RESIDENT EVIL 6: O CAPÍTULO FINAL (2016) – CRÍTICA

A franquia Resident Evil no cinema se mantém coerente: ruim do começo ao fim…

Gênero: Ação
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Ali Larter, Milla Jovovich, Rola, Shawn Roberts, Sienna Guillory, Spencer Locke, Wentworth Miller
Produção: Jeremy Bolt, Paul W.S. Anderson, Robert Kulzer, Samuel Hadida
Fotografia: Glen MacPherson
Montador: Doobie White
Trilha Sonora: Paul Haslinger
Duração: 106 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 26/01/2017 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Capcom Entertainment / Constantin Film Produktion / Davis-Films / Impact Pictures / Screen Gems
Classificação: 14 anos

Sinopse: Seguindo os eventos de Resident Evil 5: Retribuição, Alice sobrivive ao apocalipse zumbi e retorna para Raccoon City. Lá, ela é forçada a lutar contra o tempo quando a temida Rainha Vermelha, que tenta destruir o que sobrou da humanidade. Neesa jornada, ela se reencontra com velhos conhecidos, além de fazer novos aliados.



Nota do Razão de Aspecto:

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A segunda adaptação de um game lançada no Brasil em 2017 faz algo que parecia impossível: tornar a primeira, Assassin’s Creed, melhor. É realmente inacreditável que a franquia Resident Evil no cinema tenha chegado ao sexto filme. Atentem-se que a crítica é exclusivamente à expressão cinematográfica. Não estou entrando no mérito se é fiel ou não ao jogo e muito menos se o jogo é bom ou ruim… O que vale para a análise aqui são as horas transmitidas na telona e pensar o longa como um filme de ação/ficção científica que ele se propõe. 

Mas vamos ao sexto filme, o Capítulo Final

O começo já é padrão, temos a Alice (Milla Jovovich) nos contando um resumo dos outros filmes. Em um texto cheio de frases de efeito. Desta vez, o foco estava na Umbrella –  em mostrar como eles são malvadões e vitoriosos. A necessidade de tal prólogo é um tanto quanto questionável. Sem contar que devemos nos perguntar de onde que a protagonista está narrando aquela história…

História… falar de uma trama aqui soa até engraçado. O plot é uma missão dada pela grande rival, a Rainha Vermelha e prontamente aceita por Alice. A desculpa de “ser a última esperança” não convence ninguém… Parece quando um inexperiente mestre de RPG coloca na aventura um desafio para os jogadores cumprirem, mesmo que não faça sentido… e quando eles se recusam, o mestre dá voltas e voltas para que o jogadores voltem por aquele caminho – aqui, como falei, sequer há uma recusa contundente de Alice… 

Em suma: o filme é quase um road movie para ir do ponto A ao B da forma mais linear e episódica possível. A estrutura é: ela sozinha, ou em grupo, andando. Aparece um bicho. Alguém morre. O antagonista sai de cena ao bel prazer (para evitar de matar mais gente). Outro bicho aparece. Mais alguém morre… um deus ex machina aqui, outro acolá… e as típicas reviravoltas que não impressionam mais ninguém… 

“Mas é um filme de ação… não precisa ter história…” Não concordo, todo filme tem que ter uma trama decente, isso é basilar… Não pode se pautar apenas em explosões (e acredite: há umas 876 cenas com coisas indo pelos ares…). Mas ok, vamos lá… Pensando só nas cenas de adrenalina, Resident Evil continua pessimamente realizado. Eu queria ter visto o filme, mas a tela piscava tanto que pensei que se tratava de uma produção natalina (no Japão estreou dia 23/12, pode ser essa a explicação). Ou seja, a ação é toda editada e raramente vemos uma movimentação completa sem que haja um corte e mude o ângulo. Sem contar que a escuridão da imagem (combo filme em 3D + se passar à noite) não ajuda. A opção é soa mais como preguiça do que para “dar um clima”.

Outros dois pontos negativos, que são muletas do gênero, é o uso da famigerada câmera lenta – a troco de nada, na maioria das vezes. E a coisa toda cronometrada, literalmente, para reforçar (ou tentar) o senso de urgência. Essas são ferramentas já saturadas e que mostram a limitação do diretor Paul W.S. Anderson, o nome por trás de 4 dos 6 filmes da saga. 

Voltando para o roteiro, há um subtexto religioso que é completamente jogado em tela e mal desenvolvido. Outra das muitas coisas desnecessárias aqui. E mencionei as frases de efeito da abertura, elas estão presentes em vários diálogos alguns exemplos como a nossa heroína diz: “Tem algo nos perseguindo”. Alguém a questiona: “tem certeza?”, a resposta dela: “é isso que eu faço”. Ou então capitão óbvio entra em cena: “O que vamos fazer?” pergunta um personagem ante uma horda de zumbis. “Vamos matar todos eles”, diz um outro….

Sem dar spoiler, mas a motivação dos bandidos é explicada e era melhor que não fosse. O final é de uma pieguice e vergonha alheia sem igual. A tentativa de dar um peso dramático faz com que os momentos de ação, tão criticados antes, deixem saudades….

Os fãs dos jogos reclamam que o filmes não são fieis ao jogo, garanto: esse é o menor dos problemas….

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