tolo entram de forma precisa. Os efeitos, para um filme brasileiro, até impressionam – vide a cena do fogo. O design de produção nos sonhos convence. Na parte técnica, portanto, a coisa vai bem – limitada, mas ok. 

O que pesa contra é o roteiro. O escorregão em TOC se dá em uma armadilha muito comum: subtramas demais – problema também relatado em Minha Mãe é uma Peça 2. A razão pode ser explicada na necessidade de chamar “o amigo” para fazer o filme ou então de ter nomes populares para atrair mais público. Além do drama cômico de Kika K (Tatá Werneck), temos um fã louco (Luis Lobianco), a empresária que só pensa no lucro (Vera Holtz), o namorado tarado (Bruno Gagliasso), a rival (Ingrid Guimarães), o vendedor/consciência (Daniel Furlan). Além de participações pontuais da mãe, o escritor e o motorista. Esse inchaço resulta em pouco ou nenhum desenvolvimento. Acaba que estão ali por uma piada. 

O uso do palavrão como vírgula não fica natural. Claro que essas palavras fazem parte do nosso vocabulário, mas em TOC (como em muitos filmes que optam pela não censura dos palavrões) a coisa descamba e soa pouco orgânico, buscando o riso fácil e apelativo. Não querendo soar politicamente correto, mas o tanto de personagem fumando também ficou fora do tom e me pergunto se era realmente imprescindível…

Momentos pontuais geram o riso decorrentes de críticas. Os comentários ácidos do personagem do Daniel Furlan ou a paródia do programa de auditório são exemplos. O primeiro move a narrativa e muda o tom dela. Uma dança em especial foi a responsável por uma curiosa, singela e bonita cena. Já a sátira frisa o quão é absurda a escolha dos temas nesse tipo de programa, seja na ligação entre eles ou até na relevância – vide o caso do macaco prego.

1h45 é demais e as boas piadas se diluem. Trazer o drama, de forma tão presente, também enfraquece. Entendo que a proposta pedia tal abordagem, contudo ela por vezes toma mais espaço que devia. O tempo inteiro há uma ideia de misturar as tiradas de humor com a situação dramática. O final, ápice dessa relação, é apenas um exemplo de preguiça e falta de fôlego.

TOC explora mal o próprio título, abre margem para sequências e se calca muito no carisma dos atores, em especial as caretas da Tatá. Uma boa sacada não é suficiente para segurar toda a obra. O gosto é agridoce, sensação é de potencial desperdiçado.

 

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