Quatro Vidas de um Cachorro (A Dog’s Purpose, 2017) – Crítica

Quatro Vidas de um Cachorro diverte e emociona na medida certa. 

Gênero: Comédia Dramática

Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Cathryn Michon
Elenco: Britt Robertson, Caroline Cave, Dennis Quaid, Gabrielle Rose, John Ortiz, Josh Gad, Juliet Rylance, K.J. Apa, Logan Miller, Luke Kirby
Produção: Darren Reagan, Gavin Polone, Mark Sourian
Fotografia: Terry Stacey
Trilha Sonora: Rachel Portman
Duração: 120 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 26/01/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Amblin Entertainment / Pariah Entertainment Group / Pariah Reliance Entertainment / Walden Media
Classificação: livre

Sinopse: Um cachorro morre e reencarna várias vezes na Terra. Embora encontre novas pessoas e viva muitas aventuras, ele mantém o sonho de reencontrar o seu primeiro dono, que sempre foi seu maior amigo. O filme é baseado no best-seller homônimo de W. Bruce Cameron.

Nota do Razão de Aspecto:

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Quatro Vidas de um Cachorro se envolveu em uma polêmica pré-lançamento. Não entrarei nesse mérito aqui, se houve um crime que os responsáveis sejam julgados. O foco neste texto são os 100 minutos de exibição. Afinal, temos que analisar o produto pronto.

Com isso em mente, Quatro Vidas de um Cachorro irá agradar, emocionar e divertir tal qual um longa da Sessão da Tarde. Há momentos fofos, piadas das mais variadas e uma aventura onde temos muita empatia pelo protagonista. Como o título sugere, acompanhamos um cão, que após passar por n situações, cumpre o destino fatal. Mas reencarna algumas vezes, mudando de raça (e até sexo), porém conservando as memórias. 

O ciclo vida-morte-vida e essa consciência são a base para a pergunta fundamental: qual o sentido da existência? Com o detalhe que tal questionamento é produzido pelo próprio cachorro, ávido por entender o propósito dele naquela(s) vida(s). Conferimos, portanto, o ponto de vista, os pensamentos e percepção do bichinho. O que gera toda a sorte de gags textuais. Resultando em um combo de simpatia. E de fato, quase todas as “falas” do cachorro funcionam narrativamente e exalando carisma inigualável. 

Se sobre o arco canino não há reclamações, o mesmo não se pode dizer dos humanos. As histórias são banais e rasas. Entendo que como eles não eram o foco não se criou nada profundo aqui. O problema é que perde-se muito tempo com esse lado da história. A primeira com o humano Ethan é a de maior vínculo, mas poderia ter uns 10 minutos a menos. E as passagens de tempo e contexto histórico são pobres e não convencem – repare na maquiagem dos atores, um tanto abaixo do padrão. O resultado é o enfraquecimento do todo. 

A segunda trama serve para o contraste. Vamos de um ambiente familiar e com uma paleta quente para uma história dura e solitária de um policial. A coisa fica muito marcada, o desfecho previsível, abrupto e conveniente. Contudo, novamente, a evolução do cachorro (agora cachorra) encanta e segura a coisa para não descambar totalmente. Não vou falar mais detalhes das outras histórias, pois a ideia é a mesma. A graça está na visão de mundo, inocente até, do cão. 

Além do problema nas passagem de tempo e da narrativa óbvia (contada de um jeito peculiar), algumas opções da direção soam equivocadas. Poderia-se optar por colocar todo o filme com a câmera subjetiva, a partir do ponto de vista do cachorro. Seria estranho e difícil, mas era uma opção. O que ficou torto foi utilizar tal recurso no início e do nada abandoná-lo… ou seja, era melhor não ter usado…

Quatro Vidas de um Cachorro tem alguma dose de pieguice, clichê e receita pronta para o choro fácil. À semelhança de Pets – A Vida Secreta dos Bichos, vemos uma boa ideia, mas com uma realização um pouco capenga. Ainda assim, cumpre de modo honesto a proposta. A diversão é garantida também. Um curta metragem poderia ter um efeito mais potente.

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